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Pesquisa com mais de 9 mil pessoas indica que interromper medicamentos para obesidade leva a engordar o peso perdido

As chamadas canetas emagrecedoras, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, transformaram o tratamento da obesidade. Desenvolvidas inicialmente para tratar diabetes tipo 2, em poucos meses milhões de pessoas passaram a usá-las para perder peso de forma rápida.
No entanto, um novo estudo mostra o que acontece quando o uso desses remédios é interrompido — e a resposta não é animadora.
Segundo uma pesquisa publicada na revista The British Medical Journal (BMJ), o peso tende a voltar, e mais rápido do que se imagina.
De acordo com o trabalho, pessoas que interrompem o uso das canetas emagrecedoras recuperam, em média, 400 gramas por mês após o fim do tratamento.
Mantido esse ritmo, a projeção é que o paciente volte ao peso pré-tratamento em pouco mais de um ano e meio. E tem mais: os benefícios cardiometabólicos conquistados com o uso dos remédios, como melhora da pressão, do colesterol e do controle glicêmico, também desaparecem, retornando aos níveis anteriores em aproximadamente 1,4 ano.
“Essas evidências sugerem que, apesar do sucesso na obtenção de uma perda de peso inicial, esses medicamentos, por si só, podem não ser suficientes para o controle do peso a longo prazo”, afirmam os pesquisadores em comunicado divulgado pelo BMJ.
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O estudo analisou 37 pesquisas publicadas até fevereiro de 2025, reunindo dados de 9.341 participantes, com duração média de tratamento de 39 semanas e acompanhados de 32 semanas após a interrupção.
Um dos achados mais relevantes é a comparação entre quem emagreceu com medicamentos e quem perdeu peso apenas com dieta e atividade física.
Segundo os pesquisadores, a recuperação de peso após parar com os medicamentos foi de quase quatro vezes mais rápido do que em programas comportamentais. Mesmo quando a perda inicial foi semelhante, o peso voltou mais depressa no grupo que interrompeu a medicação.
O efeito ocorreu independentemente da quantidade de peso perdida durante o tratamento.
Quando a medicação é interrompida, especialmente após uma grande perda de peso, o corpo reduz a queima calórica e altera os mecanismos de fome e saciedade, o que leva ao ganho de peso novamente.
Esse é um fenômeno biológico e faz parte do comportamento da obesidade, que é uma doença crônica.
Assim como ocorre em condições como a hipertensão ou diabetes, a obesidade exige um cuidado prolongado. A interrupção abrupta do tratamento pode levar a um retorno dos sintomas, no caso, o aumento do apetite e do peso corporal.
Para os pesquisadores, o ponto mais sensível não é apenas o retorno do peso, mas a reversão dos ganhos metabólicos. A piora do controle da pressão arterial, do colesterol e da diabetes após a interrupção é visto como um sinal de alerta clínico, pois mostra que o paciente continua metabolicamente doente.
É preciso fazer acompanhamento com endocrinologista para planejar o pós-uso das canetas emagrecedoras, como manutenção com outro medicamente, ajuste de dose ou uma estratégia contínua.
Em um editorial relacionado ao estudo, a pesquisadora Qi Sun reforça que os medicamentos não devem ser vistos como uma solução definitiva para a obesidade e que é necessário ter práticas saudáveis e mudanças no estilo de vida.
“Essas práticas não apenas ajudam a prevenir o ganho excessivo de peso, como podem gerar inúmeros benefícios a saúde que vão além do controle do peso”, diz Qi Sun.
Em nota, a Novo Nordisk, fabricante do Wegovy, afirmou que algum grau de recuperação de peso é esperado quando o tratamento é interrompido.
Segundo dados do estudo STEP 1, publicado em 2022, pacientes que pararam a medicação recuperaram cerca de dois terços do peso perdido em 52 semanas.
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