Governo e bancos têm acordo para expandir crédito consignado, mas teto de juros incomoda Febraban
A proposta de teto de juros para crédito consignado vem na esteira do anúncio de uma nova modalidade, voltada para trabalhadores CLT e trabalhadores domésticos

O acesso ao crédito consignado vem sendo uma pauta importante para o governo atual, que chegou a criar uma plataforma para facilitar o acesso em 2024. Agora, em 2025, a gestão mira no juros: o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a criação de um teto para as taxas cobradas pelas instituições financeiras aos trabalhadores do setor privado.
A proposta vem junto com o anúncio de uma nova modalidade de empréstimo consignado para trabalhadores do regime de carteira assinada (CLT) e trabalhadores domésticos.
Após uma reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e CEOs de bancos, Lula afirmou que o governo chegou a um acordo com o setor para implementar o programa de crédito e que será “o maior do país”.
Já em relação ao teto para a taxa de juros na modalidade, Haddad afirmou que a medida ainda será discutida com o setor.
"O presidente deve chamar uma última reunião de governo para arbitrar os pequenos pontos que faltam ser incluídos", afirmou.
O governo defende que deve haver limites nesse tipo de crédito para evitar "abusos". Além disso, uma das ideias é ampliar o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia nas operações.
Leia Também
Fim da escala 6×1: nova regra pode sair do papel antes do segundo turno? Entenda em que pé está a votação
Porém Haddad ressaltou que a medida ainda será avaliada pelo presidente. "Isso (o nível dos juros) vai ser matéria deliberada pelo presidente (Luiz Inácio Lula da Silva) no encaminhamento", disse.
Vale lembrar que o crédito consignado é um empréstimo que tem as parcelas descontadas diretamente do salário ou benefício do devedor e oferece taxas de juros mais baixas.
A modalidade é uma das mais utilizadas no Brasil, especialmente por servidores públicos e aposentados e pensionistas do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS).
- LEIA MAIS: Alta da Selic abre oportunidade para buscar rendimentos acima de 19% ao ano, aponta corretora; entenda
Teto nos juros do crédito consignado: bancos não gostaram
Após o anúncio do ministro, representantes do setor se manifestaram contra a proposta.
O presidente da Febraban, Isaac Sidney, afirmou que a criação de um teto de juros pode gerar "disfuncionalidades" na competição entre as instituições.
Ele também disse que, quanto mais garantias forem oferecidas por parte do trabalhador, mais barato será o acesso ao crédito.
"Achamos que esse produto deveria nascer com liberdade do ponto de vista de taxas. Cabe ao governo decidir. Quanto mais os bancos puderem competir entre si para ofertar essa linha, significa dizer que o consumidor, o trabalhador, vai poder migrar do banco A para o banco B e para o banco C. O teto costuma gerar algumas disfuncionalidades na competição. Essa é a nossa tese, mas essa é uma decisão governamental", disse Sidney, reiterando que o mercado consegue se "autorregular".
O presidente da Febraban ainda afirmou que os bancos não reivindicaram uma ampliação na garantia do FGTS.
"Quanto mais garantia, mais barato é o crédito. Nós não estamos aqui necessariamente reivindicando a garantia do FGTS para essa linha. O que nós estamos aqui reivindicando é uma plataforma que possa ser provida com informações para análise do risco de crédito. Se tiver garantia, tanto melhor", disse.
Hoje, o trabalhador titular do fundo pode oferecer como garantia até 10% do saldo de sua conta vinculada ao FGTS - e, em caso de demissão, pode ser oferecida ainda a totalidade da multa de 40% que é paga pelo empregador no ato da dispensa.
Nos bastidores, integrantes do governo discutiam a possibilidade de ampliar esse porcentual do FGTS.
- E MAIS: Cenário macroeconômico brasileiro deve continuar desafiador em 2025 – onde investir para se proteger e buscar lucros? Veja o que dizem os especialistas neste e-book gratuito
Visões divergentes: a reunião de Lula e representantes dos bancos
As mudanças no consignado privado foram bem avaliadas pelas instituições financeiras, porém houve divergências em relação a alguns pontos da proposta.
Isso porque os bancos discordam da visão do governo de que o novo formato poderia substituir a antecipação do saque-aniversário do FGTS.
De acordo com os representantes do setor, o saque prejudica o FGTS ao reduzir recursos disponíveis para habitação e saneamento.
O Ministério do Trabalho também defende que a modalidade seja extinta, em conjunto com a criação do novo consignado privado.
Porém, segundo Haddad, a extinção do dispositivo não foi debatida no encontro de ontem (30).
