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No Senado, presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, destaca importância de reformas e de medidas tomadas para ampliar a concorrência no sistema financeiro. Ilan também falou de sua saída e fez uma confissão
O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, destacou a atuação firme do Banco Central (BC) como fator que permitiu a queda da inflação e das expectativas e a consequente redução da Selic para a mínima histórica de 6,5% ao ano.
Ilan foi à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), mas o quórum estava baixo. A sessão começou apenas com o senador Valdir Raupp (MDB-RO) na área destinada aos parlamenteares. Volume, mesmo, só dos colegas jornalistas, mais de dez, no fundo da sala da comissão.
“A atuação firme e transparente do Banco Central nos momentos de maior volatilidade ao longo do ano foi fundamental para a manutenção da funcionalidade de nossos mercados e amorteceu os impactos desses choques sobre preços”, disse.
Essa atuação permitiu, segundo Ilan, a consolidação da inflação em torno da meta e a ancoragem das expectativas de inflação. A consolidação das taxas de juros em níveis historicamente baixos, e a sustentação do processo gradual de recuperação da economia.
Em seu discurso, Ilan falou sobre o cenário desafiador para as economias emergentes agora em 2018. A normalização da política monetária americana provocou um choque de natureza global, mas afetou cada economia de acordo com suas características particulares.
Entre essas características, Ilan destacou a necessidade de financiamento externo e a existência ou não de Banco Central com autonomia. Como exemplo, citou dúvidas sobre essa autonomia do BC na Argentina e na Turquia, países que sofreram mais com a turbulência internacional.
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Sobre inflação, Ilan mostrou dados para respaldar a avaliação de que a inflação está na meta e as expectativas ancorada e lembrou que quando chegou ao BC, com inflação de quase 11%, os preços “teimavam em ficar em alta” apesar de as condições serem condizentes com a inflação caindo.
Nesse ponto ele destacou a importância do controle das expectativas e do compromisso do BC em levar a inflação para meta. Atualmente, disse Ilan, tanto os analistas quanto quem negocia no mercado acreditam que a inflação estará na meta nos próximos anos.
Ilan afirmou, no entanto, que esses resultados ligados a inflação baixa e juros em mínima histórica só vão poder se manter se continuar o processo de aprovação e implementação de reformas, notadamente as medidas de ajuste fiscal. Esses ajustes são necessários para o funcionamento pleno da política monetária e para a redução da taxa de juro estrutural.
Uma frustração com a continuidade dessa agenda de ajustes e reformas faz parte do balanço de risco do BC e poderia levar a uma retirada de estímulo monetário, ou seja, elevação da Selic.
Ainda de acordo com Ilan, o crescimento esperado de 2,4% para 2019, pode ser ainda maior a depender do andamento das reformas.
Ilan também agradeceu o compromisso da CAE e do Senado com as medidas microeconômicas propostas pela Agenda BC mais, que busca elevar a concorrência no sistema financeiro, como regulamentação da fintechs de crédito e a criação da Letra Imobiliária Garantida (LIG).
Na sessão de perguntas e respostas, o senador Garibaldi Alves (MDB-RN) fez uma pergunta “atrevida”, segundo ele mesmo, a Ilan. O senador queria saber o motivo de Ilan deixar a presidência do BC.
Ilan voltou a dizer que sua saída foi uma decisão de ordem pessoal, mas acrescentou que vai voltar às origens no setor privado. Ilan foi além e fez uma confissão, dizendo que se o BC tivesse ganhado mandato para seu presidente, talvez não se colocassem as questões pessoais que o levaram a anunciar sua saída da instituição.
Respondendo a perguntas vinda da internet, Ilan alertou sobre o risco dos criptoativos e reforçou que as criptomoedas não podem ser caminho para lavagem de dinheiro.
Ilan foi bastante elogiado pelo presidente da CAE, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e outros membros da comissão que chegaram ao longo da audiência.
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