Você está preparado para a reforma da Previdência?
Goste ou não, as regras da Previdência Social devem mudar em 2019, e você provavelmente terá que se dedicar mais ao planejamento da sua aposentadoria

Como filha temporã, eu acho que tive um contato mais próximo com aposentados na minha família do que a média das pessoas da minha idade. Desde cedo observei que, na terceira idade, os gastos são muitos e a grana, geralmente, pouca.
Quem de fato consegue viver uma aposentadoria tranquila são aqueles que conseguiram juntar dinheiro e construir um patrimônio ao longo da vida.
Basicamente, a aposentadoria tem duas fases. Na primeira, o aposentado ainda é relativamente jovem e quer aproveitar o tempo livre para empreender projetos pessoais, viajar e se dedicar mais a atividades prazerosas. Pra isso, ele precisa de… dinheiro.
Numa segunda fase, o aposentado, com idade avançada, pode já não ser capaz de viajar para o Taiti, mas ele terá gastos com plano de saúde, médicos, remédios e talvez até enfermeiros ou cuidadores. Ou seja, ele continua precisando de dinheiro.
Por isso, me preparar para a aposentadoria sempre foi algo que esteve na minha cabeça, desde que comecei a trabalhar, por mais longe que este dia ainda esteja. De fato, em se tratando de aposentadoria, quanto mais cedo você começa, melhor. E como o meu avô viveu até os 97 anos, eu não espero viver menos do que 100. Sabe como é. Genética.
Ela está chegando
O tema da reforma da Previdência está voltando a esquentar, se é que chegou a esfriar em algum momento. O presidente Jair Bolsonaro já está com o rascunho em mãos e, dentro de duas semanas, deve bater o martelo sobre os contornos que sua proposta irá tomar antes de ser enviada para o Congresso.
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O equilíbrio das contas públicas e a nossa retomada econômica vêm sendo condicionados à reforma, uma vez que a Previdência Social contribui para o elevado gasto público e o alto endividamento que estrangula o país.
Em 2017, o déficit da Previdência Social chegou a R$ 268 bilhões, um recorde na série histórica. Nossos gastos previdenciários correspondem a 12% do PIB, cifra superior ou equivalente à de vários países mais ricos e com um percentual muito maior de idosos na população, como EUA, Japão, Irlanda, Canadá, Austrália e Reino Unido.
Hoje, apenas cerca de 10% da população brasileira são idosos; em 2050, o esperado é que essa proporção seja de uns 30%.
Alguns fatores contribuem para o déficit da Previdência, como o baixo crescimento econômico nos últimos 30 anos, agravado pela última recessão, que derrubou a arrecadação do governo; o aumento real do salário mínimo; a formalização do mercado de trabalho; o envelhecimento da população brasileira (um mix de queda na natalidade e maior expectativa de vida); e as aposentadorias consideradas precoces.
As mudanças ocorridas nas últimas décadas começaram a pressionar por alterações nas regras da Previdência Social, principalmente no que diz respeito a igualar regras entre servidores públicos e trabalhadores privados; instituir uma idade mínima; e instaurar um regime de capitalização pelo menos para parte das contribuições.
Goste ou não, alguma coisa certamente vai mudar. “Taoquei”, mas como isso vai afetar você?
A aprovação da reforma da Previdência tem um grande peso nessa euforia toda em relação ao Brasil. E como lá fora o mar não está pra peixe, para os gringos o sucesso da reforma é meio que determinante para eles passarem do otimismo cauteloso para o otimismo de fato.
Então, se você está empolgado com a bolsa arranhando os míticos 100 mil pontos e as diversas oportunidades de ganhar dinheiro que se abrem com uma economia em recuperação, torça pra dar tudo certo.
Agora, do ponto de vista individual, ainda não sabemos exatamente o que vai mudar, mas as regras devem ficar mais duras, especialmente para quem ganha mais. Uma coisa é fato: você vai ter que se tornar mais responsável pela construção do seu patrimônio e dar uma atenção maior ao planejamento da sua aposentadoria.
Na última semana, eu me debrucei sobre as propostas de reforma da Previdência que podem ter “inspirado” aquela que está sendo elaborada pelo governo Bolsonaro, e levantei como cada uma delas poderia afetar a sua vida. Olhando todas elas, dá para ter uma ideia do que deve nortear as novas regras. O resultado você confere nesta reportagem.
Pode ser que você precise de uma renda antes da idade mínima a ser estabelecida, por exemplo; ou ainda que a escolha dos investimentos que vão capitalizar parte das contribuições fique a cargo do próprio segurado, o que vai exigir que você saiba minimamente o que está fazendo.
Eu vou continuar acompanhando as novidades e ajudando você a entender o novo emaranhado de regras que deve vir por aí. Paralelamente a isso, vou te dar as melhores dicas de como investir para a aposentadoria.
Algumas delas você já pode conferir no Seu Dinheiro. Eu já falei sobre como planejar a aposentadoria e onde investir para não depender do INSS, listei regras de bolso pra quem tem pouco tempo pra investir e já desmistifiquei um montão de coisas sobre previdência privada.
CHEGOU AO TST
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