O novo crédito consignado
O governo federal vai apresentar uma proposta legislativa para expandir a oferta de crédito consignado aos cerca de 42 milhões de trabalhadores CLT do setor privado e que têm dificuldade de acesso a este serviço financeiro.
A ideia é criar uma plataforma que permita aos bancos e instituições financeiras acessarem diretamente o perfil de crédito do profissional por meio do eSocial, o sistema eletrônico obrigatório que unifica informações trabalhistas.
A legislação atual já permite que trabalhadores com carteira assinada possam ter acesso a este tipo de empréstimo, descontado do salário. Porém, exige a assinatura de convênios entre empresas e bancos.
Assim, na prática, dificulta que pequenas e médias empresas – e muitas grandes empresas também – possam aderir ao modelo em larga escala.
Segundo Haddad, o produto vai provocar uma “pequena revolução” no crédito brasileiro.
“Você vai consignar no eSocial, que é algo que toda empresa hoje tem que aderir para fazer o recolhimento do que deve ao trabalhador. Então, o eSocial se transformou num veículo que permite o crédito consignado privado", disse o ministro.
*Com informações do Estadão Conteúdo e Agência Brasil
ESTÁ VALENDO
Primeiro dia sem bets e R$ 1,3 bilhão em saldo: o prazo para a restituição das apostas on-line começará a correr
6 de outubro de 2026 - 19:28SD EXPLICA
O Brasil vai dar calote na dívida pública? Entenda os riscos para os títulos públicos do Tesouro Direto
6 de outubro de 2026 - 11:41PISOU NO FREIO
Quer vender seu carro? Mercado de usados já não paga como antes — e exige atenção aos elétricos
6 de outubro de 2026 - 8:00DE OLHO NOS BOLETOS
Inquilino não pagou o condomínio? Saiba quem responde pela dívida e o que pode acontecer com o morador inadimplente
6 de outubro de 2026 - 6:01CORRIDA CONTRA O RELÓGIO
Tem dinheiro esquecido nas bets? Faltam poucas horas para sacar antes do fechamento das plataformas
5 de outubro de 2026 - 14:21NO RETROVISOR
Mega-Sena acumulada se aproxima dos R$ 100 milhões e cola de vez na +Milionária
5 de outubro de 2026 - 7:48ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: como fazer sua ‘colinha’ para votar? Veja a ordem dos candidatos na urna
4 de outubro de 2026 - 11:39LOTERIAS
Lotofácil premia aposta solitária de São Paulo em R$ 1,83 milhão; veja o que aconteceu com a Mega-Sena e outras loterias
4 de outubro de 2026 - 10:21GÁS RENOVADO
Gás do Povo outubro 2026: veja critérios e como receber gás grátis do governo
4 de outubro de 2026 - 5:13O QUE BOMBOU
Chinelo-mule polêmico da Havaianas, o que falta para a Hapvida se recuperar e o fim da greve da Caixa: veja as mais lidas da semana
3 de outubro de 2026 - 17:24VEJA COMO VOTAR
Seu Dinheiro é finalista do Prêmio +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças 2026; veja como votar
3 de outubro de 2026 - 10:00PARA OS ESTUDANTES
Pé-de-Meia outubro 2026: veja quem recebe a sétima parcela e as datas de depósito
3 de outubro de 2026 - 5:08MOMENTO PROMISSOR
Recuperação do setor de shoppings anima BB Investimentos; veja por que Allos (ALOS3) e Multiplan (MULT3) tiveram preços-alvo elevados
2 de outubro de 2026 - 19:00INDECISÃO?
Já não basta bater recorde para a Embraer (EMBJ3)? Entregas do terceiro trimestre dividem JP Morgan e Santander
2 de outubro de 2026 - 16:30DEPOIS DA QUEDA
A mulher por trás da farsa da Theranos quebra o silêncio: o que esperar do documentário que revela sua versão da história?
2 de outubro de 2026 - 14:07BOLA DIVIDIDA
Lotofácil 3794 posiciona 3 ganhadores a meio caminho do primeiro milhão de reais; Mega-Sena 3065 acumula e prêmio aumenta para R$ 82 milhões
2 de outubro de 2026 - 6:28OLHO NO CALENDÁRIO
INSS e BPC/LOAS outubro 2026: veja quando os benefícios serão depositados
2 de outubro de 2026 - 5:07O FUTURO DA BOLSA
Eleições 2026: o que pode levar o Ibovespa aos 248 mil pontos — ou derrubá-lo a 165 mil, segundo a XP
1 de outubro de 2026 - 19:50AÇÃO NO EXTERIOR