Sobrou até para o TikTok e a Jaguar Land Rover: As reações dos países atingidos pelas tarifas de Trump neste fim de semana
Mais de 50 países entraram em contato com a Casa Branca para negociar, mas parceiros comerciais também anunciaram retaliações à medida de Trump

O anúncio das chamadas tarifas recíprocas de Donald Trump ainda não completou nem uma semana e os países atingidos pela guerra comercial do presidente dos EUA já começam a se articular.
Segundo funcionários do alto escalão do governo norte-americano, mais de 50 países alvos das novas taxas entraram em contato com a Casa Branca para iniciar as negociações sobre os impostos.
Porém, não são apenas acordos que estão sendo colocados na mesa: os parceiros comerciais dos EUA também anunciaram retaliações à medida de Trump.
Enquanto Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel — que está entre os países taxados em 17% —, visitará a Casa Branca amanhã (7), a União Europeia se prepara para apresentar uma frente unida contra as tarifas.
O bloco deve apresentar um conjunto de contramedidas direcionadas a até US$ 28 bilhões em importações de produtos norte-americanos, de fio dental a diamantes.
Os 27 países europeus enfrentam tarifas de 25% sobre aço, alumínio e automóveis. Além disso, a partir de quarta-feira (9), a União Europeia será alvo de sobretaxa individualizada de 20%, que atinge quase todos os outros produtos do bloco.
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Vale lembrar que a China e o Canadá também anunciaram medidas de retaliação. O Seu Dinheiro contou os detalhes da resposta do Gigante Asiático e da reação do Canadá em relação às taxações.
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TikTok no meio do fogo cruzado de Trump
O tarifaço de Trump está deixando o TikTok no meio do fogo cruzado dos EUA e China. Na última sexta-feira (4), o republicano estendeu o prazo para que a empresa chinesa ByteDance, dona do aplicativo, venda as operações no país. O adiamento, apesar de parecer apenas negociações entre o governo e a companhia, está relacionado à reação do Gigante Asiático.
Após voltar à Casa Branca, Trump havia estabelecido que a ByteDance teria até 5 de abril — ou seja, este sábado — para realizar a operação. Agora, o presidente norte-americano estendeu o prazo em 75 dias.
Segundo o republicano, o governo dos EUA já fez um "tremendo" progresso em relação às negociações, mas o acordo exige mais trabalho para garantir que "todas as aprovações necessárias sejam assinadas".
Porém, Trump também usou seu trunfo para adicionar pressão na operação: as tarifas recíprocas. Ele afirmou que estaria disposto a reduzir as taxas sobre a China para conseguir um acordo com a ByteDance, segundo a Reuters.
Através de publicação na rede social Truth Social, Trump falou sobre o acordo com a companhia chinesa e chegou a comentar sobre o clima de tensão entre as duas potências.
"Esperamos continuar trabalhando de boa fé com a China, que, pelo que sei, não está muito satisfeita com nossas tarifas recíprocas (necessárias para um comércio justo e equilibrado entre a China e os EUA!). Isso prova que as tarifas são a ferramenta econômica mais poderosa e muito importante para nossa segurança nacional!", disse.
O presidente ainda afirmou que o seu governo está em contato com quatro possíveis compradores da companhia. Ele também declarou que está ansioso para trabalhar com o TikTok e a China para fechar o acordo.
Quem parece não estar ansiosa é a China. Segundo a Reuters, a decisão sobre a venda das operações da ByteDance já teria sido praticamente finalizada na última quarta-feira (2), dia em que o republicano anunciou as taxações.
No entanto, o acordo teria sido suspenso depois que o governo de Xi Jinping indicou que não aprovaria o negócio como uma retaliação às tarifas recíprocas.
Segundo fontes, a transação iria dividir as operações da empresa nos EUA em uma nova companhia com sede no país e operada por uma maioria de investidores norte-americanos. Já a ByteDance manteria uma posição minoritária de menos de 20%.
