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Crise habitacional, “bidding” e o boom tecnológico: um guia para entender o complexo mercado imobiliário da capital irlandesa
Dublin se equilibra, de forma charmosa e por vezes caótica, entre a imagem de cartão-postal, com pubs acolhedores, alguma música celta, e a realidade de uma capital em pleno boom imobiliário. Para quem considera a capital irlandesa como um novo endereço, o rio Liffey é mais que um marco geográfico: é a linha inicial de uma divisão urbana que molda a cidade em múltiplas camadas.
Entender Dublin é decifrar seus códigos postais, o mercado de aluguel hipercompetitivo e as regras particulares de compra. Num cenário de alta demanda e oferta limitada, a cidade desafia recém-chegados, mas continua a ser um polo de oportunidades profissionais que atrai estrangeiros do mundo todo.
A primeira lição geográfica sobre Dublin é simples: o Liffey divide a cidade entre Northside (lado norte) e Southside (lado sul). Essa separação se reflete diretamente nos códigos postais: números ímpares identificam o norte (D1, D7), enquanto os pares ficam ao sul (D2, D4).
“Os números ímpares correspondem a um lado da cidade e os pares, ao outro”, explica o corretor de imóveis Alan Lima. Historicamente, essa divisão consolidou um estereótipo: o Southside, associado às classes mais abastadas, e o Northside, tradicionalmente operário.
Hoje, porém, as fronteiras socioeconômicas tornaram-se mais difusas. A gentrificação redesenhou o mapa. “Existe uma ideia de que quanto maior o número do código postal, mais barato é o imóvel, mas isso não é necessariamente verdade”, observa Lima. “O que mais pesa é a localização — especialmente a proximidade com a costa, que tende a valorizar o metro quadrado”.

As áreas centrais, D1 e D2, continuam sendo as mais disputadas por quem chega à cidade. “Dublin 1 e Dublin 2 é onde a maioria dos estudantes estrangeiros prefere morar, justamente por estarem perto de tudo”, explica o corretor.
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Além da clássica divisão norte-sul, as últimas décadas assistiram à expansão do oeste da cidade, o chamado West Dublin, que abriga áreas suburbanas e cidades-satélite como Tallaght (D24) e Blanchardstown (D15).
Longe do circuito turístico, os bairros de Dublin revelam personalidades distintas. Dublin 4 (Ballsbridge, Donnybrook) é o distrito mais prestigiado — endereço de embaixadas, da emissora nacional RTÉ e da sede europeia do Google. “A região da Doca é uma das mais valorizadas da cidade, com o metro quadrado podendo chegar a 15 mil euros”, comenta Lima.
Dublin 6 (Rathmines, Ranelagh) combina charme histórico e atmosfera jovem. Conhecido no passado como Flatland, pelas antigas mansões vitorianas convertidas em apartamentos, hoje é um reduto de jovens profissionais e expatriados.

Do outro lado do rio, Dublin 7 (Stoneybatter) ganhou fama de bairro hipster, misturando moradores antigos com uma nova geração de criativos. Já Dublin 8 (Portobello, The Liberties) preserva o espírito da Dublin tradicional, ao mesmo tempo em que passa por uma transformação acelerada — com novos empreendimentos surgindo ao redor da icônica cervejaria Guinness.
Independentemente do bairro, entrar no mercado imobiliário de Dublin é um desafio. A chamada crise habitacional define bem o cenário: a procura é muito superior à oferta, e a competição é intensa.
“Se eu anuncio uma casa para alugar, em uma ou duas horas já recebo mais de 200 e-mails de interessados”, relata Lima. “O corretor precisa filtrar e selecionar apenas uma parte dessas pessoas para as visitas. É impossível responder a todos.”
Diante desse volume, a maioria das imobiliárias prioriza o contato por e-mail. “Os telefones raramente são atendidos, simplesmente porque não há tempo para isso”, acrescenta.
Os preços refletem essa pressão. Um apartamento de dois quartos pode custar cerca de 2.500 euros por mês. Dados oficiais do RTB mostram que, no início de 2025, o aluguel médio de novos contratos em Dublin chegava a 2.186 euros.

