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Com menus de curto prazo e combinações inusitadas, chef Igor usa inovação como destaque frente à tradição gastronômica sólida da capital paranaense
Curitiba nunca foi terreno fácil para ousadias gastronômicas. A tradição, profundamente enraizada na cultura italiana, sempre falou mais alto nas mesas da capital paranaense. Mas foi também um desafio a ser superado na visão inovadora de Igor Marquesini, nome por trás do contemporâneo e autoral Restaurante Igor, endereço incontornável da gastronomia curitibana hoje.
Pouco ortodoxo desde o princípio, Igor traz ainda da infância na Austrália uma visão menos rígida e mais prática, resultado da própria educação do continente-ilha. Por lá, seu currículo incluía matérias como pescaria ou atividades manuais, que já começavam a dar os caminhos para sua gastronomia, profundamente experimental, mas nunca sem fundamento.
De volta ao Brasil, a indecisão sobre o vestibular uma carreira deu espaço à gastronomia, por sugestão de uma tia. A ideia pareceu fazer sentido. Só era preciso começar.
Antes de abrir sua casa, o chef viveu novas experiências fora do país. Dessa vez, educou-se por cozinhas distintas, como o Piccolo Lago, na Itália, e o Annisa, em Nova York. Isso além de completar a educação formal em institutos respeitados como o ICIF, Italian Culinary Institute for Foreigners, e o ICE, Institute of Culinary Education.
Ao Brasil retorna em 2014, onde passa a trabalhar direto para o Manu, endereço da conterrânea Manu Buffara, em Curitiba. E é ali, diante de um dos maiores ícones da cozinha autoral do Brasil, que, após três anos, ele amadurece sua própria visão sobre uma gastronomia inovadora, original e transformadora. Não à toa, ele também batiza o restaurante com seu próprio nome: em 2018, aos 26 anos, o Igor, pessoa física, cria o Igor, seu próprio restaurante.
Inovar em uma cidade que valoriza a tradição parecia arriscado. O medo, admite o chef, era inevitável. Mas foi também o combustível para se aventurar em um cardápio que se transforma a cada seis meses.
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Não que tenha sido um caminho linear: no início, Igor ainda tateava, optando por versões mais seguras de pratos conhecidos. Na época surgiram releituras de preparações como o “xixo”, o clássico espetinho gaúcho que combina cortes de carne e legumes, ou um carbonara com toques autorais.
Para não afastar o público, seu menu degustação dividiu o serviço com opções à la carte – uma forma de tentar agradar a todos. Mas após dois anos depois, Igor percebeu que precisava assumir sua vocação. Abraçou, portanto, o formato de menu degustação de vez e estabeleceu a frequência de seis meses para o menu da casa.
A cada ciclo, a proposta foi se refinando e a maturidade trouxe mudanças significativas: “Se no início havia uma autocobrança excessiva na montagem dos pratos, hoje a segurança permite trabalhar com menos elementos, mas com mais precisão”, diz o chef, que cita Jefferson Rueda e Sean Brock entre suas principais referências.

Hoje o Restaurante Igor oferece duas opções de seu menu, uma curta, com oito etapas, e outra longa, com treze. Em comum, o respeito das duas à sazonalidade dos ingredientes, uma predileção confessa por peixes e frutos do mar e uma preocupação com ingredientes de produtores locais.
O salão também mudou com o tempo. No começo, a sensação era de intimidade. A cozinha era conduzida por ele e atendimento por sua esposa, Aline. Hoje, o salão exibe obras que remetem à natureza do litoral paranaense e um mural do artista Jorge Galvão.
Antes tido como formal e organizado demais, o ambiente logo foi ganhando personalidade – como o próprio restaurante, aliás: foi testando, sentindo, acertando e repetindo que o restaurante se consolidou, conta Igor.
O menu de Igor é pensado como um percurso. Tanto na versão longa (R$ 410 ou R$ 730 com harmonização), quanto na curta (R$ 320 ou R$ 600 com harmonização), a sequência se cria a partir de snacks, seguidos de pães feitos na casa, pratos principais – três deles, independente da opção –, encerrando com sobremesa e seus já tradicionais bombons.
Em cada etapa, inspirações se mesclam à própria jornada do chef, seja combinando elementos de mar e terra à comida de boteco, seja na releitura da carne de onça, crudo curitibano com status de culto.
No menu, atualmente, brilham combinações como um tartar de peixe com chuchu e nata; além do crustadit de cerveja com tofu e tomate seco.
Entre os principais, há sempre uma massa (como a que nasceu da lua de mel na Ásia, recheada de creme de milho, com dashi de frango e tartar de camarão), um peixe e uma carne.
Depois, chegam os pães, todos feitos ali, elemento essencial em ambos os roteiros, para então abrir espaço a três pratos principais que equilibram massa, peixe e carne em releituras criativas. As sobremesas fecham a experiência em três tempos.

Para o chef, a base de qualquer cozinha está no frescor e na qualidade dos produtos. Ele defende os princípios do slow food e mantém relação próxima com fornecedores. “Não existe atalho. O produto precisa ser o mais fresco possível”, afirma, citando, por exemplo, as ostras vindas direto da Ilha de Florianópolis e servidas ali com seu toque Igor, combinadas a um sorvete de pimenta-de-cheiro.
Em 2025, Igor – o chef e o restaurante – já virou um sinônimo de inovação na culinária curitibana. E ganhou projeção nacional: sua casa figura entre os 100 melhores restaurantes do Brasil segundo a Exame, ocupando a 28ª posição no ranking.
“O segredo do sucesso é estar presente, acompanhando cada detalhe”, diz o criador. Presença e profissionalismo, no caso, são qualidades que não requerem inovação.

Mas o menu, sim: atualmente, Igor já estuda as ideias para o próximo menu, que deve ser revelado ao público ainda este ano. E, se Marquesini faz suspense sobre o que devemos encontrar no prato em poucos meses, seu histórico garante que devem ser pratos, novamente, cercados de inquietude, autoralidade e profunda conexão com o território que o inspira.
Rua Gutemberg, 151 – Batel, Curitiba
(41) 3014-0906 / @restauranteigor
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