Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Felipe Miranda: Para quem não sabe para onde ir, qualquer caminho serve

O anúncio do pacote alternativo ao IOF é mais um reforço à máxima de que somos o país que não perde uma oportunidade de perder uma oportunidade. Insistimos num ajuste fiscal centrado na receita, sem anúncios de corte de gastos.

9 de junho de 2025
20:00 - atualizado às 11:03
lula ações arcabouço fiscal lei
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil

“O governo não tem caminho para o país”, disse Armínio Fraga em entrevista recente à Veja. É como se voássemos sem destino, sensíveis à maré das circunstâncias pontuais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Como ensina o Gato de Cheshire, em “Alice no País das Maravilhas”, “se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve”. Há algo curioso sobre um governo macunaímico, que responde a intercorrências circunstanciais com mais cinismo do que ideologia: ele pode fazer qualquer coisa; entre elas, surpreendentemente, até a coisa certa. Mesmo um relógio quebrado pode dar a hora certa duas vezes por dia.

Uma nova janela se abriu para o debate sobre o ajuste fiscal estrutural a partir da retórica dos presidentes do poder Legislativo, em especial de Hugo Motta, que tem sido bastante vocal em prol de uma solução edificante para o problema das contas públicas brasileiras. 

Em sua coluna, também na Veja, Thomas Traumann, consultor de risco político, foi taxativo sobre o momento.

Segundo ele, as recentes pesquisas Genial/Quaest mostram a perda de favoritismo de Lula para a eleição presidencial de 2026, acrescentando que “os números mostram que Lula estará no segundo turno, mas que, se não mudar o seu governo logo, só vencerá se enfrentar um adversário com o sobrenome Bolsonaro.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para completar, “Lula governou muito para quem gosta dele, mas pouco para quem votou nele só para evitar Bolsonaro."

Leia Também

O argumento vai ao encontro da estratégia aqui defendida como pacto fáustico, em alusão metafórica ao clássico de Goethe, de uma associação ao diabo para a transformação de metais em ouro. 

Na esteira do raciocínio de Traumann, podemos inferir que:

  • I. Se Lula insistir numa condução política — o que inclui a economia, claro — mais à esquerda, mantidas as condições de temperatura e pressão, perderia a eleição para um candidato de centro-direita. Poderíamos até ter um ano ruim pela frente, mas isso contrataria um ciclo positivo de mercado a partir de 2026, que, aliás, poderia ser bastante intenso (lembre que o Ibovespa sai de 40 mil para 120 mil pontos com a saída de Dilma e a entrada de Temer) e longevo (ao rali eleitoral de 2026, teríamos de somar quatro anos de um governo reformista com uma provável reeleição em 2030, quando a idade avançada chegará até mesmo para Lula; um ano ruim, para nove anos bons, um trade nada mau).
  • II. Já se Lula caminhar mais ao centro, o que exigiria uma política fiscal menos perdulária, colocando o país na rota…ora, não precisamos terminar o raciocínio. Esse seria o cenário bom. E o cenário bom…é, veja, o cenário bom. Ele prescinde de explicações. 

A arte de perder oportunidades (de novo)

Então chegamos à seguinte matriz de payoff, sob a premissa básica de que não sabemos o que vai acontecer, pois o futuro é um bicho teimoso que insiste em ficar no futuro (nunca esquecer do mote elementar de Nassim Taleb: How to live in a world we don’t understand? Ou, como viver num mundo que não entendemos?): ou Lula arruma a política econômica e os mercados reagem de maneira positiva desde já, ou ele segue na direção de não fazer o ajuste fiscal, os mercados reagem mal agora e contratamos uma alternância do ciclo de economia política, diferindo no tempo um rali estrutural e duradouro. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para aqueles capazes de estender seu horizonte temporal até o final do ano que vem, vale ficar comprado em Brasil desde já. Seja qual for a trajetória, sabemos o final do filme. Isso muda tudo.

Por ora, o anúncio do pacote alternativo ao IOF é mais um reforço à máxima de que somos o país que não perde uma oportunidade de perder uma oportunidade. Insistimos num ajuste fiscal centrado na receita, sem anúncios de corte de gastos.

Hugo Motta, ao menos retoricamente, aparece como uma espécie de Princesa Leia de Star Wars, nossa última esperança. Em evento nesta segunda-feira (9), volta a insistir em soluções estruturantes de longo prazo e a flertar com uma proposta de reforma administrativa a ser anunciada em julho.

