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Segundo o ranking da Forbes, o time alcançou esse valor em meio a um cenário de rápida valorização da Fórmula 1, após passado de prejuízo
Após o GP de Las Vegas, que aconteceu na madrugada do último domingo (23), a temporada 2025 da categoria máxima do automobilismo está chegando ao fim, novamente sob os holofotes. Aliás, a Fórmula 1 tem mais valor do que nunca, como aponta a lista das equipes mais valiosas do grid em 2025, publicada na última quinta-feira (20) pela Forbes. O vencedor do 1º lugar é ninguém menos que a Ferrari, valendo US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 35 bilhões).
“Na Fórmula 1, antes você tinha um ativo que era como certos times de beisebol — eles perdiam muito dinheiro todo ano”, diz um especialista da categoria à Forbes. “Agora você tem um ativo que, se eu comparasse os times médios da MLB, NBA, NHL e NFL [ligas esportivas americanas], o mais próximo seria a NFL [de futebol americano]. Então, agora você tem um ativo [na Fórmula 1] que é estruturalmente lucrativo. É incrível.”
De acordo com a Forbes, hoje, todas as dez equipes da Fórmula 1 valem pelo menos US$ 1,5 bilhão (em torno de R$ 8 bilhões) cada, um patamar que, há dois anos, só quatro delas alcançaram. Em média, o valor de mercado desses times chegou a US$ 3,6 bilhões (aproximadamente R$ 19,44 bilhões), o que representa um aumento de 89% em relação a 2023.
“Esse aumento reflete a velocidade dos negócios na Fórmula 1, com a receita média das dez equipes atingindo um valor estimado de US$ 430 milhões no ano passado e dando continuidade a uma sequência de vários anos com taxas de crescimento anual composto de dois dígitos”, descreve o veículo.
A Forbes calcula o valor das equipes como uma estimativa de “enterprise value”, ou seja, qual seria o preço aproximado dessa equipe se ela fosse vendida hoje para um investidor no mercado.
Para chegar a esse número, o veículo coleta dados de documentos públicos e privados, conversas com executivos, banqueiros e investidores, além de considerar dívidas e reconstruir receita e lucro. Isso inclui, por exemplo, ganhos com direitos de transmissão globais e locais, patrocínios, hospitalidade, licenciamento, entre outros. As estimativas são feitas a partir de um múltiplo da receita recente, calibrado com base em transações reais e negociações de participação em equipes.
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No caso da Fórmula 1 em 2025, a Forbes aplicou um múltiplo em torno de 8 vezes a receita média do último ano para cada equipe. Este índice representa um aumento em relação a 2019 e a 2023, quando a revista considerou, respectivamente 2,3x e 4,9x.
“É um aumento enorme nas avaliações, mas é o que está acontecendo”, diz um investidor da Fórmula 1. “Em algum momento, você precisa simplesmente aceitar a realidade.”
Valendo US$ 6,5 bilhões, no top 1, a Ferrari é a “joia da coroa” do grid do ponto de vista de valor de mercado.
A revista atribuiu essa liderança ao peso histórico e simbólico da Ferrari na F1. A equipe é a mais antiga, tem 16 títulos mundiais de construtores (campeonatos de equipes da F1), presença contínua desde o início do campeonato e uma marca global que transcende o resultado esportivo recente.

Curiosamente, a Ferrari não conquista um título do mundial de pilotos desde 2008. Mesmo assim, mantém enorme apelo comercial, de torcida e de patrocínios, o que sustenta uma avaliação mais alta que a das rivais. Na temporada 2025, o piloto mais vitorioso da Fórmula 1, segundo a Forbes, Lewis Hamilton, fez sua estreia correndo na equipe.
Valendo US$ 6 bilhões, a Mercedes ocupa o 2º lugar no ranking. Sua receita da Mercedes, de US$ 799 milhões em 2024, a melhor da categoria, como aponta a revista, a coloca em décimo lugar entre as equipes esportivas do mundo no mesmo período.
Nesta temporada a equipe trocou Lewis Hamilton por uma dupla jovem com George Russell e Kimi Antonelli. A aposta tem funcionado, uma vez que Russell está em 4º e Antonelli em 7º no Mundial de Pilotos, logo atrás do próprio Hamilton. Prestes a fechar um contrato plurianual de Fornecimento de equipamento com a Adidas, ela segue atraente para patrocinadores, a ponto de fechar.

