Setor imobiliário aposta em espírito de ‘fim de ano’ com lançamentos
Em São Paulo, número de novas unidades, até outubro, já havia superado o ano passado; lançamentos devem encerrar 2018 com alta de 5% a 10%, segundo analistas

Com o fim das eleições e a redução das incertezas, o mercado de imóveis residenciais deve entrar em um novo ciclo a partir do ano que vem. Em São Paulo, o número de novas unidades, até outubro, já havia superado o ano passado, e os lançamentos devem encerrar 2018 com alta de 5% a 10%, segundo analistas.
“Há sinais de um fim de ciclo para o setor e o crescimento mais expressivo do País no ano que vem, acompanhado de uma maior organização das contas públicas, deve favorecer a compra de imóveis”, avalia o executivo Carlos Terepins, da incorporadora Nortis, de São Paulo. “Algumas regiões, como a fronteira agrícola e São Paulo, devem se recuperar mais rápido.”
Nos dez primeiros meses do ano, foram lançadas 18.011 unidades em São Paulo. Apesar de ser um ano eleitoral, em que as vendas costumam ser mais fracas, o número foi 21% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram lançados 14.856, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).
Em recuperação
A venda de imóveis também teve uma recuperação. Os dados mais recentes, que vão até setembro, apontam que nos nove primeiros meses do ano foram vendidas 18.067 unidades, alta de 41% em comparação ao mesmo período de 2017, quando as vendas totalizaram 12.810 unidades, segundo o Secovi-SP.
Para Luciano Amaral, da Benx Incorporadora, que tem foco em empreendimentos de valor mais baixo, o cenário é mesmo de otimismo, porque as incertezas diminuíram. A empresa projeta encerrar o ano com R$ 400 milhões em Valor Global de Vendas (VGV) e cinco novos empreendimentos, um a mais do que no passado.
“Como o represamento nas vendas e nos lançamentos foi grande, o ano que vem e o próximo devem ser de expansão”, diz. “Caso nada de grave aconteça na economia e se o novo governo der respostas aos problemas fiscais do País, com reformas, o mercado tende a deixar os anos de crise para trás.”
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O presidente do conselho de administração da Cyrela, Elie Horn, é ainda mais otimista. Em entrevista publicada ontem pelo jornal "Estado de S. Paulo", ele disse que espera um “boom” para o setor. As vendas acumuladas da companhia, de outubro a novembro, são de cerca de R$ 800 milhões.
Na Gafisa, nos nove primeiros meses de 2018, os lançamentos somaram R$ 609,7 milhões, um volume 31,5% superior ao que foi lançado no mesmo período do ano passado.
Fim de ano
Novembro e dezembro de 2018 devem concentrar mais da metade dos lançamentos do ano, fazendo com que 2018 supere o ano passado. “As incorporadoras deixam os lançamentos para o fim do ano, quando o consumidor tem mais dinheiro no bolso. Além disso, este ano ainda tem essa particularidade de representar um fim de ciclo na política”, diz Reinaldo Fincatti, da Embraesp.
Para Flavio Amary, do Secovi-SP, que representa as empresas do setor, o mercado está pronto para lançar mais, após ter se concentrado nos últimos anos em zerar o estoque e evitar novos distratos (como é chamada a desistência da compra).
As incorporadoras esperam que a regulamentação dos distratos saia até o fim do ano, o que também deve ajudar a aumentar a segurança para lançar mais. Na última semana, o texto foi aprovado pelo Senado e o projeto voltou para discussão na Câmara dos Deputados.
Amary também avalia que, a partir do ano que vem, o aumento da procura por novos imóveis pode pressionar os preços para cima. “Vai acontecer um novo movimento de valorização imobiliária. A expectativa é que a confiança do consumidor suba e a alta do preço dos imóveis volte a superar a inflação.”
*Com Estadão Conteúdo
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