Na ONU, Lula defende a soberania do Brasil e critica tarifas dos EUA, enquanto Trump adota tom amistoso e cita “química” com o presidente brasileiro
Em sua fala, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que o mundo assiste à consolidação de uma "desordem internacional" e que a autoridade da ONU está "em xeque"

O Brasil deu o pontapé inicial na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (23), com o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A fala do chefe do Executivo brasileiro abordou a defesa da democracia e da soberania, com críticas às tarifas unilaterais dos EUA e ao que chamou de aumento do autoritarismo internacional.
Em sua fala, Lula afirmou que o mundo assiste à consolidação de uma "desordem internacional" e que a autoridade da ONU está "em xeque".
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O presidente destacou a resistência do Brasil em defender sua democracia, reconquistada há 40 anos, mesmo "sob ataques sem precedentes". Segundo ele, a soberania brasileira é "inegociável".
O pronunciamento de Lula ocorreu pouco antes do discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, que, apesar de também adotar um tom firme em relação às tarifas, elogiou o líder brasileiro.
Lula ressalta a defesa da democracia e do Judiciário
Um dos pilares do discurso de Lula na Assembleia-Geral da ONU foi a defesa das instituições brasileiras, com críticas diretas às tentativas de ingerência externa.
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"A agressão contra a independência do poder Judiciário é inaceitável", afirmou, atribuindo a interferência a uma "extrema-direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias", sem especificar a quem se referia.
“Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade”, afirmou.
Lula afirmou que, pela primeira vez na história do Brasil, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito, em referência à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O processo garantiu amplo direito de defesa aos acusados, de acordo com Lula.
“Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos autocratas e àqueles que os apoiam. Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis. Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela. Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral. Seu vigor pressupõe a redução das desigualdades, a garantia dos direitos mais elementares.”
Críticas às tarifas
As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil foram o alvo central do discurso do presidente Lula.
Segundo ele, as tarifas de 50% aplicadas a produtos brasileiros pelos EUA são parte de tentativas de interferência no Judiciário brasileiro.
Sanções arbitrárias e intervenções unilaterais "estão se tornando regra", ameaçando os ideais que inspiraram a criação da ONU, de acordo com Lula.
Outro ponto abordado no pronunciamento foi a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O mecanismo é usado pelos EUA para punir supostos violadores de direitos humanos, bloqueando bens e empresas em território norte-americano. Essa justificativa foi a utilizada para a aplicação ao ministro, relator do processo contra Bolsonaro no STF por tentativa de golpe de Estado.
Na última segunda-feira (22), a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, também foi sancionada pela legislação norte-americana.
O discurso de Trump
Por sua vez, o presidente dos EUA, Donald Trump, adotou um tom amistoso ao falar de seu homólogo brasileiro em seu pronunciamento na ONU.
O republicano afirmou que as tarifas aplicadas contra o Brasil e outros países são uma questão de defesa da soberania e da segurança dos EUA contra aqueles que “tiraram vantagens por décadas”, durante os governos que o antecederam.
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“Encontrei o líder do Brasil ao entrar aqui e falei com ele. Nos abraçamos. As pessoas não acreditaram nisso. Nós concordamos que devemos nos encontrar na próxima semana”, disse Trump.
Ele acrescentou que Lula “parece ser um homem muito agradável”.
“Eu gosto dele e ele gosta de mim. E eu gosto de fazer negócios com pessoas de que eu gosto. Quando eu não gosto de uma pessoa, eu não gosto. Mas tivemos, ali, esses 30 segundos. Foi uma coisa muito rápida, mas foi uma química excelente. Isso foi um bom sinal.”
Para Trump, o Brasil aplicava tarifas aos EUA “de uma forma muito injusta”, o que levou seu país a retaliar com a sobretaxa de 50% contra alguns produtos brasileiros.
“Fiz isso porque, como presidente, eu defendo a soberania e os direitos dos cidadãos norte-americanos”, afirmou.
O Brasil, segundo Trump, estaria “indo mal” ao cobrar “tarifas imensas e injustas” dos produtos norte-americanos, além de interferir nos direitos e na liberdade de cidadãos americanos e de outros países "com censura, repressão e com o uso do sistema judicial como arma".
O republicano também afirmou que o Brasil poderá “se dar bem” caso trabalhe de forma conjunta com os EUA. “Sem a gente, eles vão falhar, como outros falharam”, acrescentou.
*Com informações da Agência Brasil
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