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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

À ESPERA DE UMA JANELA

A culpa é da Selic: seca de IPOs na B3 deve persistir em 2025, diz Anbima

Enquanto o mercado brasileiro segue sem nenhuma sinalização de retomada dos IPOs, algumas empresas locais devem tentar a sorte lá fora

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
26 de fevereiro de 2025
16:30 - atualizado às 16:31
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Sede da B3 - Imagem: Divulgação/B3

À espera de um milagre — ou pelo menos de uma janela de oportunidade — a bolsa brasileira deve passar por mais um ano de seca no que diz respeito às ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, em inglês). A expectativa é da Anbima, a associação que representa as instituições que representam o mercado de capitais.

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Já se passaram mais de três anos desde que a última empresa pisou na sede da B3 em busca de novos sócios. Desde então, o mercado vem atravessando uma longa estiagem provocada pela alta dos juros globais, eleições no Brasil e nos Estados Unidos.

Agora, a principal explicação para a continuidade de um dos piores momentos na história para as ofertas de ações no mercado brasileiro vem da alta da taxa básica de juros (Selic).

“O custo de oportunidade hoje favorece a renda fixa”, disse Guilherme Maranhão, executivo da Anbima e do Itaú BBA, durante o tradicional encontro anual da associação com a imprensa.

De fato, as empresas mais do que compensaram a falta de IPOs na bolsa com a captação de recursos com o uso de instrumentos de renda fixa. Em 2024, as emissões de títulos como debêntures bateram o recorde de R$ 473,7 bilhões.

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Mas a Selic alta demais atrapalha até mesmo o mercado de renda fixa. A expectativa da Anbima é que o ritmo de crescimento desacelere neste ano, também em consequência da base mais forte de comparação.

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Ainda assim, a associação vê espaço para avanço, em especial de empresas que ainda poderiam trocar a dívida bancária por emissão de títulos de dívida no mercado de capitais.

Além da B3: IPOs podem recomeçar lá fora

Enquanto o mercado brasileiro segue sem nenhuma sinalização de retomada dos IPOs, algumas empresas locais tentam a sorte lá fora. É o caso da Granja Faria, que entrou com pedido de análise de uma oferta de ações no mercado norte-americano.

Nesse caso, contudo, a decisão de se fazer a abertura de capital na B3 ou no exterior tem relação com a realidade de cada empresa. Ou seja, não há ligação direta com a conjuntura local, de acordo com Maranhão.

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Enquanto isso, a Selic alta e o cenário macro desfavorável devem permitir apenas operações de empresas já listadas na B3 — o chamado follow on. A diferença é que, nesse caso, o investidor conhece de antemão o preço das ações, segundo César Mindof, diretor da Anbima e do ABC Brasil.

Além de operações pontuais no exterior, a Anbima não descarta a chance de a bolsa brasileira rever algum IPO caso se abra alguma janela de oportunidade ao longo do ano. “Nós sabemos como o mercado muda rápido”, disse Mindof.

Mercado já coloca as eleições no preço?

Por falar em mudança rápida, como explicar a recuperação da bolsa e a queda do dólar neste início de ano, ainda mais depois do tsunami que varreu os mercados nos últimos dois meses de 2024?

Para David Becker, executivo da Anbima e chefe de economia para o Brasil e estratégia para a América Latina do Bank of America, houve um certo exagero no pessimismo dos investidores com os mercados emergentes, incluindo o Brasil.

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Os sinais de desaceleração da economia também acabaram favorecendo a recuperação dos ativos. Isso porque o mercado vê uma necessidade menor de alta da Selic para conter a pressão inflacionária.

“O ano passado foi muito bom para a economia e ruim para os mercados. Neste ano, devemos ter uma economia em desaceleração e um ano melhor para os preços dos ativos”, afirmou Becker.

Sobre a influência política nas cotações do dólar e das ações na bolsa, o economista disse que, de modo geral, os mercados só começam a ser afetados pelo ciclo eleitoral cinco meses antes das eleições.

Apesar de reconhecer o impacto das pesquisas recentes que mostraram a queda da popularidade do presidente Lula, Becker disse que a “convicção é muito baixa” sobre o cenário para as eleições do ano que vem.

Assista também - LULA CAI E BOLSA SOBE: Como a popularidade do presidente mexe com os mercados

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