Já a McLaren, com valor de US$ 4,4 bilhões (em torno de R$ 23,8 bilhões) figura no 3º lugar, saindo de um prejuízo de US$ 137 milhões em 2018 para um lucro operacional de US$ 61 milhões em 2024.
Em setembro, como aponta a Forbes, os proprietários da McLaren Racing (grupo que inclui a equipe McLaren de Fórmula 1) compraram as ações dos acionistas minoritários por um valor aproximado de US$ 4,5 bilhões, ou 6,4 vezes a receita do grupo em 2024. O veículo estima que a equipe de F1 sozinha represente US$ 4,4 bilhões desse valor.
A McLaren voltou ao topo da F1 como bicampeã seguida de construtores, com Lando Norris muito perto de ganhar também o título de pilotos nesta temporada. Ao mesmo tempo, de acordo com o Finance Monthly, o negócio decolou sob o comando de Zak Brown. Sua gestão atraiu gigantes patrocinadores como Google, Cisco, e Mastercard, redesenhando o modelo de negócios da equipe. Segundo a Forbes, ele fez isso oferecendo pacotes sob medida para cada marca, com exposição em várias frentes e ativações com fãs.

Veja, a seguir, a lista completa das equipes mais valiosas da F1 em 2025, segundo a Forbes. Os valores em dólares foram convertidos aproximadamente para reais com a cotação de 24 de novembro de 2025.
Entre os anos 2000 e 2010, como aponta a One Stop Racing, especialmente até meados da década de 2010, era comum que equipes médias e pequenas operassem no vermelho. Isso por dependerem do bolso dos donos ou de resgates de novos investidores.
De acordo com a Forbes, a valorização acelerada dos times da Fórmula 1 está relacionada à mudança na rentabilidade. Isso desde a implementação do teto de custos em 2021. Com esse sistema, passou a haver um limite de quanto cada time poderia gastar no desenvolvimento e na construção dos seus carros.
Naquela temporada, o valor era de US$ 145 milhões. O objetivo era equilibrar a competição após a corrida para se ter um carro melhor que o dos rivais fazer os orçamentos anuais das principais equipes ultrapassarem os US$ 400 milhões antes do teto.
Segundo as estimativas da Forbes, seis equipes da F1 já tiveram lucro no último ano. Já as demais estão perto deste resultado, dependendo basicamente de fechar mais alguns patrocínios.
Segundo a Forbes, mesmo em meio ao cenário positivo, há certo ceticismo em relação à valorização dos times da Fórmula 1. Embora alto, o múltiplo estipulado está abaixo das médias da NFL (10,7x) e da NBA (12,9x), por exemplo.
Uma das explicações é que os donos de equipes de Fórmula 1 não controlam a categoria nem sua propriedade intelectual. Isso porque a Liberty Media Corporation é dona da F1 desde 2017.
De acordo com a Forbes, a maioria dos especialistas no esporte também reconhece que, embora a categoria esteja preparada para um crescimento contínuo, ele não será tão rápido quanto nos últimos anos. Isso levará “alguns investidores a questionarem se as equipes estão supervalorizadas no momento”, descreve o veículo.
A revista afirma que as equipes na metade inferior da lista ainda não justificam suas altas avaliações. Além disso, suas operações comerciais podem levar anos para se tornarem lucrativas. Especialmente, ao levar em conta o teto de custos previsto para subir para US$ 215 milhões (em torno de R$ 1 bilhão) na próxima temporada.
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