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Além de elevar o risco institucional percebido nos Estados Unidos, as pressões do governo Trump adicionam incertezas sobre o mercado
Os mercados iniciaram a semana em modo defensivo, pressionados por dois fatores centrais. De um lado, a nova tentativa do governo Trump de influenciar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) reacendeu dúvidas sobre a autonomia da autoridade monetária e elevou o chamado risco institucional nos Estados Unidos.
Do outro, a piora do quadro político no Irã, com protestos duramente reprimidos, aumentou a percepção de que algum tipo de ação militar americana poderia estar no radar. Esse conjunto de incertezas estimulou a migração para ativos considerados mais defensivos.
No front americano, procuradores federais abriram uma investigação contra o presidente do Fed, Jerome Powell, para apurar se ele teria prestado informações imprecisas ao Congresso sobre os custos da reforma da sede da instituição.
Powell confirmou o recebimento de intimações do Departamento de Justiça e afirmou ver a apuração como parte de um ambiente crescente de pressão política, sobretudo por parte do governo Trump, que vem criticando repetidamente o Fed por não cortar os juros no ritmo desejado pela Casa Branca.
A reação dos mercados foi rápida. Os futuros das bolsas americanas e o dólar recuaram, enquanto ativos de proteção, como ouro e franco suíço, se valorizaram.
Embora as ações tenham conseguido recuperar parte das perdas ao longo do pregão, o movimento deixou claro o desconforto dos investidores com a possibilidade de que a independência do Federal Reserve esteja sendo colocada em xeque.
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As obras que estão no centro da investigação tiveram início em 2022 e já acumulam um custo estimado cerca de US$ 700 milhões acima do orçamento original. O projeto prevê a ampliação e modernização do Edifício Marriner S. Eccles, inaugurado em 1935, e de outro prédio na Avenida Constitution, construído em 1932. Nenhum dos dois passou por uma reforma completa desde a sua inauguração, há quase um século, o que ajuda a explicar a magnitude da intervenção.
Se gastos elevados na restauração de edifícios históricos em Washington puderem, de fato, ser tratados como matéria criminal, abre-se um precedente curioso — que, por coerência, também permitiria questionar, por exemplo, a recente demolição da Ala Leste da Casa Branca, realizada por ordem do próprio presidente Trump.
Tudo indica, portanto, mais um capítulo da ofensiva política contra a independência do Fed. A questão central é saber se a autoridade monetária continuará a definir os juros com base em dados, evidências e condições econômicas — ou se passará a operar sob pressão política e intimidação. A leitura dos investidores é clara: esse risco existe, e ele já começou a ser precificado.
O movimento recente contra o Federal Reserve não surge do nada. Ele repete a mesma lógica que o governo Trump vem tentando aplicar para afastar Lisa Cook do Conselho de Governadores do Fed, com base em acusações de fraude hipotecária.
Do ponto de vista político, porém, há uma racionalidade dura por trás dessa ofensiva: Cook tem ainda cerca de dez anos de mandato pela frente, e Trump busca ampliar o número de vozes alinhadas à sua agenda dentro do Conselho.
O caso de Jerome Powell, no entanto, é diferente. Seu mandato como presidente do Fed termina em maio, mas ele poderia permanecer como membro do Conselho de Governadores por mais dois anos. Diante do grau de desgaste recente em Washington, muitos partem do pressuposto de que ele optará por deixar o cargo de vez.
Ainda assim, o ambiente de confronto pode produzir um efeito paradoxal: ao transformar sua permanência em símbolo de resistência institucional, a pressão política pode, na prática, aumentar as chances de Powell decidir ficar.
O aspecto mais surpreendente dessa ofensiva não é a hostilidade do atual governo em relação ao Fed — isso já era conhecido. O que chama atenção é o fato de o banco central aparentar estar reagindo, e não apenas absorvendo os ataques.
Mesmo com a volatilidade observada em alguns ativos, o rendimento do título americano de dois anos, o mais sensível às expectativas de política monetária, variou muito pouco.
Isso sugere que parte relevante dos investidores acredita que a pressão política pode tornar Powell e seus colegas ainda mais cautelosos para cortar juros: tanto por uma necessidade de reafirmar a independência institucional quanto porque o ambiente mais incerto recomenda prudência.
Nesse contexto, levar o conflito para o campo judicial pode acabar reforçando justamente aquilo que o governo pretende enfraquecer. Além de elevar o risco institucional percebido nos Estados Unidos, o episódio reativa a narrativa de “venda de ativos americanos” e adiciona incertezas sobre o mercado de títulos e sobre a condução da política monetária nos próximos meses.
O maior dano, porém, é de natureza estrutural. Credibilidade é algo que se constrói ao longo de décadas e pode ser corroído muito rapidamente. Qualquer abalo nessa confiança reduz a eficácia da política monetária, porque enfraquece o poder de sinalização do banco central.
Ainda assim, mantenho a leitura de que o Fed deve realizar dois cortes de juros ao longo deste ano. Desde que esse processo ocorra dentro de critérios técnicos claros, cortes adicionais não representam, por si só, um risco — o verdadeiro problema está na politização das decisões.
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