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Vinícius Bazan
Crypto News
Vinícius Bazan
É engenheiro e entusiasta de criptomoedas na Empiricus
2019-04-20T15:37:12-03:00
UMA ILHA ABERTA PARA A NOVA TECNOLOGIA

Por que Malta está se tornando um polo de criptomoedas?

Enquanto outras nações maiores estão adotando uma postura de “esperar para ver” sobre os criptoativos, a ilha de Malta criou uma regulação para receber essa indústria e fomentar sua expansão

3 de novembro de 2018
5:01 - atualizado às 15:37
Ilha de Malta
Vista para a ilha de Malta - Imagem: Shutterstock

Talvez um dos momentos mais emblemáticos da história recente do mercado de criptomoedas tenha acontecido no início de setembro de 2017.  Após o incrível rali pós-hardfork que culminou na criação do Bitcoin Cash (BCH) em agosto, o bitcoin beirava a então máxima histórica em US$ 5 mil.

Pena que a alegria durou pouco… Alguns dias depois o mercado seria atropelado pelas notícias do cerco chinês às criptomoedas. "A China está banindo todas as corretoras de bitcoin e criptoativos em Pequim" era tema em todos os sites dedicados a cripto. Logo o mergulho se iniciou e o que era uma marca histórica para o preço do bitcoin se transformou em uma queda de quase 40% em poucos dias.

Olhando para trás, o efeito negativo (a queda brusca nos preços) da sequência de notícias não foi provocado pelo que estava escrito nos sites em si, mas pela incerteza que ela adicionava ao mercado. E se tem algo que desde sempre acompanha o mercado de cripto, essa coisa é a incerteza regulatória. Já se passaram quase dez anos da concepção do bitcoin - alguns menos se pensarmos na constituição de um mercado, de fato - e ainda há muito chão até haver mais clareza na maioria dos países.

Agora, se essa incerteza provoca calafrios nos empreendedores e investidores do mundo cripto, uma nação, em especial, está trabalhando em cima disso e aproveitando para se destacar nesse ecossistema. Se você pensou nas potências de tecnologia, como EUA com seu Vale do Silício ou Israel - saiba que estou falando de uma nação pequenina : Malta.

A ilha de menos de 500 mil habitantes próxima à Itália ganhou notoriedade nos últimos meses quando o assunto é blockchain e criptoeconomia. A pergunta que fica é: por que Malta está se tornando uma referência para o mercado de criptomoedas?

É justamente sua flexibilidade regulatória e receptividade à inovação que ajuda Malta a abrir suas portas para empresas desse ecossistema.

Regulação pró-cripto

Enquanto outras nações estão adotando uma postura de "esperar para ver" em relação aos criptoativos, o governo maltês recentemente criou a Autoridade de Inovação Digital de Malta (MDIA, na sigla em inglês) para ser a instituição reguladora dessa indústria e criar uma estrutura formal para isso.

Entre junho e julho, o parlamento aprovou três leis voltadas a criptomoedas e blockchain, com o objetivo de criar um escopo regulatório para empresas ligadas a cripto, incluindo corretoras (exchanges) e ofertas de novas moedas (ICOs).

Um documento de 36 páginas intitulado "Malta, uma líder na regulação de DLT", em tradução livre, explica como o país está se posicionando em relação às tecnologias de registro distribuído (DLT, em inglês). Segundo o documento:

"A proliferação de tecnologias novas e emergentes terá sérios impactos na maioria das indústrias, como serviços financeiros, educação e saúde, logística, transporte e administração pública [...]. Malta precisa ser líder nessa área sendo proativa, aberta a negócios, atraindo empreendedores e investidores de todo mundo."

Assim, Malta deseja se tornar um hub internacional para inovações em tecnologias digitais. E o trabalho vem dando certo.

No radar das gigantes

Grandes empresas do mercado de blockchain e criptoativos já estudam abrir escritórios na ilha. Um dos casos que mais chamou a atenção da mídia foi o da gigante Binance, hoje a exchange de maior volume negociado no mundo, segundo site CoinMarketCap, anunciando em março deste ano que criaria uma operação em Malta.

Binance, uma das grandes exchanges globais de criptomoedas - Imagem: Shutterstock

A Binance atualmente opera apenas trocas cripto-cripto, não sendo possível comprar criptoativos com dinheiro fiduciário (dólares, euros, reais). A fim de expandir sua atuação e inclusive bater de frente com exchanges que já aceitam trocas dinheiro-cripto como a Coinbase, a exchange chinesa deve aproveitar a flexibilidade de Malta.

Em tempos em que as brigas entre corretoras de criptomoedas e bancos estão ainda mais aquecidas, encontrar um ambiente aberto a esse tipo de negócio é música para os ouvidos.

Paralelamente, a exchange vem trabalhando com a Bolsa de Valores de Malta (MSX) para a futura criação de uma plataforma de negociação de security tokens (tokens que possuem a característica de valor mobiliário), tema que tem ganhado cada vez mais corpo no mercado.

Assim, ao oferecer uma regulação mais clara, um bom ambiente empresarial e benefícios do ponto de vista fiscal, Malta vem, pouco a pouco, se tornando um ambiente atrativo para o desenvolvimento de empresas da nova economia.

Como o próprio ministro das finanças do país disse em uma coletiva de imprensa: a nação não vai perder a oportunidade de tirar vantagem das inovações nesse ecossistema.

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