Menu
Novos acordos

Brasil deve levar a Davos propostas para ‘refundação’ da OMC

Vivendo o pior momento de sua história, a OMC passou a ser alvo de um questionamento direto do governo americano, que a acusa de ser insuficiente para frear a expansão comercial da China

21 de janeiro de 2019
9:14 - atualizado às 14:19
Organização Mundial do Comércio
Imagem: shutterstock

O governo brasileiro prepara um projeto para acelerar o processo de reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e tentar acomodar os interesses de exportadores de produtos agrícolas e as exigências do governo de Donald Trump.

Diplomatas brasileiros e estrangeiros ouvidos pelo jornal "O Estado de S. Paulo" querem que o Fórum Econômico Mundial, que começa nesta segunda-feira, 21, em Davos, na Suíça, seja transformado no palco do início da refundação da OMC, ameaçada de ser marginalizada pelo governo americano.

A reportagem apurou que o chanceler Ernesto Araujo também organiza um encontro em Genebra, no final da semana, com o objetivo de realizar consultas com os embaixadores dos Estados Unidos, União Europeia, Japão e os principais atores do comércio mundial.

Vivendo o pior momento de sua história, a OMC passou a ser alvo de um questionamento direto do governo americano, que a acusa de ser insuficiente para frear a expansão comercial da China. Trump, em diferentes discursos e iniciativas, deixou claro: ou a entidade muda ou será abandonada.

Numa tentativa de evitar o esvaziamento da entidade, a UE se apressou em apresentar propostas em um debate com americanos, canadenses e japoneses. Um dos centros do debate é a criação de regras para controlar o apoio estatal da China a setores que, cada vez mais, têm deslocado os concorrentes estrangeiros.

Durante a cúpula do G-20, em Buenos Aires em dezembro, o mandato político foi dado para começar a rever a OMC. Agora, em Davos, ministros terão a primeira oportunidade de lançar os trabalhos.

Ex-observador

O governo brasileiro estava comprometido com o processo de reforma. Mas, até então, praticamente como um observador. Agora, diplomatas confirmaram ao Estado que uma proposta do governo está sendo desenhada para que circule entre os demais governos. No fim de semana, os últimos detalhes estavam ainda sendo debatidos e o governo deve bater o martelo em breve.

Davos, portanto, seria o primeiro passo desse novo engajamento. Araújo, em seu discurso de posse, deixou claro que faria parte do processo com "criatividade" e engajamento. Mesmo sem a presença do alto escalão do governo Trump, o evento contará com a participação de um vice-representante do Comércio dos EUA, Dennis Shea.

No meio da semana, as transformações para tentar salvar a OMC serão debatidas num painel na quarta-feira, com a presença de Roberto Azevedo, diretor-geral da entidade. Mas, no dia 25, os ministros dos principais países do G-20 se reúnem para o que está sendo considerado como o pontapé inicial da reforma, que deve levar 18 meses para ocorrer.

O governo brasileiro leva para o debate pelo menos dois aspectos para a reforma. O primeiro é de que, seja qual for o resultado do processo, os temas agrícolas não podem sumir. Um dos argumento dos americanos é de que a entidade está "ultrapassada" e que, portanto, precisa passar a tratar de novos temas, como comércio digital e investimentos. Para Washington, esses são os assuntos do século XXI.

O Itamaraty, porém, se recusa a deixar a agricultura e as distorções criadas pelos subsídios como um "assunto do século XX". Um diplomata brasileiro ainda ironizou a agenda de reformas da OMC numa conversa com um embaixador asiático. Sua ideia: exportar produtos agrícolas pela Amazon, sem impostos, o que levou o diplomata estrangeiro a negar tal possibilidade.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

IR 2019

Plantão do IR: como adicionar corretagem e emolumentos ao preço médio de uma ação?

A repórter Julia Wiltgen conversou com o advogado tributarista Samir Choaib, da Choaib, Paiva e Justo Advogados, e respondeu às principais dúvidas dos leitores do Seu Dinheiro

Topa?

Um modelo de empresa para concorrer com a agiotagem

Bolsonaro sancionou a criação da Empresa Simples de Crédito (ESC) buscando estimular financiamento para micro e pequenas empresas

Pra gaveta!

Cade arquiva processos contra seis bancos que investigavam abuso no crédito consignado

Conselho livrou dos processos os bancos Bradesco, Santander, Caixa, Itaú, BRB e Banrisul

Agora o bicho pega!

Rodrigo Maia cria comissão especial que vai analisar a reforma da Previdência

Colegiado será composto por 34 membros e 34 suplentes e deve ser oficialmente instaurado pelo presidente da Casa na quinta-feira

Vai acelerar?

Governo promete intensificar reuniões com partidos para discutir a reforma da Previdência

Líder do governo na Câmara ignora críticas à articulação na votação da reforma e diz que comentários são um sinal de busca por diálogo

Acertando os detalhes

Ministério de Minas e Energia define cálculo de compensação à Petrobras na cessão onerosa

Ao todo, serão devolvidos à empresa US$ 354,4 milhões pelo gasto em equipamentos e US$ 7,7 bilhões no gasto com plataformas

Dados do BC

Entrada de dólares supera a saída em US$ 1,63 bilhões no acumulado do ano até 18 de abril

Para efeitos de comparação, em igual período do ano passado, o resultado era positivo em US$ 11,311 bilhões

Pior desempenho para março desde 2017

Arrecadação de impostos em março cai e soma R$ 109,854 bilhões, diz Receita

Queda real (já descontada a inflação) foi de 0,58% na comparação com o mesmo mês de 2018; em relação a fevereiro deste ano, baixa foi de 5,24%

Plataformas de investimento

Banco Inter vai devolver ao cliente parte da taxa de fundos de investimento

Após conta sem tarifas, banco digital anuncia “cashback” de taxas que seriam destinadas aos intermediários, como os agentes autônomos

Popularidade

Bolsonaro tem pior avaliação entre presidentes em começo de mandato

Pesquisa CNI Ibope capta 35% de ótimo e bom para o presidente agora em abril e percepção sobre o noticiário envolvendo o governo ajuda a explicar o resultado

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu