A lanterna dos afogados: as 25 ações para comprar depois do caos, segundo o Itaú BBA
Da construção civil ao agro, analistas revelam onde ainda há valor escondido

O dilúvio que inundou os mercados com gráficos vermelhos em ações no mundo inteiro ao longo da última semana certamente deixará uma marca na história. Mas, para o Itaú BBA, “há um cais no porto para quem precisa chegar”.
Em um relatório o banco destaca 25 papéis brasileiros que restaram na lanterna dos afogados: bons retornos, crescimento expressivo, dividend yield atraente, fundamentos sólidos e volatilidade sob controle.
Ainda por cima estão baratos. Como diriam os Paralamas do sucesso: “estão te esperando, vê se não vai demorar”.
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São tantas marcas que já fazem parte do que eu sou agora
Apesar de o Ibovespa ter sido um dos pouquíssimos índices acionários do mundo a sobreviver na última semana, a volatilidade que se espalhou pelo globo com a escalada da guerra comercial dos EUA deixou “marcas que já fazem parte do que essas ações são agora”.
Assim, o time dos analistas do Itaú BBA se reuniu em um esforço para entender quais ações estão em um bom momento de compra agora. A lista contém vários setores da bolsa. Veja abaixo:
| Setor | Ações (Ticker) |
| Agronegócio | 3tentos (TTEN3), SLC Agrícola (SLCE3) |
| Alimentos | JBS (JBSS3) |
| Bancos e Serviços Financeiros | BTG Pactual (BPAC11), Banco Inter (INTR) |
| Consumo e Varejo | Mercado Livre (MELI), Grupo Mateus (GMAT3), C&A (CEAB3) |
| Saúde | Rede D’Or (RDOR3) |
| Educação | Yduqs (YDUQ3) |
| Petróleo e Gás | Petrobras (PETR4), PRIO (PRIO3) |
| Energia | Vibra Energia (VBBR3) |
| Celulose | Suzano (SUZB3) |
| Mineração | Vale (VALE3) |
| Siderurgia | Aura Minerals (AURA33) |
| Construção e Imobiliário | Direcional (DIRR3), Cury (CURY3) |
| Transportes e Bens de Capital | Localiza (RENT3) |
| Tecnologia | Vtex (VTEX) |
| Telecomunicações | Tim (TIMS3) |
| Utilities e Saneamento | Equatorial (EQTL3), Sabesp (SBSP3), Eletrobras (ELET3), Orizon (ORVR3) |
Vamos às teses por trás de algumas delas, de acordo com o relatório do Itaú BBA.
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As 25 ações para comprar na bolsa agora
Começando pelos pesos pesados da bolsa: Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4).
| Métrica | Vale (VALE3) | Petrobras (PETR4) |
| Preço-Alvo (R$) | 75.00 | 49.00 |
| Upside (%) | 45% | 47% |
| P/L 2025 | 5.1x | 3.6x |
| EV/EBITDA 2025 | 3.5x | 3.0x |
| Dividend Yield 2025 | 9% | 14.5% |
A Vale (VALE3) foi uma das ações que mais sofreu com a volatilidade na semana que se encerra.
No entanto, o Itaú BBA avalia que a companhia vive um momento mais claro e positivo, após resolver pontos-chave que pesavam sobre suas ações, como a sucessão do CEO, o novo acordo do caso Mariana e a renovação das concessões ferroviárias. Para os analistas, a ação está barata.
Do lado operacional, a companhia mostra avanço: a produção em 2024 atingiu 328 milhões de toneladas — o maior volume desde 2019 e acima da própria meta.
Para 2025, a Vale projeta reduzir ainda mais o custo direto de produção por tonelada de minério de ferro (C1), com queda estimada de US$ 1 por tonelada.
Apesar disso, os analistas mantêm um pézinho atrás: “temos uma visão estruturalmente cautelosa para o setor de mineração, diante da desaceleração esperada na produção de aço na China nos próximos anos e do início de novos projetos”.
Mas o Itaú BBA avalia que a Vale deve se beneficiar do cenário global de exaustão de reservas minerais e do movimento por ativos de maior qualidade, impulsionado pelas metas de descarbonização.
Segundo o banco, os desafios de oferta no setor — como o esgotamento de minas, licenciamento complexo e necessidade de preços mais altos para novos projetos — tendem a favorecer empresas eficientes e com grandes reservas, como a mineradora brasileira.
Sobre a Petrobras (PETR4), a ação que mais caiu no Ibovespa na última semana, a visão é: a empresa oferece uma combinação de fundamentos sólidos e governança fortalecida, reunindo uma trajetória de crescimento — algo raro entre as petroleiras — com risco mitigado na alocação de capital, como estouros significativos de capex.
“Se a companhia mantiver sua política de dividendos inalterada, o dividend yield poderá continuar em dois dígitos mesmo no cenário atual de preços mais baixos do petróleo — o que pode funcionar como uma proteção em um ambiente de deterioração”, destaca o relatório.
Veja os principais riscos de cada uma abaixo:
| Empresa | Risco Potencial |
| Petrobras | Possível mudança na política de dividendos |
| Sensibilidade aos preços do petróleo, que estão em queda | |
| Vale | Desaceleração esperada na produção de aço na China |
| Início de novos projetos globais de mineração pode aumentar a oferta |
Bancos: BTG Pactual (BPAC11)
O BTG Pactual (BPAC11) é a principal aposta dos analistas quando o assunto é exposição aos mercados de capitais.
Mesmo em um cenário desafiador, o banco tem conseguido manter uma rentabilidade sólida, com expectativa de lucro de R$ 14,2 bilhões em 2025 — uma alta de 14% em relação ao ano anterior — e retorno sobre patrimônio (ROE) de 24%.
Para os analistas, o BTG se consolidou como uma ação financeira "para todas as estações", graças à diversificação de seus negócios.
Apesar do ambiente macroeconômico pressionado, o banco é o único do setor com projeções de lucro revisadas para cima no horizonte de 12 meses.
Os riscos ligados ao crédito corporativo ainda existem, mas vêm sendo compensados por uma maior cobertura de provisões e por um histórico positivo de recuperação.
Além disso, a estratégia de conquistar mercado com produtos novos e ofertas agressivas deve seguir fortalecendo o papel do BTG no ecossistema financeiro da América Latina.
Veja possíveis riscos:
| Empresa | Risco Potencial |
| BTG Pactual | Deterioração da qualidade de crédito das empresas devido ao cenário macroeconômico |
| Desaceleração nas atividades dos mercados de capitais | |
| Movimentos desfavoráveis na curva de juros | |
| Pressões sobre spreads no mercado de dívida corporativa |
Agro: 3tentos (TTEN3) e SLC Agrícola (SLCE3)
| Ação | Preço-Alvo (R$) | Upside (%) | P/L 2025 | EV/EBITDA 2025 | Dividend Yield 2025 |
| 3tentos (TTEN3) | 18 | 26 | 10.8x | 7.4x | 1.6% |
| SLC Agrícola (SLCE3) | 25 | 33 | 9.8x | 4.9x | 3.5% |
Enquanto grande parte do setor do agronegócio enfrenta um momento fraco devido aos preços baixos das commodities, a plataforma integrada e única da 3tentos (TTEN3) pode compensar parcialmente essa desaceleração em alguns subsegmentos do setor.
Essa plataforma combina: lojas de varejo nos estados do Rio Grande do Sul (RS) e Mato Grosso (MT), operações de esmagamento de soja e uma divisão de trading (comercialização de grãos).
Além disso, a empresa possui mais de 70 unidades comerciais, 3 parques industriais, 2 centros de pesquisa tecnológica, 2 unidades de beneficiamento de sementes e 1 unidade de mistura de fertilizantes.
Os analistas do banco preveem mais um ano de margens pressionadas no agronegócio, mas acreditam que o aumento de volume com novas lojas e o ganho de mercado no Mato Grosso podem compensar os preços baixos dos insumos.
O Itaú BBA avalia que a 3tentos está sendo negociada a 11 vezes o lucro estimado para 2025, um múltiplo considerado alto diante do cenário macro.
Ainda assim, os analistas projetam que esse valor caia para 8 vezes em 2026, principalmente impulsionado por um crescimento médio anual de 30% no lucro por ação.
Sobre SLC Agrícola (SLCE3), o Itaú BBA avalia que a SLC Agrícola é uma geradora consistente de valor dentro do agronegócio brasileiro, o que sustenta sua estratégia de longo prazo.
No entanto, os analistas apontam uma forte correlação entre as ações da companhia SLCE3 e os preços da soja, atualmente sem gatilhos de curto prazo.
O relatório destaca que os recentes anúncios de investimentos em expansão resultaram em reação negativa do mercado, mas o banco reforça sua confiança na estratégia da SLC de adquirir ou arrendar terras em momentos de fraqueza do setor.
O banco também chama atenção para as recentes mudanças no comércio global e afirma que os exportadores brasileiros de grãos podem se beneficiar, ganhando participação relativa no mercado internacional.
A maior demanda por grãos brasileiros pode elevar o prêmio de preços em relação à Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT na sigla em inglês), conhecida pela negociação de commodities agrícolas, o que seria um possível gatilho para SLCE3.
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Veja os riscos potenciais para cada uma das ações, na visão do Itaú BBA:
| Empresa | Risco Potencial |
| SLC Agrícola | Alta correlação com os preços da soja, que carecem de gatilhos de curto prazo |
| Reação negativa do mercado a investimentos em expansão | |
| Adoção de tarifas retaliatórias no comércio global pode afetar exportações | |
| 3tentos | Atraso na implementação do mandato de mistura de biodiesel |
| Participação cautelosa no segmento de etanol de milho ainda gera incertezas | |
| Potencial redução do mandato de biodiesel poderia impactar negativamente o setor |
Alimentação: por que comprar as ações da JBS (JBSS3)
| Métrica | JBS (JBSS3) |
| Preço-Alvo (R$) | 51.00 |
| Upside (%) | 23% |
| P/L 2025 | 7.5x |
| EV/EBITDA 2025 | 4.8x |
| Dividend Yield 2025 | 7.5% |
A JBS conta com um portfólio diversificado que, segundo o Itaú BBA, representa uma vantagem competitiva importante diante da natureza cíclica do mercado de commodities. A atuação em diferentes países também contribui para reduzir a volatilidade das margens da companhia.
Em destaque recente, o plano de listagem da JBS nos Estados Unidos pode ajudar a diminuir a diferença de valuation em relação aos concorrentes globais, além de favorecer a percepção de governança corporativa e reduzir custos de financiamento.
O banco também destaca a solidez do balanço da empresa, com controle de despesas e geração de caixa robusta mesmo em cenários adversos.
Veja os riscos:
| Empresa | Risco Potencial |
| JBS | Mudança nas expectativas sobre a listagem nos EUA pode impactar negativamente o preço da ação |
| Ambiente macroeconômico adverso no Brasil pode afetar os resultados | |
| Desvalorização do real pode influenciar os números consolidados | |
| Possível desinvestimento do BNDES continua sendo um fator de pressão sobre o papel |
Varejo: Mercado Livre (MELI34)
| Métrica | Mercado Livre (MELI) |
| Preço-Alvo (US$) | 2.282 |
| Upside (%) | 30% |
| P/L 2025 | 29.2x |
| EV/EBITDA 2025 | 15.6x |
| Dividend Yield 2025 | 0.0% |
O Itaú BBA destaca o forte posicionamento do Mercado Livre como líder do e-commerce na América Latina, impulsionado pelo pioneirismo e por uma rede logística em expansão.
A empresa está bem posicionada para acelerar a migração do varejo físico para o digital na região, que ainda tem baixa penetração online.
Segundo o banco, há alavancas claras para aumento de rentabilidade, como maior penetração de anúncios, monetização de serviços logísticos e diluição de custos operacionais com ganho de escala.
O relatório também ressalta o crescimento acelerado do Mercado Pago, braço financeiro do grupo, que amplia sua oferta de produtos e se beneficia de um ciclo virtuoso: o avanço do e-commerce alimenta o uso da fintech, e vice-versa, reforçando a fidelização dos clientes e reduzindo os custos de aquisição.
Veja os riscos:
| Empresa | Risco Potencial |
| Mercado Livre | Concorrência crescente no e-commerce (principalmente com Shopee) e pagamentos digitais pode pressionar margens |
| Aumento de investimentos pode reduzir geração de caixa no curto prazo | |
| Valuation elevado em relação a pares pode aumentar sensibilidade a revisões de lucro |
Abaixo, você confere a tabela completa com motivos por trás da recomendação de cada uma das ações e o potencial de alta projetado para elas:
| Ação (Ticker) | Upside (%) | Principais Fatores Favoráveis |
| Aura Minerals (AURA33) | 66% | Exposição a ouro e cobre, ativos em regiões estáveis, forte geração de caixa |
| Banco Inter (INTR) | 41% | Potencial de valorização com ganho de escala e crescimento da carteira de crédito |
| C&A (CEAB3) | 54% | Melhoria de margens, expansão digital e ganho de eficiência operacional |
| Cury (CURY3) | 45% | Forte execução, atuação no MCMV com alta rentabilidade e bom retorno sobre capital |
| Direcional (DIRR3) | 28% | Crescimento consistente no segmento popular com fundamentos sólidos |
| Eletrobras (ELET3) | 32% | Melhoria operacional com sinergias e reestruturação em andamento |
| Equatorial (EQTL3) | 50% | Disciplina financeira e expansão via M&A com histórico positivo de integração |
| Grupo Mateus (GMAT3) | 31% | Crescimento acelerado no Nordeste e ganho de market share |
| Localiza (RENT3) | 35% | Liderança no setor de locação com sinergias e escala após fusões |
| Orizon (ORVR3) | 34% | Exposição a economia circular, crescimento com rentabilidade e inovação |
| PRIO (PRIO3) | 60% | Alta geração de caixa com alavancagem operacional em petróleo premium |
| Rede D’Or (RDOR3) | 35% | Recuperação de margens e expansão de serviços de saúde integrados |
| Sabesp (SBSP3) | 28% | Benefícios esperados com privatização e maior eficiência operacional |
| Suzano (SUZB3) | 25% | Exposição à celulose com forte geração de caixa e disciplina financeira |
| Tim (TIMS3) | 29% | Revisão de receitas para cima, alto dividend yield e eficiência operacional |
| Vibra Energia (VBBR3) | 37% | Reestruturação concluída, com foco em rentabilidade e disciplina de capital |
| Vtex (VTEX) | 34% | Crescimento global do e-commerce B2B com expansão de margens |
| Yduqs (YDUQ3) | 44% | Expansão no ensino híbrido e ganho de escala com foco em rentabilidade |
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