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Sem Jaguar Land Rover nos EUA
A dona do TikTok não é a única empresa a lidar com as consequências do 'tarifaço' do republicano. A montadora britânica Jaguar Land Rover disse que vai interromper as remessas para os EUA por um mês enquanto avalia o impacto dos novos impostos sobre as importações de veículos.
No fim de março, Trump implementou uma tarifa de 25% sobre todos os carros estrangeiros importados para o país. Porém, o presidente norte-americano já indicou que não vai parar por aí: ele também afirmou que pretende aplicar taxas sobre algumas peças de automóveis até 3 de maio.
O mercado avalia que a guerra comercial terá um impacto profundo na indústria automobilística mundial, devido à alta globalização das cadeias de suprimentos e à forte dependência das operações de fabricação nos EUA.
Além disso, depois que as tarifas entrarem em vigor, as gigantes automobilísticas divulgaram planos para aumentar preços, impor taxas de importação, interromper a produção e até demitir funcionários.
Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que o governo reagiria com “cabeça fria e calma” às taxas de Trump. Ele também afirmou que negociações para fechar um possível acordo comercial com os EUA estavam em andamento.
Além da tarifa de 25% sobre exportações de carros e de produtos de aço e alumínio, o Reino Unido foi um dos muitos países a serem atingidos por uma taxa básica de importação de 10%.
Trump que se cuide: vem reação da UE por aí
Enquanto o Reino Unido busca negociar, a União Europeia organiza uma resposta à altura.
A Comissão Europeia, que coordena a política comercial da UE, vai propor aos membros no final da segunda-feira (7) uma lista de produtos norte-americanos a serem atingidos com taxas extras em resposta às tarifas de Trump.
A lista deverá incluir carne, cereais, vinho, madeira e roupas dos EUA, assim como goma de mascar, fio dental, aspiradores de pó e papel higiênico.
Um produto que recebeu mais atenção e expôs a discórdia no bloco foi o uísque. A Comissão estabeleceu uma tarifa de 50%, o que levou Trump a ameaçar com uma contra-tarifa de 200% sobre as bebidas alcoólicas da UE se o bloco for adiante.
Porém, a União Europeia, cuja economia depende fortemente do livre comércio, está empenhada em garantir que terá amplo apoio para qualquer resposta.
Opiniões divergentes: o que a UE vai fazer em relação às tarifas de Trump
Na segunda-feira (7), Luxemburgo sediará a primeira reunião política em todo bloco desde o anúncio do presidente dos EUA. Diplomatas da UE afirmaram que o principal objetivo do encontro será estabelecer uma mensagem unificada sobre o desejo de negociar com Washington.
No entanto, o comunicado também deverá deixar explícito a disposição de responder com contramedidas caso as negociações não aconteçam. Apesar disso, entre os membros da União Europeia, há opiniões divergentes sobre como o bloco deve reagir.
A França disse que a UE deveria trabalhar em um pacote que vai muito além das tarifas. O presidente francês Emmanuel Macron sugeriu que as empresas europeias deveriam suspender os investimentos nos EUA até que “as coisas sejam esclarecidas”.
Já a Irlanda, que tem quase um terço de suas exportações para o país norte-americano, pediu uma resposta “ponderada e comedida”.
A Itália, que tem um governo favorável a Trump e é o terceiro maior exportador da UE para os EUA, questionou se a UE deveria mesmo revidar.
Ainda assim, as contra-tarifas iniciais da União Europeia serão submetidas a uma votação na quarta-feira (9) e serão aprovadas. Isso porque, para barrar as medidas, seria necessário que uma maioria qualificada de 15 membros da UE, representando 65% da população do bloco, se opusesse a elas — o que é improvável.
As taxações devem entrar em vigor em duas etapas: uma parte menor será aplicada a partir de 15 de abril, enquanto o restante passará a valer um mês depois.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também vai realizar discussões separadas na segunda (7) e terça-feira (8) com os principais executivos dos setores siderúrgico, automotivo e farmacêutico do bloco para avaliar o impacto das tarifas e determinar o que fazer em seguida.
*Com informações do Estadão Conteúdo, MoneyTimes e CNBC.
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