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Para Bruno Eliézer Martins, da Ponta de Lança, vender livros é vender magia; mas a paixão virou um dos epicentros da literatura paulistana; ao Seu Dinheiro, ele adianta os próximos capítulos
Na tarde amena de uma terça-feira paulistana, a Livraria Ponta de Lança, na Vila Buarque, ferve com conversas, cafés e gargalhadas. Entre as estantes de clássicos franceses da Pléiade e gregos da Belles-Lettres, Bruno Eliézer Martins circula com o olhar atento, ajudando clientes, recompondo pilhas de livros e checando detalhes para o próximo lançamento.
Surge entre os habitués da livraria a seguinte pergunta: é possível viver de paixão?
Várias opiniões são lançadas. Por fim, o proprietário da livraria aparece para sanar a questão. “É possível, mas é uma luta muito dura.”
Que o diga Bruno: natural de Poços de Caldas, ele sempre foi apaixonado pelos livros. Há oito anos, veio tentar a sorte em São Paulo. Começou, então, vendendo exemplares em uma banca na rua. Hoje, além da livraria, que é um dos epicentros do leitorado paulistano e movimenta R$ 120 mil mensais, ele tem um sebo repleto de edições raras e esgotadas que funciona como boutique, com hora marcada.
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A livraria, definida como afetiva, apaixonada e imperfeita, aposta num modelo de negócio orgânico. Sua agenda é agitada por lançamentos, clubes de leitura e as discussões que surgem pela comunidade formada em torno da livraria no balcão do Café da Ponta, que oferece cafés especiais preparados por baristas e drinks.
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Atualmente, o negócio que começou com apenas um livro vendido se expandiu para uma livraria, dois sebos e a Livraria Franco-Brasileira, fruto da recente compra do prestigioso acervo da extinta Livraria Francesa. Além disso, há planos para uma livraria infantil com sorveteria aos fundos, a futura Livraria Casquinha.
Em 2024 veio a Editora Ponta de Lança. "Uma conquista", define Bruno, que, desde então, já publicou A Arte de se Orientar, um manual irônico sobre a vida acadêmica assinado pelo professor da USP Jean Pierre Chauvin; O Passado e o Futuro da Moeda Sem Face, de Noenio Spinola — um mergulho na história do dinheiro, da sua criação às criptomoedas —, além de outros dez títulos.
Não deixa de ser um renascimento das livrarias independentes de São Paulo, impulsionado pelo fechamento recente de redes como Saraiva e Cultura, por exemplo, e pela busca por experiências presenciais. Desde 2019, ao menos 25 novas livrarias foram abertas na capital, enquanto o comércio virtual — liderado por Amazon, Submarino e Mercado Livre — já responde por 32,5% do faturamento das editoras.
Apesar do crescimento, o setor enfrenta desafios como margens apertadas, concorrência com o e-commerce e falta de incentivos fiscais. Para sobreviver, as livrarias apostam atualmente em curadoria, laços com a vizinhança e eventos culturais.
Na entrevista Bruno Eliézer Martins conta ao Seu Dinheiro como é viver de sonhos vendendo magia, sim, mas sempre equilibrando paixão e viabilidade.
Bruno Eliézer Martins: Sempre gostei de negociar, mas minha família via o dinheiro como pecado. Sofri muito com isso.
Bruno Eliézer Martins: Vim de um morro de Poços de Caldas, desde pequeno fui muito interessado por livros, poesia e histórias. Sempre fui muito amigo de idosos, e eu gostava de ouvir as histórias dessas pessoas.
Mas o primeiro contato com os livros foi muito triste. Um vendedor de livros na escola passou na minha escola, fiquei doido por aquilo e eu não pedi para o meu pai, nem tinha como pedir. Fiquei chorando por noites e meu pai me levou de fusca para uma pequena livraria da cidade.

Bruno Eliézer Martins: Foi em 2017, sofri muito nos dois primeiros anos. Fui muito esnobado e tive que começar do zero. Hoje posso dizer que conquistei esse lugar de livreiro e editor.
Bruno Eliézer Martins: O livro é mágico. Você pode até ler em outro meio, mas o livro é algo mágico, e eu sou um vendedor de magia. Uma rede, ou uma franquia pode acabar com esse modelo de negócio. Eu quero ser inspirador no que eu faço, quero que o meu negócio inspire as pessoas. Eu sou um otimista incorrigível, capaz de pegar essas caixas [aponta para algumas caixas de livros no chão] e sair na rua vender.
Bruno Eliézer Martins: Sim. Saí vender meus livros em uma banca na rua, tinha um acervo de seiscentos livros, um ano depois estava com seis mil livros. Isso foi em 2019. Em 2020 já eram vinte mil. E foi crescendo, na pandemia comprei várias bibliotecas e cheguei a cem mil livros.
Bruno Eliézer Martins: Isso. Abri a livraria em 2021, também com seiscentos livros, selecionados a dedo. Penso que o caminho da minha vida está completamente cruzado com os livros, e eu estou feliz com isso. E eu quero conquistar postos, é uma guerra. A gente conquista esses lugares, tenho muitos amigos que me dizem “o que eu queria mesmo é fazer algo como o que você faz, mas eu não posso”.
Bruno Eliézer Martins: É um lugar de resistência. Eu tenho uma missão, e não posso me acomodar. Quero fazer dinheiro vendendo boa literatura, vendendo boas histórias. Eu conheço as boas histórias, são aquelas que deixam de ser histórias e começam a fazer parte da sua vida.
Bruno Eliézer Martins: Tá aí também. Esses tempos li O Primeiro Leitor [de Luiz Schwarcz, fundador da Companhia das Letras, o maior grupo editorial do país]. Ele começou como estagiário de uma das grandes editoras, ele tinha US$ 140 mil, isso em 1986. Eu não tenho isso. Admiro muito o trabalho dele, mas não tenho as mesmas facilidades, os mesmos acessos. Comecei vendendo livros na rua, no primeiro dia vendi um livro só, que foi A Formação do Romance da Cosac Naify, por R$ 150. A editora é uma conquista.
Bruno Eliézer Martins: Sim e logo depois comecei a montar o acervo. Abrimos a Ponta de Lança e agora, três anos depois, estamos com a editora. Eu me vejo como um livreiro artesão. Acredito no toque, em sentir as coisas. E estamos lutando para alcançar lugares, galgar postos.

Bruno Eliézer Martins: É preciso ser ambicioso para viver de paixão. Hoje estamos com um faturamento mensal de R$ 120 mil e o desafio é expandir o negócio sem perder a magia da livraria. Se tem uma coisa que eu aprendi é que um negócio não pode parar de crescer.
Bruno Eliézer Martins: Tive propostas de sociedade, mas não quero transformar a livraria numa rede. Sonho em ter livrarias imperfeitas como essa por todo o Brasil. As bibliotecas são mediadores culturais indispensáveis, mas é preciso pensar nas pequenas livrarias como uma estratégia de capilarização da leitura no Brasil, num interior ainda inexplorado, fora do eixo Rio-São Paulo.
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