‘Corte no sistema S será dinheiro para as empresas’, diz Adolfo Sachsida
No comando da Secretaria de Política Econômica do futuro Ministério da Economia, Sachsida promete dar prioridade para reformas e ajuste das contas públicas

À frente da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia do governo de Jair Bolsonaro, o economista Adolfo Sachsida vai preparar a comunicação de defesa das reformas que serão necessárias para o ajuste das contas públicas.
Segundo ele, a ideia é apresentar, antes mesmo das críticas que virão em relação às medidas, informações técnicas que mostrem a importância da aprovação das mudanças. Esse trabalho até já começou, no caso da defesa do corte das alíquotas das contribuições do chamado Sistema S (que inclui entidades como Senai, Senac e Sest). Sachsida disse que o corte representará dinheiro no bolso das empresas. "Precisamos de medidas que sigam a seguinte linha: todos que podem vão contribuir com o ajuste", afirmou.
Qual será a prioridade da nova Secretaria de Política Econômica?
A função será formular a política econômica e preparar as narrativas para as reformas. Preparar um amplo conjunto de evidências para acompanhar as reformas. Nós identificamos que, na vez passada, o governo (Temer) teve um problema de comunicação. Muitas vezes, ele saía atrás. A questão da reforma da Previdência foi emblemática. O governo estava, no fundo, atacando os privilégios, mas a narrativa ficou contra ela. Então, toda vez que houver uma medida, vamos preparar informações técnicas de resultados empíricos dando suporte às medidas do governo. Não é que o governo está querendo mudar algo porque é mau, ruim, neoliberal. Precisamos mostrar que alguns ajustes na economia vão ser necessários.
Quanto à reforma da Previdência, há uma grande expectativa?
Existe, sim. Mas, se me permite, eu gostaria de falar sobre o Sistema S. Nós temos hoje no Brasil 12 milhões de desempregados, 13 milhões em subemprego. São 25 milhões de pessoas em situação financeira terrível. Temos de resolver essa situação. Ao mesmo tempo, existe uma herança maldita do PT. Ele acabou com as contas públicas. Elas estão esgotadas. Nós precisamos ajudar os desempregados, mas, ao mesmo tempo, não temos dinheiro. Acabou o dinheiro. Então, precisamos de medidas que sigam a seguinte linha: todos que podem vão contribuir com o ajuste. Nessa linha, temos de procurar como é possível dinamizar o emprego, mas sem usar dinheiro público. Precisamos que outros ajudem. Vamos identificar.
Leia Também
Como assim?
Nós sabemos que, se abaixar o custo de contratação do trabalho, vai ter mais emprego. Onde podemos fazer isso? Vamos procurar. Uma das possibilidades é no Sistema S. Ele cumpre várias funções importantes. De maneira alguma eu quero dizer que o Sistema S não é bom. Ele cumpre várias tarefas extremamente importantes. Contudo, quanto será que ganha um diretor do Sesi, do Senai? Quando olhamos salários, me parece que o salário dos dirigentes do Sistema S estão acima do mercado. Não é pouco.
A transição já mapeou esses salários?
Já tem isso. Eu prefiro não falar valores para não constranger, mas ela já existe. Os salários estão razoavelmente acima do mercado. Eu prefiro não falar valores. Existe gordura para queimar. Aí, você vai lá e olha a sede do Sesi e do Senai. São sedes que estão num padrão acima do que seria de se esperar de um país com a renda do Brasil. Temos duas vertentes que mostram que têm gordura. Se começa a gastar muito dinheiro com salários dos dirigentes e com as sedes, é menos recurso para treinamento.
Como vai queimar essa gordura?
Vamos queimar não é para o dinheiro ir para o governo. É para o dinheiro ficar na empresa. Para ela ter mais dinheiro para investir, contratar mais funcionários. Essa é a medida que temos hoje e estamos propondo. É uma medida pró trabalhador.
Significa cortar em quanto as alíquotas que as empresas pagam?
Eu deixo para o ministro Paulo Guedes responder. Ele já citou alguns números. Essa decisão é dele. O que nós estamos mostrando é que existe uma lógica econômica por trás disso.
A ex-presidente Dilma também propôs mudanças na desoneração da folha...
Não é a mesma coisa. Têm duas grandes diferenças entre o que a Dilma fez e o que estamos fazendo. A primeira, e que pouca gente fala, é que a desoneração da Dilma era temporária, transitória. Não era algo permanente. Se você chega para a empresa e diz que vai pagar menos imposto, mas que no ano que vem aumenta de novo, ela vai investir? Não, ela põe o dinheiro no bolso. A segunda diferença é que era para setores específicos, não para toda a economia. O que nós estamos fazendo é uma redução permanente e para todos. Todas as empresas que contribuem para o Sistema S vão contribuir um pouquinho menos agora e de maneira permanente.