Cogita-se uma nova reunião com líderes para talvez avançarmos na discussão do dispêndio — reportagem de hoje do Valor trata da apresentação pelo ministério da Fazenda de trava para a compensação que a União faz ao Fundeb e de medidas para combater o crescimento das concessões judiciais do BPC. Não houve consenso sobre o tema, mas, dadas as restrições fiscais objetivas e pronunciadas, seria razoável imaginar a retomada da discussão à frente. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O ideal seria aproveitarmos a janela para debater desvinculação dos pisos de saúde e educação e a mudança do indexador das aposentadorias — então, eu perceberia estar sonhando e pediria logo um pônei!

Entre o fiscal possível e o político improvável

Frustrações à parte, há uma sinalização importante das recém-anunciadas propostas de ajuste fiscal: ainda que pelo lado da receita e sem atacar soluções de longo prazo, existe um compromisso com a não-explosão fiscal.

Para aqueles que não alimentam expectativas ingênuas e trabalham sem falsas esperanças de uma grande guinada ortodoxa e fiscalista, essa me parece uma boa notícia. 

Tenho definido o ano de 2025 como uma ponte para o futuro (qualquer semelhança ao documento de 2015 do MDB pode não ser mera coincidência): ele é o ano que antecede 2026. Mais do que uma obviedade cronológica, a afirmação pede atenção ao fato de que a grande discussão de Brasil acontecerá mesmo no próximo ano.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por enquanto, o importante é que a ponte esteja erguida, sem ser dinamitada. Esse é o mérito das medidas de ajuste fiscal.

E, se a grande bifurcação ocorre mesmo em 2026, a pesquisa Genial/Quaest emite sinais alvissareiros.

Lula empata com cinco candidatos da direita nas intenções de voto, sendo que a maior parte deles é desconhecido por cerca de metade da amostra.

Respeito o argumento tipo Daniel Leichsering de que o cenário não é realista, pois os candidatos da oposição estão em situação muito distinta daquela que efetivamente estarão na hora da votação. Contudo, não me parece uma premissa muito restritiva supor que há, ceteris paribus, um aumento da probabilidade de se votar num candidato conhecido frente a um desconhecido (pergunte a si mesmo se você preferiria votar em quem conhece ou em quem desconhece).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Outro ponto interessante é que, além de Tarcísio, outros candidatos de direita sem sobrenome Bolsonaro se mostram competitivos. Então, cria-se um risco importante ao futuro do bolsonarismo: se não nomear um sucessor e insistir em um candidato do seu clã, o ex-presidente pode ver seu indicado fora do segundo turno.

Perderia a eleição e o potencial indulto. Talvez seja melhor um acordo de antemão, o que aumenta a chance de indicação de um candidato sem seu sobrenome. Isso unificaria a direita em torno de um nome, como Tarcísio, por exemplo, o que maximizaria as possibilidades de sua eleição.

Há alguns sinais escondidos em meio a tanto ruído. Eu estou comprando microcaps, calls fora do dinheiro e longas de SMAL11.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A corrida do Banco Central contra a inflação e o custo do petróleo, a greve dos caminhoneiros e o que mais afeta os mercados hoje

18 de março de 2026 - 8:18

Saiba o que afeta a decisão sobre a Selic, segundo um gestor, e por que ele acredita que não faz sentido manter a taxa em 15% ao ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como o petróleo mudou o jogo para o Copom e o Fed, a vantagem do Regime Fácil para as empresas médias, e o que mais move as bolsas hoje

17 de março de 2026 - 8:46

O conflito no Oriente Médio adiciona mais uma incerteza na condução da política monetária; entenda o que mais afeta os juros e o seu bolso

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Do conflito no Oriente Médio ao Copom: como o petróleo mudou o jogo dos juros

17 de março de 2026 - 7:35

O foco dos investidores continua concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário internacional, em especial no comportamento do petróleo, que segue como um dos principais vetores de risco para a inflação e, por consequência, para a condução da política monetária no Brasil

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Oscar para o melhor banco digital, a semana com Super Quarta e o que mais você precisa saber hoje

16 de março de 2026 - 8:17

Entenda qual é a estratégia da britânica Revolut para tentar conquistar a estatueta de melhor banco digital no Brasil ao oferecer benefícios aos brasileiros

VISÃO 360

A classe média que você conheceu está morrendo? A resposta é mais incômoda

15 de março de 2026 - 8:00

Crescimento das despesas acima da renda, ascensão da IA e uberização da vida podem acabar com a classe média e dividir o mundo apenas entre poucos bilionários e muitos pobres?

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O Oscar, uma aposta: de investidores a candidatos, quem ganha com a cerimônia, afinal?

