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Relatório do BTG Pactual analisa os impactos das tarifas no mercado de criptomoedas e aponta que ainda há espaço para investidores saírem ganhando, mesmo em meio à volatilidade
Mar calmo nunca fez bom marinheiro — e, quando o assunto é atravessar tempestades de mercado, os investidores em criptomoedas já estão calejados das nuvens de volatilidade.
O cenário de guerra comercial entre China e Estados Unidos e a nova onda de tarifas iniciada por Donald Trump impõem riscos tanto aos mercados tradicionais, quanto aos menos ortodoxos. Ainda assim, de acordo com um relatório do BTG Pactual, o momento pode ser estratégico para os criptoativos, escondendo oportunidades valiosas.
Em meio às incertezas dos últimos dias, os analistas enxergam sinais de resiliência no mercado cripto, com destaque para o bitcoin (BTC).
Segundo o documento, em tempos econômicos adversos, o ativo tende a acompanhar, num primeiro momento, a queda dos mercados tradicionais, mas, historicamente, costuma se recuperar com intensidade acima da média.
Apesar da recente desvalorização, que chegou a levar o BTC a perder 30% em relação às máximas históricas, o ativo alcançou um novo recorde quando comparado ao índice das “Magnificent 7”, que reflete a performance das sete maiores empresas de tecnologia.
E o bitcoin não está sozinho. O avanço das finanças descentralizadas (DeFi) e o crescimento das stablecoins também chamaram a atenção dos analistas. Para eles, esses mecanismos representam alternativas cada vez mais viáveis para transações financeiras menos sujeitas a barreiras comerciais.
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Mas outro fator que pode impulsionar o mercado cripto em 2025 está, curiosamente, escondido no passado — mais especificamente, no primeiro governo Trump.
Para as criptomoedas o clima começou a fechar já em fevereiro, quando surgiram os primeiros sinais de novas tarifas sobre Canadá, México e China. Mas o ápice da volatilidade veio com o Dia da Libertação de Donald Trump, que trouxe tarifas universais de 10% para todos os países, além de taxas específicas de até 46%.
Momentos após o anúncio, o índice de volatilidade dos mercados (VIX) atingiu níveis semelhantes aos registrados durante a pandemia de 2020 e a crise financeira global de 2008. No universo cripto, o choque foi significativo com o bitcoin caindo para seu menor valor em 2025, cerca de US$ 75 mil.
A última quarta-feira (9), no entanto, trouxe um respiro. O anúncio de uma pausa de 90 dias nas tarifas trouxe certo alívio aos mercados. Durante esse período, a alíquota-base será de 10% para todos os países — com exceção da China, que viu sua tarifa disparar de 34% para 145%.
Com isso, os mercados reagiram e, segundo o CoinMarketCap, o BTC voltou a operar em uma zona mais confortável, na casa dos US$ 83 mil nesta sexta-feira (11).
Se o primeiro mandato de Trump serve como termômetro para os próximos meses, a escalada atual da guerra comercial pode não ser o fim da linha. Naquele período, observou-se uma forte expansão da base monetária global, impulsionada por políticas de estímulo que injetaram liquidez nos mercados.
Esse aumento de capital disponível criou um ambiente favorável para ativos escassos — como o bitcoin — que tendem a se beneficiar quando há mais dinheiro em circulação. Se a nova rodada de tensões comerciais seguir o mesmo roteiro, o crescimento da liquidez pode, mais uma vez, ser um catalisador para a recuperação do mercado cripto.
A maior disponibilidade de capital também pressiona o dólar, enfraquecendo sua posição no mercado global. Isso leva investidores a buscarem alternativas para proteger seu poder de compra a longo prazo, e o bitcoin ressurge como uma opção atrativa de diversificação.
O céu ainda permanece carregado no horizonte. Mas, dependendo do rumo que China e EUA tomarem nesta nova rodada de conflitos — e de como o mundo responder a isso — existe um caminho para a recuperação dos criptoativos.
Ainda assim, os analistas do BTG fazem um alerta: é essencial que os investidores acompanhem de perto a evolução das disputas comerciais, mantenham-se atentos às decisões de política monetária e avaliem suas posições com cautela.
Afinal, volatilidade continua sendo a bússola, e o desafio, de quem escolhe navegar nesse mercado.
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