‘Coé’ a do COE? Conheça o Certificado de Operações Estruturadas
Produto permite obter retornos de renda variável sem a possibilidade de ter perdas no principal. Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta.

Você já ouviu falar em COE? Não, não estou falando do cumprimento dos cariocas (“Coé, mermão, beleza?”), nem dos Comandos de Operações Especiais das polícias militares. Estou falando de um tipo de investimento relativamente novo no mercado financeiro brasileiro, o Certificado de Operações Estruturadas.
Inicialmente um tanto obscuros, os COE vêm se tornando cada vez mais conhecidos do investidor pessoa física, graças às plataformas de investimento - aquelas corretoras e distribuidoras que ofertam todo tipo de produto, de tudo que é banco e gestora, por valores de aplicação inicial reduzidos.
Por meio do COE, o investidor consegue apostar em cenários específicos, como a alta ou a queda de ativos (ações, fundos, moedas, commodities) e de índices (de bolsa, de renda fixa, de inflação).
É possível, inclusive, apostar no desempenho de ativos e índices negociados no exterior, como a alta de ações de companhias como Amazon, Netflix e Apple ou o retorno de fundos de gestoras renomadas, como a Pimco.
Além disso, dá para fazer estratégias sofisticadas e complicadas para a maioria dos investidores, como se proteger contra a queda de um ativo ou ganhar várias vezes o retorno de um investimento, a chamada alavancagem.
Tudo isso com quantias que variam de algumas centenas a poucos milhares de reais.
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Para o investidor pessoa física, os Certificados de Operações Estruturadas abriram as portas de produtos e estratégias que seriam, em outras condições, muito pouco acessíveis - seja pelo custo, seja pela complexidade, seja pelo valor de aporte inicial.
Os apelos desse produto para o investidor individual são vários, mas os mais propagandeados certamente são a possibilidade obter ganhos com apostas em ativos estrangeiros e o tal do capital protegido.
O tal do capital protegido
Investimentos de capital protegido são aqueles em que o investidor ganha se sua aposta se confirmar, mas não perde - ou tem uma perda limitada - caso ocorra um cenário adverso.
Quando o produto tem 100% do capital protegido, o investidor não tem perda nominal alguma caso o cenário da sua aposta não se concretize. Ele simplesmente recebe o principal de volta ao fim do prazo, podendo ou não haver algum tipo de correção.
Ou seja, na pior das hipóteses, é como se os recursos tivessem ficado parados na sua conta corrente. O investidor só deixa de ganhar a remuneração de uma aplicação conservadora e, bem… perde da inflação, se não houver correção.
É possível, ainda, haver produtos que protejam apenas parte capital do investidor. Por exemplo, que permitam uma perda máxima de 10% do valor aplicado.
No Brasil, os COE não são obrigados a ter capital protegido. Mas o mais comum é que ofereçam a proteção de 100%, pois COE que coloquem os recursos do investidor em risco não têm muito apelo comercial.
O que é COE, afinal
Os Certificados de Operações Estruturadas, ou simplesmente COE, são títulos emitidos por bancos para captar recursos, assim como os Certificados de Depósito Bancário (CDB), as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).
Mas, diferentemente desses títulos de renda fixa mais conhecidos, os COE não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O investidor fica, portanto, exposto ao risco de crédito (ou risco de calote) da instituição emissora.
Um COE é como se fosse um pacotinho que encerra, em si, uma operação estruturada. Mas em vez de você montar a operação na mesa da sua corretora ou com a ajuda do seu consultor financeiro, você compra a operação já montada na forma de um título.
A tributação do COE é a mesma dos títulos de renda fixa: alíquotas de 22,5% para aplicações de até 180 dias; 20% para aplicações entre 181 e 360 dias; 17,5% para aplicações entre 361 e 720 dias; e 15% para aplicações de prazo maior que 720 dias (cerca de dois anos).
