Até onde vai a alta da Selic — e como investir nesse cenário? Analista vê juros de até 15,5% e faz recomendações de investimentos
No episódio da semana do Touros e Ursos, Lais Costa, da Empiricus Research, fala sobre o que esperar da política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, após a Super Quarta

Que a Selic vai subir na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de amanhã (19), não é novidade para ninguém. O Banco Central já havia contratado essas altas desde dezembro do ano passado e o mercado inteiro está preparado para ver o aumento de um ponto percentual na taxa, que vai a 14,25%. A dúvida que resta é: até onde vai a alta dos juros? O quão longe pode ir o BC de Gabriel Galípolo para controlar a inflação?
A resposta para essas perguntas — amplamente esperadas, diga-se de passagem — vai estar no comunicado feito pela instituição, depois da reunião desta quarta-feira.
Para Lais Costa, analista da Empiricus e convidada do podcast Touros e Ursos desta semana, o BC deve deixar o guidance mais flexível, alegando a maior dependência dos dados macroeconômicos para as próximas decisões.
Em um cenário-base, a analista enxerga a Selic a 15,5% no final do ciclo de alta dos juros, que deve ocorrer em meados do ano. Até o final do ano, a taxa deve regressar aos 15%.
A estimativa é um pouco maior do que a feita pelo último boletim Focus, que vê o fim do ciclo com taxa de 15%, mas está em linha com o que preveem os analistas de grandes bancos.
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Para a inflação — que, no momento, está significativamente acima do teto da meta do Banco Central, que é de 4,5% —, Costa faz projeções mais ousadas.
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Enquanto o Focus aliviou as projeções pela primeira vez em 22 semanas e estimou 5,66%, para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a analista vê um número mais próximo de 6,5%.
“Acho que a nossa maior discordância com o numero de mercado é a parte de alimentos. A gente não vê a inflação de alimentos caindo tanto”, explica. A inflação de serviços também é um fator crítico, que deve deixar os preços mais altos por mais tempo.
Enquanto muitos projetam a desaceleração da economia já na primeira metade do ano, Costa e sua equipe enxergam esse movimento macroeconômico se fortalecendo mais a partir de julho.
“A gente vê uma parte da atividade brasileira, principalmente nesse primeiro trimestre, mais forte do que o mercado e do que o próprio Banco Central”, diz.
Veja o episódio na íntegra clicando no player abaixo ou procurando por “Touros e Ursos” na sua plataforma de streaming de preferência:
Quais são os melhores investimentos em renda fixa no cenário atual?
Na visão de Lais Costa, o Tesouro Selic deveria ter um espaço maior na carteira dos investidores no momento atual, dadas as incertezas que rondam o cenário macroeconômico.
“Eu acho que o pós-fixado vai reduzir bastante a volatilidade da carteira com uma excelente remuneração nesse período turbulento”, opina. No entanto, olhando para diferentes horizontes de tempo, a analista acredita que “sempre cabe todos os tipos de indexadores”.
Pensando em uma alocação de carteira ideal para o investidor com perfil moderado, a convidada do Touros e Ursos indica:
- 50% em títulos pós-fixados atrelados ao CDI;
- 30 a 35% em títulos pós-fixados atrelados ao IPCA, de prazo curto;
- O restante em IPCA+ com prazo mais longo.
“Em um cenário cheio de incertezas e com esse custo de oportunidade tão alto, você está sendo tão bem remunerado para não tomar risco. Realmente fica difícil sair do pós-fixado”, comenta.
No momento, Costa não recomenda o investimento em títulos prefixados. Caso o investidor realmente faça questão do ativo no portfólio, a oportunidade tática está naqueles com prazos bem curtos, de um a dois anos.
E nos Estados Unidos?
Para a maior economia do mundo, que também decide o rumo dos juros nesta Super Quarta, Costa vê um comunicado mais sutil e com menos mudanças significativas.
A analista acredita que os juros americanos vão continuar na faixa entre 4,25% e 4,5%, uma vez que o Fed (Federal Reserve) ainda não deve considerar a forte atividade do mercado de trabalho e do crescimento econômico para a decisão de amanhã.
Costa também faz um alerta sobre o impacto das tarifas impostas por Donald Trump no contexto de guerra comercial: elas podem diminuir a atividade econômica e, ao mesmo tempo, levarem a inflação para patamares mais elevados.
“Acho que essa parte da inflação das tarifas está subestimada”, diz.
Diante disso, a analista prevê que o Fed faça apenas um corte nos juros em 2025, levando as taxas para a faixa entre 4% e 4,25%.
Na segunda parte do episódio, o convidado e os apresentadores Ricardo Gozzi e Vinicius Pinheiros elegeram os touros (destaques positivos) e ursos (destaques negativos) da semana.
Entre os ursos, o real, a Natura (NTCO3) e as 7 Magníficas, as big techs da bolsa americana. Do lado dos touros, os títulos pós-fixados, o ouro, a economia da Grécia e o tenista João Fonseca.
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