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Dani Alvarenga

Dani Alvarenga

Repórter de fundos imobiliários e finanças pessoais no Seu Dinheiro. Estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP).

POSICIONADO PARA ALTA

Dólar a R$ 4,50? UBS está otimista com Brasil e aposta no real — mas eleições e riscos fiscais podem pesar na conta

Em um cenário de redução de riscos fiscais, a avaliação do dólar frente ao real pode cair para cerca de R$ 4,50, segundo analistas

Dani Alvarenga
Dani Alvarenga
6 de outubro de 2025
12:46 - atualizado às 12:30
Bandeira do Brasil com moedas de real ao fundo
Bandeira do Brasil com moedas de real ao fundo. - Imagem: iStock

A disparada do Ibovespa neste ano — que já acumula alta de 19,88% em 2025 — traz junto uma pergunta que ecoa no mercado: até onde vai o bom-humor dos investidores com a bolsa brasileira? Apostar que o movimento é só “voo de galinha” pode custar caro. Na avaliação do UBS Global Research, a boa performance dos ativos brasileiros deve continuar — tanto em ações quanto no real.

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Segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (6), o banco mantém a recomendação de compra para os ativos do país. O UBS também destaca o real como a preferência entre as moedas da América Latina

Isso porque os analistas avaliam que o real está excessivamente desvalorizado, indicando um valor justo de R$ 5,10 frente ao dólar. Vale lembrar que, atualmente, o valor é de R$ 5,33.

Porém, em caso de queda dos riscos fiscais e resultados eleitorais favoráveis ao mercado, o UBS vê a cotação caindo ainda mais, ficando abaixo de R$ 5,00, a R$ 4,90 — e até a R$ 4,50, a depender do cenário local.

Além disso, o UBS indica que o carrego (carry) da moeda brasileira é de aproximadamente 9%, acima dos níveis de equilíbrio, sendo o mais alto entre os principais mercados emergentes.

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Outros destaques que impulsionam a valorização do real são o Balanço de Pagamentos (BoP), com o déficit em conta-corrente diminuindo, e a perspectiva de aumento do fluxo de capital no país. 

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“O Brasil está entre os poucos países da América Latina que registram crescimento nos volumes de exportação, com alta de 6% na comparação anual, sinalizando para potencial de ganhos estruturais no BoP”, afirmaram os analistas em relatório.

O real ainda pode ganhar uma mãozinha das terras raras. Segundo o UBS, o Brasil possui a terceira maior reserva de elementos de terras raras do mundo. “Embora as exportações ainda sejam pequenas, elas estão crescendo rápido”, disse o banco.

Porém, em relação ao crédito brasileiro, os analistas projetam um desempenho inferior ao que vem apresentando até então.

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Entre a renda variável e a renda fixa, uma Selic a 10% em 2027

Não é só o real que chama a atenção dos analistas da casa. Em relatório, os especialistas também recomendam a compra das ações brasileiras, com perspectiva de alta para os ativos.

Entre os principais catalisadores para um desempenho positivo da renda variável, o UBS destaca o potencial de queda dos juros no país. 

Segundo o documento, as taxas nominais e reais no Brasil estão “deslocadas” — ou seja, muito altas — em relação a várias métricas. Além disso, os analistas avaliam que as taxas podem cair mais e em um ritmo mais rápido do que o precificado pelo mercado, que projeta a Selic a 12% até o final de 2026. Atualmente, está a 15% ao ano.

“O crescimento econômico já começou a reduzir e os riscos inflacionários também estão diminuindo, o que indica um mix positivo para a queda das taxas”, afirmam os analistas.

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Com a queda das taxas de juros, o custo de capital próprio (COE) também fica mais baixo, podendo impulsionar as avaliações e aumentar os fluxos de portfólio para o mercado local, segundo o UBS.

Mas a renda fixa também não fica para trás. Na visão dos analistas, o contexto macroeconômico atual é positivo para os ativos, com a inflação se movendo em direção à meta.

  • LEIA TAMBÉM: Onde investir em outubro? O Seu Dinheiro reuniu os melhores ativos para ter na carteira neste mês; confira agora gratuitamente

Os pesos-pesados da bolsa brasileira na visão da UBS

Entre os papéis que brilham na visão do UBS estão os pesos-pesados da bolsa. 

Para o segmento dos bancos, os analistas recomendam Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11). Isso porque, com o forte rali experimentado pelas instituições financeiras do país, os múltiplos dos players premium não estão atrativos, na visão do UBS.

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Já o Bradesco e o Santander Brasil estão negociando a aproximadamente 1,1 vez o valor contábil projetado para 2025 (PBV25E).

Outro gigante que está com recomendação de contra pelo UBS é a Petrobras (PETR4). Segundo os analistas, a tese de investimento da estatal é suportada por fundamentos robustos, forte crescimento de produção e um dividend yield (taxa de retorno de dividendos) que deve permanecer entre 10% e 12% entre 2025 e 2026.

Porém, para a Vale, gigante da mineração, a avaliação do UBS é neutra. Isso porque o banco está cauteloso em relação ao minério de ferro, que vem apresentando queda nos preços. 

Embora as melhorias operacionais da Vale recompensem a fraqueza da commodity, a empresa ainda é afetada por provisões relacionadas à Samarco e Brumadinho, ressaltam os analistas.

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Entre eleições e o fiscal: os riscos do Brasil para o UBS

Porém, há riscos no radar — e eles são fantasmas que assombram o país há tempos: os riscos fiscais e as eleições.

Segundo o UBS, embora os riscos de curto prazo pareçam contidos devido às leis eleitorais — que dificultam novos aumentos de gastos no próximo ano —, a questão fiscal ainda é uma preocupação fundamental que mantém as taxas brasileiras em níveis elevados.

“Os mercados ficaram decepcionados com a falta de esforço de consolidação fiscal”, afirmam os analistas.

Além disso, a troca de poder nas eleições presidenciais de 2026 também tem potencial para impulsionar os ativos brasileiros. Segundo a casa de análise, o potencial endosso do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro é visto como um catalisador positivo para os mercados nacionais, e pode ocorrer antes de março de 2026.

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Um resultado eleitoral favorável ao mercado, que sinalize reformas estruturais — como um novo teto fiscal e desindexação de benefícios —, poderia ancorar a dinâmica da dívida e impulsionar materialmente os ativos locais, segundo os analistas.

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