Para reduzir, as alíquotas, no entanto, será necessária aprovação de projeto no Congresso e o governo precisará de apoio para fazer a mudança...
Perfeito. Ninguém fará nada de maneira tempestiva. Estamos falando sobre a SPE e a primeira entrevista é sobre o Sistema S. Justamente porque estamos chamando a discussão.
A pressão contrária será muito grande?
É um vespeiro, mas como eu disse: todos que podem vão ter de dar a sua contribuição. E eu apontei dois indícios muito claros que existem gorduras. O Brasil precisa desse dinheiro. Mas o governo não vai pegar o dinheiro do Sistema S e colocar no bolso. O que eu estou falando é: vamos deixar parte desse dinheiro nas empresas.
Quanto?
O Sistema S arrecada cerca de R$ 18 bilhões por ano. Então, dá para deixar alguns bilhões nas empresas. Algumas empresas vão aproveitar essa folga no caixa para contratar mais gente e outras vão aproveitar para pagar contas. O efeito global na economia é que o custo de contratação vão diminuir. As empresas vão contratar mais. A rentabilidade vai aumentar e haverá incentivo ao investimento.
A exemplo das mudanças no Sistema S em elaboração, o governo avalia outras medidas?
Sim, tem um amplo conjunto de medidas que estamos analisando, sempre tentando desburocratizar a economia.
*Com Estadão Conteúdo
VEJA DETALHES
Lucro menor, margens sob pressão e risco de inadimplência: por que a Tenda (TEND3) lidera as quedas do Ibovespa após o balanço do 3T26?
5 de novembro de 2026 - 12:15CTRL+A
Loterias, cigarros, bebidas, carros e mais: confira as alíquotas do ‘Imposto do Pecado’ e veja quando elas começam a valer
5 de novembro de 2026 - 11:24DADOS VAZADOS
FGC sob ataque: instituição reporta incidente de segurança e vazamento de dados
5 de novembro de 2026 - 11:08OPERAÇÃO REMOTA
Aposta feita pela internet fatura sozinha prêmio de quase R$ 12 milhões na Quina; Mega-Sena, Lotofácil e outras loterias acumulam
5 de novembro de 2026 - 5:56POLÍTICA MONETÁRIA
Copom segura Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes iniciado há cinco reuniões
4 de novembro de 2026 - 18:48CALMA MERCADO
Chegou a hora: Lula fará pronunciamento neste domingo para anunciar medidas de ajuste fiscal
4 de novembro de 2026 - 17:43FREIO NOS CORTES
Há uma pedra no caminho da Selic – e o próximo corte de juros pode depender de Lula
4 de novembro de 2026 - 6:43SAIU DO ATOLEIRO
Lotofácil 3820 tem 41 ganhadores, mas só um deles vai sacar prêmio milionário; Mega-Sena promete R$ 46 milhões hoje, mas tem loteria pagando mais
4 de novembro de 2026 - 5:56NOVA ECONOMIA?
Análise: o que o ‘acusador’ André Lara Resende colocou em debate e vale mais do que a proposta em si
3 de novembro de 2026 - 14:33INSTABILIDADE
Banco do Brasil enfrenta instabilidade em aplicativos e clientes relatam dificuldades em usar Pix
3 de novembro de 2026 - 12:30NOVIDADES NO RADAR
Caixa abre apostas para a Mega da Virada 2026 com prêmio bilionário e mudança na data e no horário do sorteio
3 de novembro de 2026 - 9:42RESSACA ELEITORAL
Menos cortes nos juros, mais inflação: Focus muda de cara às vésperas do Copom
3 de novembro de 2026 - 9:10Conteúdo Empiricus
Pote de ouro? Esse setor pode ser a chave para proteger sistemas de ataques de IA; ativos ligados a ele podem se valorizar até 42 vezes, segundo analistas
3 de novembro de 2026 - 9:00POLÍTICA ECONÔMICA
Por que o possível encontro de Lula com um dos pais do Plano Real deixou o mercado financeiro em alerta
2 de novembro de 2026 - 13:58MAIS LIDAS DO SD
Cruzeiro que terminou com passageiros abandonados, planos de Lula para o MEI, anulação das eleições e mais: veja o que bombou nesta semana
1 de novembro de 2026 - 17:24ANOTE NO CALENDÁRIO:
Queda da Selic à vista? Copom e payroll dividem atenções em semana mais curta no Brasil; veja a agenda econômica
1 de novembro de 2026 - 15:04Dívidas
Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões
31 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #294
O efeito Lula 4: sangria na B3 e dólar a R$ 5,40; o que fazer com seus investimentos após a virada nas urnas
30 de outubro de 2026 - 19:39O QUE ABRE E O QUE FECHA
A bolsa abre no feriado de Finados? Veja como ficam os horários dos bancos, Correios, agências de INSS e outros serviços
30 de outubro de 2026 - 6:30VOLTANDO AO NORMAL