Os prazos do COE costumam variar de um a cinco anos, durante os quais normalmente não há liquidez. Quando os resgates são permitidos antes do vencimento, geralmente é preciso respeitar uma janela de tempo. Por exemplo, pode ser possível sair a cada três meses.
Operações estruturadas
Operações estruturadas são estratégias que combinam operações com mais de um instrumento financeiro, de modo a apostar em um determinado cenário com controle de riscos.
Por exemplo, você pode combinar um ativo de renda fixa e um derivativo, que é um tipo de instrumento de renda variável muito utilizado para proteger investimentos de perdas (fazer hedge) ou potencializar ganhos (fazer alavancagem).
No caso do COE, é exatamente isso que acontece. Parte dos recursos é investida em renda fixa, de forma que os juros pagos recomponham, no vencimento, o valor inicial aplicado. É assim que se protege o capital.
Uma parte menor dos recursos é direcionada a operações com derivativos do ativo de referência (ou ativo-objeto) do COE. Opções de ações, de índices ou de moedas, por exemplo. É dessa ponta que pode vir a rentabilidade do investimento.
Em vez de fazer várias operações combinadas, cada uma com suas taxas e tributações diferentes, o investidor de COE compra um único título.
Como funciona o COE
Suponha que você queira apostar na alta do dólar. Se você simplesmente comprar dólar, investir num fundo cambial ou adquirir qualquer outro ativo diretamente ligado à variação da moeda americana, você ganha se o dólar subir, mas perde se o dólar cair.
Já se você investir em um COE que aposte na alta do dólar com 100% do capital protegido, você ganha se a moeda subir (dentro de um prazo pré-estabelecido) e recebe de volta o principal se a moeda cair. Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta, sacou?
O COE permite também apostar na queda de um ativo, o que também poderia ser feito de outras formas, só que menos triviais. A lógica é a mesma. Usando o exemplo do dólar, o investidor ganharia se o dólar caísse e receberia o capital de volta se a moeda subisse.
Quando a estratégia se concretiza, o retorno do Certificado de Operações Estruturadas costuma ser superior ao da renda fixa tradicional; caso contrário, o investidor recebe apenas o principal de volta.
Por conta disso, os COE se tornam mais atrativos quando a taxa básica de juros, a Selic, está baixa. Nesses cenários, o retorno da renda fixa conservadora é tão pequeno que vale a pena o risco de ficar no zero a zero para tentar ganhar um rendimento bem superior.
Mistura de renda fixa e renda variável
Podemos dizer que o Certificado de Operações Estruturadas mistura características da renda fixa e da renda variável. Ele permite ao investidor se beneficiar dos bons retornos que a renda variável pode proporcionar correndo um risco mais parecido com o da renda fixa. Uma boa porta de entrada para quem quer, por ora, colocar apenas a ponta do pé na água.
Assim como as perdas, os ganhos dos COE também costumam ser limitados. Em geral, há um teto para os rendimentos. Você ganha menos do que poderia, caso se expusesse diretamente ao ativo ou índice de referência. Mas, em troca, obtém a segurança de preservar o principal se tudo der errado.
A remuneração, caso o cenário projetado se concretize, pode tomar várias formas. Uma possibilidade é pagar uma taxa prefixada - por exemplo, 10% ao ano se o dólar subir.
Outro formato é o pagamento de um percentual ou da totalidade da variação do ativo de referência, limitado a um teto. Por exemplo, você ganha a valorização de uma ação até o limite de preço de R$ 50. Ou 80% da alta do dólar até a moeda atingir a cotação de R$ 3,80. E por aí vai.
Alguns COE possibilitam até mesmo obter um retorno alavancado, ainda que este também seja limitado.
Por exemplo, se você está apostando na alta de um fundo com alavancagem de três vezes, se o fundo subir 10%, você ganha 30%. Já se você estiver apostando na queda de um índice com alavancagem de cinco vezes, se o índice cair 5%, você ganha 25%, e assim por diante.
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