Dólar a R$ 4,86 após as eleições? Saiba quais ‘pistas’ o Chile, a Colômbia e o Peru podem dar sobre o câmbio
Eleições recentes na América Latina coincidiram com a valorização das moedas locais, e a reta final da disputa no Brasil pode trazer movimento semelhante ao câmbio

Há mais de dois anos o dólar não é negociado a R$ 4,87. A última vez foi em janeiro de 2024, quando a moeda norte-americana caiu pelo segundo pregão seguido, em meio à divulgação de dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos.

Às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (4), a possibilidade de o câmbio voltar para perto desse nível entrou novamente no radar. E três países da América Latina ajudam a entender o que está por trás dessa expectativa.
Chile, Colômbia e Peru. Nos três, o comportamento das moedas foi de apreciação frente ao dólar, depois de eleições presidenciais que resultaram em alternância de governo. Diante desse cenário, os analistas da Empiricus Research fizeram a seguinte pergunta:
"Quanto o real poderia se valorizar caso uma eventual mudança de governo no Brasil viesse acompanhada de redução relevante do prêmio de risco doméstico?"
Na visão dos analistas, a cotação convergiria para uma região próxima de R$ 4,94 a R$ 4,87 por dólar. E parte desse movimento poderia começar a ser precificado antes mesmo de o resultado definitivo das eleições ser conhecido.
VEJA MAIS: confira as principais recomendações da Empiricus, DE GRAÇA, até o fim do segundo turno das eleições
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O real pode estar no mesmo caminho das moedas do Chile, da Colômbia e do Peru?
A Empiricus Research analisou três eleições presidenciais recentes na América Latina: a vitória de José Antonio Kast no Chile, em dezembro de 2025; de Abelardo de la Espriella na Colômbia, em junho de 2026; e de Keiko Fujimori no Peru, proclamada presidente eleita em julho.
Nos 42 pregões posteriores ao segundo turno, período equivalente a aproximadamente dois meses, todas as moedas apresentaram valorização frente ao dólar:
- O peso chileno se valorizou 6,5%;
- O peso colombiano avançou 9%; e
- O sol peruano, 0,6%.
O ponto destacado pelos analistas não está apenas na dimensão da valorização. No Chile e na Colômbia, por exemplo, “a reprecificação não terminou quando o vencedor passou a ser conhecido”, apontam.
Segundo o relatório, isso acontece porque o resultado da eleição não encerra necessariamente a formação de preços. Depois das urnas, o mercado passa a observar fatores como: composição do governo, relação com o Legislativo, credibilidade das primeiras sinalizações econômicas e possibilidade de implementação das políticas anunciadas.
Mas de que maneira esse movimento observado nos países vizinhos se relaciona com o Brasil neste momento? O objetivo foi avaliar quanto o real poderia se apreciar diante de uma eventual alternância de governo no Brasil.
Nesse sentido, estamos a dois dias do primeiro turno das eleições e as pesquisas mostram empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro nos dois turnos.
De acordo com o portal Polling Data, o agregado das últimas pesquisas indicavam Lula com 40% e Flávio com 38% no primeiro turno. Em uma eventual disputa entre os dois no segundo turno, Flávio aparecia numericamente à frente, com 45% contra 44%.
Assim, o estudo da Empiricus aponta que, caso haja uma alternância política, acompanhada de melhores perspectivas fiscais e econômicas, o real pode se valorizar frente ao dólar.
De R$ 5,21 para até R$ 4,87: Até onde o câmbio pode chegar com as eleições?
No estudo, a Empiricus trabalhou com a possibilidade de uma apreciação do real frente ao dólar em três cenários: no caso-base, a pesquisa ajusta os movimentos das moedas pela volatilidade. O resultado encontrado sugere uma valorização média de 6,7%.
Já nos dois cenários mais conservadores, a análise considera primeiramente a volatilidade existente na época de cada uma das eleições estudadas. Nesse exercício, a valorização estimada para o real cai para aproximadamente 5,2%.
No segundo cenário, o estudo desconsidera dos movimentos das moedas a parcela associada ao comportamento global do dólar, medido pelo DXY (US Dollar Index) — índice que mede o desempenho do dólar norte-americano em relação a uma cesta de moedas —, antes de aplicar o ajuste pela volatilidade. O resultado foi uma valorização estimada de cerca de 5,4% para o real.
Assim, considerado o fechamento de 1º de outubro (R$ 5,21), nos cenários conservadores o câmbio poderia ficar entre R$ 4,93 e R$ 4,94. Contudo, o cenário-base aponta para a possibilidade de um dólar a R$ 4,87 nos próximos pregões.
A resposta não é uma previsão de que o dólar chegará neste preço. Mas, de acordo com a Empiricus, o movimento observado em outros países é um bom indicativo do que podemos ver no Brasil.
E um detalhe importante: o câmbio não necessariamente espera a definição das urnas para começar a se movimentar.
SAIBA MAIS: E se o dólar realmente cair? Quais são os melhores investimentos para ter na carteira?
Valorização do real poderia começar já nos próximos dias: veja como se posicionar para uma eventual mudança no câmbio
“O fato de uma eventual alternância já possuir alguma probabilidade incorporada aos preços dos ativos nas últimas semanas não implica que toda a reprecificação potencial tenha necessariamente ocorrido”, explicam os analistas da Empiricus.
No estudo, os analistas mostram que parte da movimentação das moedas aconteceu antes mesmo da votação decisiva. NaColômbia, o peso já havia se valorizado aproximadamente 7% nos 30 dias anteriores ao segundo turno. Usando o primeiro turno como referência, a apreciação acumulada chegou a cerca de 12,2% em dois meses.
O Chile apresentou comportamento semelhante. Tomando o primeiro turno como ponto inicial, a valorização da moeda em dois meses foi de aproximadamente 5,2%. Isso mostra que parte do movimento já estava em curso antes da vitória de Kast no segundo turno.
No caso brasileiro, o primeiro turno acontece neste domingo (4). Por isso, os pregões após a votação já podem mostrar o mercado precificando as novas informações sobre a disputa eleitoral, entre elas uma possível valorização do real frente ao dólar.
Ou seja, depois do primeiro turno, muita coisa pode acontecer antes de você decidir como se posicionar e, portanto, hoje pode ser o melhor dia para conhecer os ativos que podem ganhar com uma possível virada do real.
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