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Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

Mercados

Para gestores, reforma da Previdência será aprovada e Ibovespa vai acima dos 120 mil pontos

Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch pondera, no entanto, que quanto maior a expectativa, maior o risco de decepção com o timing das reformas. Pesquisa global reforma pessimismo com crescimento global

Eduardo Campos
Eduardo Campos
12 de fevereiro de 2019
11:39 - atualizado às 9:57
Brasil dinheiro bussola bolsa brasileira ibovespa b3
Imagem: Shutterstock

Nova rodada da pesquisa do Bank of America Merrill Lynch com gestores de fundos da América Latina mostra que as expectativas positivas com relação à reforma da Previdência não param de subir. Um percentual recorde de 93% dos participantes espera aprovação ainda neste ano, contra 91% em janeiro, e um terço deles acredita em aprovação no primeiro semestre.

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No entanto, pondera a instituição, quando maior a expectativa, maior o risco com possíveis decepções com relação ao timing, já que o governo considera enviar ao Congresso uma nova proposta, o que vai alongar o tempo de tramitação.

A reforma também é o fator primordial para os alocadores de recursos adotarem uma postura ainda mais positiva com relação ao Brasil. Evento citado por 82% dos participantes.

As expectativas com relação ao novo governo também aumentam, já que 82% avaliam que o país retoma o grau de investimento, perdido em 2015, ainda no mantado de Jair Bolsonaro, contra 67% da sondagem anterior.

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Bolsa e dólar

Quase 90% dos investidores estimam que o Ibovespa estará acima dos 95 mil pontos (patamar da data da pesquisa). Para 29% deles o Ibovespa estará acima dos 120 mil pontos no fim de 2019, contra apenas 9% em janeiro.

Já para o câmbio, 39% deles trabalham como dólar abaixo de R$ 3,60, pouco mais que os 32% de janeiro.

A tomada de risco (risk-on) atingiu nova máxima e vem aumentando gradativamente desde o fim do período eleitoral (gráfico abaixo). Quase metade dos gestores afirmam estar com posição de risco acima da média, enquanto o dinheiro em caixa segue próximo das mínimas históricas.

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Os investidores seguem dando preferência ao setor de consumo e há um rotação, já que a exposição ao segmento financeiro apresentou o menor posicionamento desde o começo da pesquisa.

Riscos

Os principais riscos para a América Latina continuam sendo a China/commodities, a falta de reformas e um dólar mais forte (maior número de menções desdes setembro de 2018). A Venezuela também apareceu entre os riscos.

México

Na ponta oposta do Brasil aparece o México. O rebaixamento de nota da petroleira Pemex atingiu o sentimento dos investidores. Agora, pouco mais de 60% dos gestores acredita que o país vai perder seu grau de investimento, contra 41% na pesquisa anterior.

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Pesquisa Global mostra “compradores em greve”

A pesquisa do banco com os gestores globais continua mostrando um tom pessimista apesar da recente puxada de alta nos mercados na abertura de 2019. A alocação em ações caiu 12 pontos percentuais e apenas 6% estão com posição acima da medida (overweight), menor patamar desde setembro de 2016.

Já as posições em caixa (cash) subiram em 6 pontos percentuais para 44% “overweight”, maior leitura desde janeiro de 2009, que ilustra a cautela dos gestores.

Para 46% dos alocadores globais de recursos o crescimento mundial vai perder força ao longo dos próximos 12 meses. Uma estagnação secular continua sendo consenso, com 55% dos participantes preocupados tanto o crescimento quanto com a inflação menores.

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Há preocupação, também, com o ciclo de crédito já que 46% dos gestores acreditam que os balanços corporativos mostram empresas muito alavancadas. E para 42% deles os lucros vão ser menores ao longo do ano.

Os principais riscos citados continuando sendo a guerra comercial (29%), indicação que lidera o ranking pelo nono mês consecutivo. Na sequência está uma possível desaceleração da China (21%) e um colapso do crédito corporativo (21%).

Em uma firme reversão, a posição “comprado em emergentes” é visto com o “trade mais congestionado” (18%). Há apenas três meses o “trade mais congestionado” era justamente o oposto, “vendido em emergentes”.

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Outros “trades” citados foram “comprado em dólar” (17%) e “comprado” em ações das FAANG+BAT, grupo formado por Facebook, Amazon, Apple, Netflix, Alphabet (Google), Baidu, and Tencent.

O BofA Merrill Lynch conduziu a pesquisa entre os dias 1 e 7 de fevereiro, com participação total de 218 gestores com US$ 625 bilhões de ativos sob gestão. Na pesquisa regional foram 109 participantes, com US$ 251 bilhões. Na pesquisa global a amostra abrangeu 173 entrevistas, com responsáveis por US$ 515 bilhões.

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