O maior obstáculo para recém-chegados é a documentação exigida pelos proprietários. O item mais importante é a carta de referência de um senhorio anterior.
“Os locadores costumam dar prioridade a quem já mora no país, tem emprego fixo e referências locais”, explica Lima. “Eles buscam garantir que o inquilino será confiável e terá condições de pagar o aluguel”.
Para quem ainda não tem esse histórico, existem alternativas. Alguns recorrem a um relocation agent (agente de relocação), que faz a intermediação com o proprietário. “Em alguns casos, eu mesmo presto esse tipo de serviço, porque o processo pode ser muito difícil para quem está chegando”, conta Lima.
Outra forma de compensar a falta de referências é apresentar comprovação financeira sólida. “Já atendi clientes que conseguiram visitas rapidamente porque tinham fundos suficientes para cobrir vários anos de aluguel. Isso transmite segurança.”
A exigência é alta porque a legislação irlandesa protege fortemente o inquilino. Após seis meses de contrato, o locatário adquire o direito de permanência de longo prazo — o que significa que o proprietário só pode rescindir o contrato por motivos legais específicos. “Por isso, a escolha do inquilino é feita com tanto rigor”, explica Lima.
Mesmo com o limite de aumento imposto pelas Rent Pressure Zones (RPZ) — de até 2% ao ano ou conforme a inflação —, o corretor aponta uma brecha: “Se o imóvel é novo e nunca foi alugado, o proprietário pode definir o valor inicial que desejar. Essa regra acabou levando muitos donos a venderem seus imóveis.”
Para quem pensa em comprar, o cenário é igualmente competitivo. Os preços em Dublin subiram 5,3% nos 12 meses até agosto de 2025. “Recentemente vendi uma casa de 45 metros quadrados por 380 mil euros”, exemplifica Lima. O preço do metro quadrado pode variar de dois mil euros no interior, em Longford, a até 15 mil em áreas nobres como a Doca.
Um dos fatores que mais influenciam o mercado é o chamado bidding — uma espécie de leilão informal. “Tecnicamente não é um leilão, mas funciona como um”, explica o corretor. “O imóvel é colocado à venda por um valor abaixo do esperado, para atrair interessados e estimular a disputa. Se eu sei que a casa vale 450 mil, posso anunciá-la por 370 ou 390 mil, esperando que as ofertas subam”.
Segundo Lima, esse processo ajuda a filtrar compradores realmente dispostos, mas também eleva a tensão da negociação.

O principal risco para compradores desavisados é o gazumping. Mesmo após uma proposta ser aceita — status conhecido como Sale Agreed —, o vendedor pode desistir e aceitar uma oferta maior até a assinatura final dos contratos pelos advogados.
É uma prática frustrante, mas legalmente permitida até o fechamento da transação. O processo, que envolve a contratação de um advogado (solicitor) e o pagamento de impostos como o Stamp Duty, costuma levar cerca de 100 dias para ser concluído.
Com preços tão altos e competição acirrada, por que tantos ainda escolhem Dublin? “Porque aqui há oportunidades de trabalho”, resume Lima. “Apesar do custo de vida elevado, a cidade continua atraindo profissionais qualificados. Muitos brasileiros que antes vinham para trabalhos temporários hoje chegam com formação em áreas como enfermagem e tecnologia.”
Os salários acompanham essa tendência. “Na área de TI, por exemplo, a média anual varia entre 60 mil e 80 mil euros”, afirma. “Com um bom planejamento, é possível até comprar um imóvel após um ou dois anos.”
A segurança também é um fator decisivo. “Mesmo com alguns problemas recentes, Dublin ainda é muito mais segura do que muitas cidades brasileiras”.
O corretor, porém, reconhece o paradoxo: “Para quem vem de fora, a cidade oferece qualidade de vida e boas oportunidades. Mas, para muitos irlandeses, tornou-se difícil permanecer aqui diante do custo de moradia”.
Para quem pretende enfrentar o mercado dublinense, Lima recomenda agilidade e preparo. “Tenha toda a documentação pronta e ative notificações no site Daft.ie para se candidatar assim que o anúncio for publicado”, orienta.
Ele alerta também para fraudes comuns em redes sociais: “É frequente ver golpistas dizendo que estão fora do país e pedindo pagamento antecipado. Jamais envie dinheiro antes de receber as chaves e confirmar o imóvel pessoalmente”.
Outro conselho importante diz respeito aos animais de estimação: “Alugar um imóvel com pets, especialmente cães grandes, é consideravelmente mais difícil. O ideal é avaliar isso antes da mudança”.
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