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Não dá pra saber exatamente quando vai se dar o movimento. O que temos de informação neste momento é que há uma enorme demanda reprimida por Brasil. E essa talvez seja uma informação suficiente.
O bom investidor reconhece estar sempre errado. Se compra determinado ativo e ele cai, não deveria ter comprado. Já se compra e o ativo sobe, era pra ter comprado mais.
Somente os desqualificados mantêm autoavaliações positivas. “Unskilled and unaware of it”. A falta de autocrítica está associada a baixos níveis de inteligência e à ausência de mecanismos de autocorreção, fundamentais para a melhora contínua. Excesso de confiança também carrega alta correlação com concentração exagerada e alavancagem desmedida.
Além disso, se você reconhece estar sempre errado na largada, fica desprovido da influência do ego na tomada de decisão, podendo ajustar a rota de imediato, no exato instante em que percebe o erro. O primeiro (e menor) prejuízo é sempre o melhor.
A constância do erro também é uma verdade sobre o timing das decisões de investimento. Uma boa ideia na hora ruim é, a rigor, uma má ideia. Se você compra antes demais, perde o custo de oportunidade do investimento.
Ricardo Amorim não estava errado. Era apenas um homem à frente do seu tempo ao prever, em 2009, o Ibovespa a 200 mil pontos. Comprar depois que já subiu também não adianta muito. Vai pagar caro, depois de já realizado todo o potencial de valorização do respectivo ativo.
Parte do smart money tenta resolver o problema temporal tentando combinar valuation barato (preços atraentes) com a identificação de algum trigger (catalisador) para o início do movimento de alta. Não acho que resolva. Por duas razões:
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André Jakurski, em participação no CEO Conference do BTG Pactual, revelou uma heurística simples para comprar ou vender ações. Com meu pedido de desculpas antecipadas por alguma imprecisão na transcrição, falou mais ou menos assim: eu olho o fluxo marginal. Se tem mais gente querendo comprar, eu compro antes. Se tem mais gente querendo vender, eu vendo.
A regra de bolso parece ter boa aplicação prática para o momento. Vários bancos têm realizado “non deal road shows” ou conferências com investidores estrangeiros nas últimas semanas. Um resumo simples das conversas com os gringos: há um interesse crescente em Brasil, com a maior parte reconhecendo que os ativos estão descontados.
No entanto, quase ninguém está, de fato, aumentando sua posição em nosso mercado. Estão à espera da maior clareza sobre o fim do ciclo de aperto monetário e o momento (no futuro) de queda da Selic. Ao mesmo tempo, todos acreditam que o ciclo eleitoral pode fazer muito preço internamente, mas estaria cedo para investir ou tradar pensando nisso.
Interlocuções com grandes investidores locais apresentam dinâmica semelhante, com uma nuance adicional. Depois de forte rali recente do setor financeiro, alguns estão trocando suas posições em bancos tradicionais por utilities (energia elétrica e saneamento), vendo um potencial menor nos primeiros.
O grande debate gira em torno do momento exato para se trocar o posicionamento mais pesado para nomes ainda mais sensíveis ao ciclo doméstico, como consumo e varejo.
Juntando as opiniões, o consenso parece apontar algum momento do segundo semestre para um movimento mais agressivo em direção aos ativos brasileiros.
Ora, se nós sabemos que há um monte de gente querendo comprar em, sei lá, julho ou agosto, então seria razoável aumentarmos nossa posição um pouco antes, quem sabe em junho. Afinal, quem compra antes, paga mais barato e ganha mais dinheiro.
Mas, então, um terceiro leitor poderia dizer que, percebendo nossa demanda no sexto mês deste ano, o melhor momento seria maio. Aí, o quarto investidor, ainda mais esperto, anteciparia suas compras para abril. Até que chegamos no momento atual…
Não dá pra saber exatamente quando vai se dar o movimento. O que temos de informação neste momento é que há uma enorme demanda reprimida por Brasil. Tem um monte de gente querendo comprar, gringo e local. E essa talvez seja uma informação suficiente.
Não seria cedo demais? Precisamos reconhecer nossa ignorância e incapacidade em acessar o futuro. Se fôssemos capazes de identificar com precisão o momento exato da alta, talvez pudéssemos responder com mais exatidão. Ninguém acerta o bumbum da mosca. O ponto é que faltam apenas três meses para o início do segundo semestre.
Embora o custo de oportunidade do capital seja muito alto no Brasil, não é exatamente um período tão longo assim. Para o investidor em ações, essencialmente um bicho de longo prazo, três meses é um breve sopro cósmico.
Veja: há um ciclo extenso ruim de mercados emergentes, iniciado em 2010. Se estivermos mesmo diante da inflexão do ciclo em favor da periferia tendo superado o pico do excepcionalismo americano, o movimento secular fará três meses parecerem segundos.
Por fim, o carrego de Bolsa brasileira tem se mostrado bastante interessante neste ano — o EWZ sobe 20% em 2025, se beneficiando de um movimento em favor dos emergentes. Com pouco volume, os gringos têm empurrado destacadamente nossas cotações, como resultado de um mercado ilíquido e de posição técnica bastante favorável.
Se há uma nova ordem mundial sendo estabelecida e o excepcionalismo estará mesmo sob questionamento, não imaginaríamos isso sendo feito em apenas três meses. Uma mudança de paradigma chegaria também ao mercado de capitais. Aquilo que funcionou bem desde 2010 passaria a ir mal agora. E vice-versa.
Se combinarmos o vigor do fluxo gringo no primeiro trimestre deste ano com a expectativa de queda da Selic ao final do ano e com a incorporação da probabilidade de mudança do ciclo de economia política no Brasil, poderemos ver prognóstico consensual de um belo segundo semestre se materializando bem antes disso.
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