Ressaca do STF: como os presidenciáveis reagiram ao dia seguinte da sessão turbulenta
A sessão da Corte da véspera continuou pesando na corrida eleitoral; confira a reação e as principais declarações dos candidatos à Presidência nesta quarta-feira (16)

A ressaca da turbulenta sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) no dia anterior seguiu dando o tom do cenário político e eleitoral ao longo desta quarta-feira, com os presidenciáveis dividindo atenções entre propostas econômicas, acenos ao eleitorado e embates institucionais.
Enquanto a base do governo busca redefinir o foco dos debates, a oposição e os candidatos de terceira via aproveitaram o momento de crise na Corte para defender reformas e disparar críticas aos adversários.
No campo governista, a avaliação após o adiamento do julgamento relativo ao pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes é de tentar virar a página.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, declarou que o resultado parcial foi positivo para trazer o jogo de "volta ao zero" e adiantou que o foco da campanha petista agora será desconstruir a imagem do Flávio Bolsonaro (PL), buscando ampliar a rejeição do senador.
Guimarães indicou crer que as discussões voltarão a girar sobre temas eleitorais até outubro e evitou comentar as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mais cedo, em entrevista ao podcast Desce a Letra Show, Lula saiu em defesa de Moraes, afirmando que o magistrado prestou um serviço à democracia durante as eleições de 2022 ao enfrentar as tentativas de descredibilizar as urnas eletrônicas.
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Flávio Bolsonaro: foco na agenda
Alvo central da estratégia petista, Flávio Bolsonaro manteve o foco de sua agenda no Nordeste e evitou entrar nos embates do Judiciário.
Em visita a Juazeiro do Norte (CE), o senador disse que pretende ser reconhecido como o "novo Visconde de Mauá", prometendo destravar projetos de infraestrutura, com prioridade para ferrovias como a Transnordestina, visando reduzir custos de transporte e garantir a segurança alimentar.
Buscando reverter a vantagem do PT na região e apresentando-se como "o carioca mais nordestino que todos no Brasil já viram", Flávio Bolsonaro também prometeu concluir obras de irrigação, modernizar portos e ampliar ramais da transposição do Rio São Francisco para levar água ao povo nordestino.
Caiado e o pacificador
O cenário em torno de Flávio serviu de munição para o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, que criticou tanto o atual presidente quanto o senador do PL durante almoço com empresários do grupo YPO em São Paulo.
Caiado afirmou que o país precisa de um "pacificador" e acusou Lula de omissão e de ter "mãos sujas" ao não fazer um pronunciamento à nação diante da crise no STF, mas ressaltou que Flávio Bolsonaro tampouco tem autoridade moral ou condições de pacificar o país.
Ao comentar as polêmicas envolvendo o filme Dark Horse e os pedidos de financiamento feitos por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, o ex-governador goiano defendeu que um candidato à Presidência precisa estar acima de qualquer suspeita e demonstrar "mãos limpas".
No âmbito econômico, em dia de decisão do Copom, Caiado abordou a preocupação do empresariado com a taxa de juros e defendeu o corte de gastos nos três Poderes, a realização de uma reforma administrativa e a limitação do crescimento das despesas públicas à metade do crescimento econômico do ano anterior.
Augusto Cury: manicômio global
A crise de governabilidade e os limites da atuação do STF também pautaram a participação de Augusto Cury, candidato pelo Avante.
Em entrevista ao Flow Podcast, Cury classificou o ambiente político de Brasília como um "manicômio global" dominado por projetos de ego. Ele argumentou que a fragilidade do Congresso abre espaço para que a Suprema Corte avance sobre atribuições do Legislativo e "até legisle".
Como solução, prometeu provocar o Congresso em sua primeira semana de governo, caso vença, para implementar mandatos de oito anos para os ministros do STF, encerrando a vitaliciedade.
O candidato defendeu ainda a investigação rigorosa de eventuais irregularidades cometidas por integrantes da Corte e propôs a construção de um pacto de pacificação reunindo lideranças partidárias e o presidente do STF, Edson Fachin.
Renan Santos: prisão no STF
Em tom mais incisivo, o candidato do partido Missão, Renan Santos, defendeu em encontro com apoiadores em Londrina (PR) que todos os ministros do STF envolvidos no escândalo do Master sejam "afastados e presos".
Santos cobrou que as futuras indicações para a Corte sejam pautadas por reputação ilibada e defendeu uma reforma do Judiciário com critérios mais rígidos para nomeações, limitação de decisões monocráticas e o fortalecimento do papel fiscalizador do Senado sem receio de retaliações.
O presidenciável também relatou ter realizado uma transmissão ao vivo após a sessão de terça-feira (15) ao lado do deputado Kim Kataguiri, ocasião em que chamou Fachin de "fraco" e classificou o cenário na Corte como "horroroso".
*Com informações do Estadão Conteúdo
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