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Enquanto o republicano anunciava investimentos bilionários em inteligência artificial, Elon Musk dava dor de cabeça com comentários sobre o projeto Stargate
O fuso-horário não ajuda. Muitos dos anúncios destes primeiros dias do regresso de Donald Trump à Casa Branca chegam a nós quando já é tarde da noite, quando não madrugada do dia seguinte. Então às vezes é necessário voltar um pouquinho no tempo.
Tudo isso para informar que a medida de mais impacto do segundo dia do segundo mandato de Trump como presidente dos Estados Unidos tem a China como alvo. Mas calma! Não tem nada a ver com guerra comercial. Ainda.
Durante décadas, os chineses precisaram correr atrás do Ocidente para desfazer a imensa defasagem tecnológica derivada do chamado “século de humilhação” (1840-1940).
Agora, quem precisa se esforçar para promover um catch-up tecnológico em relação à China é o Ocidente. É nesse contexto que precisa ser lido o anúncio de investimentos multibilionários em inteligência artificial feito pela Casa Branca no fim da noite de terça-feira (21).
Trump qualificou o “Stargate” como, “de longe, o maior projeto de inteligência artificial da história”. Para não deixar dúvidas, ele enfatizou: “a China é um concorrente”.
O presidente norte-americano anunciou a liberação imediata de US$ 100 bilhões para iniciar o Projeto Stargate. Mais US$ 400 bilhões serão liberados nos próximos quatro anos.
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Atuarão em parceria com a Casa Branca a OpenAI (criadora do ChatGPT), a Oracle (do bilionário Larry Ellison), o Softbank (banco japonês conhecido pelos investimentos em tecnologia) e o MGX (braço do fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos dedicado ao setor tecnológico).
De fato, nenhum outro projeto de inteligência artificial no mundo alcança as cifras prometidas ao Projeto Stargate.
No entanto, os obstáculos a um avanço no tempo prometido não são poucos.
Relatório recente da consultoria McKinsey indica que a demanda global por datacenters vai mais do que triplicar até 2030.
Para dar conta dessa demanda, a capacidade instalada em todo o mundo precisaria crescer nos próximos seis anos pelo menos o dobro do que foi efetivamente construído entre 2000 e 2024.
Tudo isso sem contar a disponibilidade de terrenos e a imensa demanda energética dos datacenters.
De qualquer modo, não é de se esperar que a China fique parada enquanto os EUA investem.
O investimento bilionário em IA também foi assunto na Casa Branca nesta quarta-feira (22) — mas, dessa vez, não por um bom motivo.
A porta-voz Karoline Leavitt precisou minimizar o comentário de Elon Musk sugerindo que os investidores não têm dinheiro para financiar o Stargate.
Durante uma entrevista na Fox News, o bilionário — que foi escolhido por Trump para ser seu conselheiro sobre corte de gastos federais — repetidamente jogou água fria no projeto.
"O presidente Trump está muito animado com este anúncio de infraestrutura no campo da IA, que é dos Estados Unidos em crescimento e precisa capitalizar sobre isso porque adversários como a China são muito avançados no campo", Leavitt se esquivando quando questionada sobre a reação de Trump especificamente aos comentários de Musk.
Sem citar o bilionário nominalmente, a porta-voz disse que o povo norte-americano deve confiar na palavra do presidente.
"O povo deve acreditar nas palavras do presidente Trump e dos CEOs. Esses investimentos estão chegando ao nosso grande país e empregos estão chegando com eles", disse ela.
A declaração de Musk também trouxe um (antigo?) desafeto à tona. Sam Altman, da OpenIA, usou o X para contestar a afirmação do bilionário, classificando-a de incorreta e sugerindo que ele estava irritado porque o acordo poderia rivalizar com os próprios esforços de inteligência artificial de Musk.

Outrora amigos e parceiros, Musk e Altman hoje são rivais. Após uma série de desentendimentos sobre o caminho da OpenAI, seu financiamento e sua liderança, Musk deixou a OpenAI e suspendeu as doações para a empresa em 2018, além de processar a empresa e o próprio Altman.
Com o comentário sobre o investimento bilionário, o balde de água fria de Musk pode não ter sido jogado (apenas) em Trump.
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