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Inocentes ou culpados? Governo gasta e Banco Central corre atrás enquanto o mercado olha para o (fim da alta dos juros e trade eleitoral no) horizonte

Iminência do fim do ciclo de alta dos juros e fluxo global favorecem, posicionamento técnico ajuda, mas ruídos fiscais e políticos impõem teto a qualquer eventual rali

25 de março de 2025
6:39 - atualizado às 7:56
Fernando Haddad, Ministro da Fazenda, e Gabriel Galípolo, diretor de Política Monetária e futuro presidente do Banco Central
Taxa de juros está em 14,25% ao ano, mas ainda deve subir mais um pouco antes de começar a cair. - Imagem: Montagem Seu Dinheiro

Após uma das semanas mais congestionadas por decisões de política monetária no trimestre, os mercados agora tentam reorganizar suas expectativas para o rumo das taxas de juros.

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Lá fora, Jerome Powell reconheceu que a guerra tarifária deve sim pressionar a inflação, mas suavizou o possível impacto.

Adicionalmente, o Federal Reserve anunciou a redução no ritmo do Quantitative Tightening — ou seja, o balanço do banco central será enxugado mais lentamente. Menos aperto no curto prazo, mais fôlego para os ativos.

No Brasil, Gabriel Galípolo entregou o que já estava mais do que precificado: a alta contratada da Selic, com uma sinalização discreta de que virá mais um ajuste em maio, menor na dosagem.

Em resumo, caminhamos vagarosamente para o fim do ciclo de aperto por aqui, enquanto os EUA já ensaiam — com cautela e muitas entrelinhas — discussões sobre eventuais cortes de juros. Ou pelo menos permitem que o mercado alimente essa ideia.

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Mas vale o velho lembrete: política monetária não opera milagres.

E, no caso brasileiro, os milagres são ainda mais improváveis quando o fiscal continua sendo tratado como um detalhe inconveniente.

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A aprovação do Orçamento de 2025 é, claro, positiva — mas não porque resolve algo.

Serve apenas para formalizar o que o mercado já vinha assumindo por conta própria há meses.

Infelizmente, porém, o texto aprovado insiste em vender a ilusão de um superávit improvável, e todos sabem que, mais cedo ou mais tarde, ajustes serão inevitáveis.

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A dúvida é se este governo, que tropeça em qualquer tentativa de coerência fiscal, será capaz de conduzi-los.

Alta dos juros já provoca desaceleração da economia

Nota-se um reconhecimento mais explícito por parte do BC da desaceleração econômica, já denunciada por uma série de indicadores desde o início do ano.

Isso não significa que o ciclo de alta chegou ao fim, mas sim que o final da linha está perigosamente próximo — e só isso já basta para começar a animar os ativos, que andam famintos por qualquer sinal de que a agonia pode estar com os dias contados.

Mas sejamos francos: a política monetária segue tentando conter um incêndio que tem origem, claramente, na irresponsabilidade fiscal. E pior: o fogo não dá sinais de recuo. A conta segue subindo, até porque há um receio de que o governo volte à cartilha populista para tentar reconquistar a classe média.

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Lula já flerta com novos pacotes de crédito, uma espécie de pedalada disfarçada de bondade social, mas que na prática equivale a pisar fundo no acelerador com o freio de mão puxado. É fiscalmente desastroso, economicamente contraproducente e politicamente conveniente.

Que fique claro: o problema estrutural continua sendo o apetite insaciável por gastar mal e gastar demais. E pior, o governo não dá o menor sinal de que pretende encarar esse problema de frente.

Ao mesmo tempo, na semana passada, o ministro Fernando Haddad deu duas entrevistas tentando explicar a proposta de isenção do Imposto de Renda.

Ninguém é contra a ideia de uma reforma na tributação da renda no Brasil.

O problema não é o "quê", mas sim o "como".

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O governo conduziu todo o processo de forma desajeitada, com comunicação confusa e timing questionável — e o produto final mais parece um improviso eleitoreiro do que uma política pública robusta.

O esboço da proposta prevê isenção total para quem ganha até R$ 5 mil por mês, um crédito tributário parcial para a faixa de R$ 5 mil a R$ 7 mil, e manutenção das regras atuais para quem recebe acima disso.

Considerando a defasagem absurda da tabela do IR, há um consenso sobre a necessidade de correção. Até a Receita Federal apoia a medida e a aprovação no Congresso deve ser relativamente tranquila.

O problema — que ninguém no governo parece querer admitir — está na conta. E ela não fecha.

Para compensar a renúncia de arrecadação com a nova faixa de isenção do Imposto de Renda, o governo propõe a criação de um IR mínimo para quem recebe mais de R$ 50 mil por mês (R$ 600 mil por ano), com alíquotas progressivas que chegam a 10% para rendimentos mensais acima de R$ 100 mil (R$ 1,2 milhão ao ano).

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À primeira vista, parece uma solução elegante, mas há armadilhas embutidas:

  • Primeiro: não há garantia nenhuma de que essa compensação vá, de fato, fechar a conta. Pelo contrário, é praticamente certo que o Congresso vai diluir o texto; 
  • Segundo: o risco de evasão cresce. Não só porque o sistema tributário brasileiro já é ruim, mas porque a sinalização incentiva mais gente a buscar atalhos fora do país; e 
  • Terceiro: mesmo que essa compensação passe, é improvável que cubra a renúncia.

Some-se a isso o efeito da elevação da renda disponível para quem ganha até R$ 5 mil, que tende a incrementar a inflação de alimentos — justo em ano eleitoral.

Eis o paradoxo: no fim, apenas 10% da população continuará contribuindo com o IR.

Isso escancara a distorção estrutural do sistema tributário brasileiro, onde a arrecadação se apoia majoritariamente no consumo, e não na renda.

Ou seja, tributa-se pesadamente os mais pobres, enquanto a base contributiva de renda permanece restrita e ineficaz — razão pela qual a alíquota do IVA na reforma do consumo tende a ser tão elevada.

O resultado provável?

Mais déficit. Mais inflação. E uma equipe econômica que, mesmo quando tenta manter um verniz técnico, como era o caso de Fernando Haddad, começa a deslizar ladeira abaixo rumo à retórica politizada.

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Talvez porque o ministro saiba que, se Lula não for candidato em 2026, ele será o nome natural — apesar de seu histórico pouco animador nas urnas.

Mas não se engane: a Fazenda tem culpa direta no caminho que os juros a 14,25% ao ano (e além).

O descontrole fiscal foi um dos principais motores da escalada inflacionária — e tudo indica que a desorganização vai se intensificar.

É evidente que a maior parcela de responsabilidade recai sobre Lula e sua ala política, que encara a ciência econômica como um incômodo técnico que atrapalha o discurso. Mas isentar a equipe da Fazenda seria um erro: a omissão, neste caso, já virou conivência.

Coloque o Brasil lado a lado com seus pares emergentes e o retrato é alarmante.

As contas públicas estão deterioradas, as contas externas idem.

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O déficit nominal deve ultrapassar 7% do PIB em 2025, enquanto o déficit em conta corrente se aproxima de 4%.

Um clássico caso de déficits gêmeos — cenário simplesmente insustentável para qualquer economia emergente que ainda queira parecer séria.

A triste verdade é que o atual governo nem tem apetite para reverter esse quadro — e muito menos competência. Se houver alguma chance de ajuste, ela ficará para 2027. 

Pelo menos o mercado encontrou algum alento no fato de que o ciclo de aperto monetário parece menos severo do que se temia no final de 2024.

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A Selic segue alta, claro, mas o fim da escalada já está no horizonte, e isso naturalmente impulsiona os ativos de risco.

Não por acaso, a percepção de que o Brasil pode ter desempenho superior ao de outros emergentes latino-americanos, como o México, começa a ganhar força entre os gestores.

Naturalmente, nem tudo se explica por mérito doméstico.

O fluxo global, com investidores fugindo do excesso de risco e valuation inflado nos EUA, ajuda a empurrar recursos para mercados vistos como mais baratos e tecnicamente mais saudáveis.

Mas há, sim, variáveis internas relevantes: o iminente fim do ciclo de aperto e, cada vez mais, o chamado trade eleitoral.

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Tarcísio e o trade eleitoral

Paralelamente, o principal nome da oposição, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tenta equilibrar-se num campo minado.

Sua postura recente tem gerado ruído, e qualquer passo em falso pode custar caro.

Ele precisa evitar, ao mesmo tempo, parecer um traidor para a base bolsonarista e um adesista oportunista para o centro político. Um equilíbrio tão sutil quanto instável.

Por ora, ainda não cometeu um erro fatal — mas a linha entre um tropeço tolerável e um desastre irreversível é finíssima.

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Apesar disso, os ativos locais seguem surfando o momento.

Estamos próximos das máximas nominais no Ibovespa, mas ainda com múltiplos de valuation bastante descontados — uma combinação rara.

O fluxo global favorece, o posicionamento técnico ajuda, mas sejamos realistas: essa onda tem prazo de validade.

Os ruídos fiscais e políticos continuam funcionando como um teto para o rali.

Para que o movimento ganhe tração real, será preciso mais do que capital especulativo ou alívio momentâneo de juros.

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O que falta é uma sinalização clara de que, em 2026, o pêndulo político poderá finalmente oscilar para o lado certo: uma agenda reformista, pró-mercado, com responsabilidade fiscal e compromisso com previsibilidade institucional.

Até lá, seguimos onde estamos: no modo cautela.

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