14 de março de 2026 - 11:01

O custo da campanha de um indicado ao Oscar e o termômetro das principais categorias em 2026

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O equilíbrio delicado da Petrobras (PETR4), o Oscar para empreendedores, a recuperação do GPA (PCAR3) e tudo mais que mexe com os mercados hoje

13 de março de 2026 - 8:13

Saiba quais os desafios que a Petrobras precisa equilibrar hoje, entre inflação, política, lucro e dividendos, e entenda o que mais afeta as bolsas globais

SEXTOU COM O RUY

Número mágico da Petrobras (PETR4): o intervalo de preço do petróleo que protege os retornos — e os investidores

13 de março de 2026 - 7:11

O corte de impostos do diesel anunciado na quinta-feira (12) afastou o risco de interferência na estatal, pelo menos por enquanto

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O lado B dos data centers, a guerra no Oriente Médio e os principais dados do mercado hoje

12 de março de 2026 - 8:55

Entenda as vantagens e as consequências ambientais do grande investimento em data centers para processamento de programas de inteligência artificial no Brasil

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Petróleo em alta — usando dosagens para evitar o risco de uma aposta “certa” 

11 de março de 2026 - 19:57

Depois de uma disparada de +16% no petróleo, investidores começam a discutir até onde vai a alta — e se já é hora de reduzir parte da exposição a oil & gas para aproveitar a baixa em ações de qualidade

ALÉM DO CDB

Prêmios de risco do crédito privado têm certo alívio em fevereiro, mas risco de algumas empresas emissoras aumenta

11 de março de 2026 - 14:39

Os spreads estão menos achatados, e a demanda por títulos isentos continua forte; mas juro elevado já pesa sobre os balanços das empresas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Faturamento de R$ 160 milhões no combate ao desperdício, guerra no Oriente Médio, e tudo o que você precisa saber hoje

11 de março de 2026 - 8:26

Entenda como a startup Food to Save quer combater o desperdício de alimentos uma sacolinha por vez, quais os últimos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como lucrar com a Copa sem cometer crimes, as consequências de uma guerra mais longa para os juros, e o que mais afeta a bolsa hoje

10 de março de 2026 - 8:38

A Copa do Mundo 2026 pode ser um bom momento para empreendedores aumentarem seu faturamento; confira como e o que é proibido neste momento

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

O petróleo volta a ditar o humor dos mercados, mas não é só isso: fertilizantes e alimentos encarecem, e até juros são afetados

10 de março de 2026 - 7:32

O ambiente de incerteza já pressiona diversos ativos globais, contribui para a elevação dos rendimentos de títulos soberanos e amplia os riscos macroeconômicos

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A fila dos IPOs na B3, a disparada do petróleo, e o que mais move o mercado hoje 

9 de março de 2026 - 8:11

Depois de quase cinco anos de seca de IPOs, 2026 pode ver esse cenário mudar, e algumas empresas já entraram com pedidos de abertura de capital

TRILHAS DE CARREIRA

O fim da Diversidade? Por que a Inteligência Artificial (IA) me fez questionar essa agenda novamente

8 de março de 2026 - 8:00

Esta é a segunda vez que me pergunto isso, mas agora é a Inteligência Artificial que me faz questionar de novo

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

De volta à pole: com Gabriel Bortoleto na Fórmula 1 e a retomada da produção nacional, Audi aquece os motores

7 de março de 2026 - 9:01

São três meses exatos desde que Lando Norris confirmou-se campeão e garantiu à McLaren sua primeira temporada em 17 anos. Agora, a Fórmula 1 está de volta, com novas regras, mudanças no calendário e novidades no grid.  Em 2026, a F1 terá carros menores e mais leves, novos modos de ultrapassagem e de impulso, além de novas formas de recarregar as […]

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ainda dá para investir em Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3), o FII do mês, e o que mais move seus investimentos hoje

6 de março de 2026 - 8:35

Ações das petroleiras subiram forte na bolsa nos últimos dias, ainda que, no começo do ano, o cenário para elas não fosse positivo; entenda por que ainda vale ter Petrobras e Prio na carteira

SEXTOU COM O RUY

Petrobras e Prio disparam na Bolsa — descubra por que não é tarde demais para comprar as ações

6 de março de 2026 - 6:55

Para dividendos, preferimos a Petrobras que, com o empurrãozinho do petróleo, caminha para um dividend yield acima de 10%; já a Prio se enquadra mais em uma tese de crescimento (growth)

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A luta pelos dividendos da Petrobras (PETR4), o conflito no Oriente Médio e o que mais impacta o seu bolso hoje

5 de março de 2026 - 8:07

Confira o que esperar dos resultados do 4T25 da Petrobras, que serão divulgados hoje, e qual deve ser o retorno com dividendos da estatal

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar