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O desempenho do Ibovespa em abril pode ser um indício de que estamos diante de uma mudança estrutural nos mercados internacionais, com implicações bastante positivas para os ativos brasileiros
Abril começou horroroso para o Ibovespa. Logo no dia 2, o tal Dia da Libertação, Donald Trump anunciou tarifas muito acima de qualquer expectativa, jogando todas as bolsas mundiais no vermelho.
Como tudo que está ruim pode piorar, a China impôs retaliações e recebeu ainda mais tarifas dos EUA como resposta, o que obviamente não é bom para nenhuma das duas maiores economias do mundo.
Como resultado, S&P 500 e Nasdaq caíram mais de -10% em poucos dias, e não foi muito diferente de outras bolsas ao redor do mundo.
Com tarifas elevadas e o consequente impacto na atividade, commodities também desabaram e as apostas de recessão nos Estados Unidos ganharam força.
Agora, pulamos para o fim de abril. Mesmo com todos esses contratempos, abril terminou com ótimo desempenho para os ativos brasileiros.
Para nós, isso pode ser mais do que apenas uma força do acaso. Na verdade, o desempenho do Ibovespa em abril pode ser um indício de que estamos diante de uma mudança estrutural nos mercados internacionais, com implicações bastante positivas para os ativos brasileiros.
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Para entender essa possível mudança, precisamos voltar um pouco no tempo. Desde meados da década passada, as empresas de tecnologia dos EUA foram responsáveis por sugar uma quantidade gigantesca de recursos do resto do mundo, especialmente de países emergentes e da Europa.
O raciocínio era relativamente simples: “por que se arriscar em mercados pouco sofisticados (emergentes) ou em regiões quase estagnadas (Europa) se você pode investir em empresas de tecnologia norte-americanas que não param de crescer?”
Essa linha de raciocínio ganhou ainda mais apelo com o surgimento das teses de inteligência artificial…
Mas dois eventos colocaram essa tese em cheque desde o início do ano. O primeiro foi o surgimento do DeepSeek em janeiro, que desafiou a supremacia de empresas de tecnologia norte-americanas, consideradas praticamente imbatíveis até então.
O segundo evento foi justamente o tarifaço, que coloca em risco os ganhos de eficiência e até mesmo o crescimento não apenas das 7 Magníficas, como de muitas empresas norte-americanas, além de colocar em dúvida outros aspectos fundamentais, como o próprio status de reserva de valor do dólar e dos Treasuries.
Se a preferência pelas big techs era óbvia até pouco tempo atrás, agora o sentimento mudou. E quem pode se aproveitar são justamente os mercados que perderam recursos para os EUA nos últimos anos.
O Brasil pode ser justamente um desses beneficiados, e o desempenho em abril indica que, pelos menos por enquanto, estamos conseguindo aproveitar desse fluxo de saída dos EUA.
Mas esse movimento ainda tem espaço para continuar. Primeiro porque ainda existe muito dinheiro investido nos EUA, que tem começado a mostrar cada vez mais sinais de desaceleração.
Segundo porque, mesmo depois do bom desempenho até aqui em 2025, o Ibovespa segue negociando por múltiplos descontados (8x preço/lucros), e em breve podemos ver o investidor começar a precificar as chances de eleição de um candidato pró-mercado em 2026.
Além disso, recentes declarações dove de membros do Banco Central do Brasil combinadas com sinais de desaceleração da inflação começam a abrir a possibilidade de cortes da Selic ainda em 2025, o que seria ótima notícia para os ativos brasileiros.
Com esse pano de fundo, a Carteira Mensal de Dividendos já sobe mais de 15% em 2025, e deve continuar se aproveitando desse ganho de atratividade das ações brasileiras.
Se quiser conferir a carteira completa de forma gratuita, deixo aqui o convite.
Um abraço e até a próxima semana!
Ruy
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