A culpa é da Selic: seca de IPOs na B3 deve persistir em 2025, diz Anbima
Enquanto o mercado brasileiro segue sem nenhuma sinalização de retomada dos IPOs, algumas empresas locais devem tentar a sorte lá fora

À espera de um milagre — ou pelo menos de uma janela de oportunidade — a bolsa brasileira deve passar por mais um ano de seca no que diz respeito às ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, em inglês). A expectativa é da Anbima, a associação que representa as instituições que representam o mercado de capitais.
Já se passaram mais de três anos desde que a última empresa pisou na sede da B3 em busca de novos sócios. Desde então, o mercado vem atravessando uma longa estiagem provocada pela alta dos juros globais, eleições no Brasil e nos Estados Unidos.
Agora, a principal explicação para a continuidade de um dos piores momentos na história para as ofertas de ações no mercado brasileiro vem da alta da taxa básica de juros (Selic).
“O custo de oportunidade hoje favorece a renda fixa”, disse Guilherme Maranhão, executivo da Anbima e do Itaú BBA, durante o tradicional encontro anual da associação com a imprensa.
De fato, as empresas mais do que compensaram a falta de IPOs na bolsa com a captação de recursos com o uso de instrumentos de renda fixa. Em 2024, as emissões de títulos como debêntures bateram o recorde de R$ 473,7 bilhões.
Mas a Selic alta demais atrapalha até mesmo o mercado de renda fixa. A expectativa da Anbima é que o ritmo de crescimento desacelere neste ano, também em consequência da base mais forte de comparação.
Leia Também
Ainda assim, a associação vê espaço para avanço, em especial de empresas que ainda poderiam trocar a dívida bancária por emissão de títulos de dívida no mercado de capitais.
Além da B3: IPOs podem recomeçar lá fora
Enquanto o mercado brasileiro segue sem nenhuma sinalização de retomada dos IPOs, algumas empresas locais tentam a sorte lá fora. É o caso da Granja Faria, que entrou com pedido de análise de uma oferta de ações no mercado norte-americano.
Nesse caso, contudo, a decisão de se fazer a abertura de capital na B3 ou no exterior tem relação com a realidade de cada empresa. Ou seja, não há ligação direta com a conjuntura local, de acordo com Maranhão.
Enquanto isso, a Selic alta e o cenário macro desfavorável devem permitir apenas operações de empresas já listadas na B3 — o chamado follow on. A diferença é que, nesse caso, o investidor conhece de antemão o preço das ações, segundo César Mindof, diretor da Anbima e do ABC Brasil.
Além de operações pontuais no exterior, a Anbima não descarta a chance de a bolsa brasileira rever algum IPO caso se abra alguma janela de oportunidade ao longo do ano. “Nós sabemos como o mercado muda rápido”, disse Mindof.
Mercado já coloca as eleições no preço?
Por falar em mudança rápida, como explicar a recuperação da bolsa e a queda do dólar neste início de ano, ainda mais depois do tsunami que varreu os mercados nos últimos dois meses de 2024?
Para David Becker, executivo da Anbima e chefe de economia para o Brasil e estratégia para a América Latina do Bank of America, houve um certo exagero no pessimismo dos investidores com os mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Os sinais de desaceleração da economia também acabaram favorecendo a recuperação dos ativos. Isso porque o mercado vê uma necessidade menor de alta da Selic para conter a pressão inflacionária.
“O ano passado foi muito bom para a economia e ruim para os mercados. Neste ano, devemos ter uma economia em desaceleração e um ano melhor para os preços dos ativos”, afirmou Becker.
Sobre a influência política nas cotações do dólar e das ações na bolsa, o economista disse que, de modo geral, os mercados só começam a ser afetados pelo ciclo eleitoral cinco meses antes das eleições.
Apesar de reconhecer o impacto das pesquisas recentes que mostraram a queda da popularidade do presidente Lula, Becker disse que a “convicção é muito baixa” sobre o cenário para as eleições do ano que vem.
Assista também - LULA CAI E BOLSA SOBE: Como a popularidade do presidente mexe com os mercados
FUTURO NEBULOSO
Usiminas (USIM5) tem a maior baixa do Ibovespa com balanço aquém do esperado; o que pesou nos números do 3T26?
30 de outubro de 2026 - 12:40FÓRMULA MILIONÁRIA
De inquilina a dona: Coca-Cola compra imóvel do ALZR11 por R$ 140 milhões; veja ganho por cota
30 de outubro de 2026 - 11:52A CONTA CHEGOU
Casas Bahia (BHIA3) coloca aluguéis em dia, mas FII reduz projeção de dividendos; entenda o porquê
30 de outubro de 2026 - 10:19PESSIMISMO CONTINUA
Ibovespa tem 4º pregão seguido de baixa, com queda de 17% desde a eleição; em NY, dia também foi tingido de vermelho
29 de outubro de 2026 - 18:17Conteúdo Empiricus
Enquanto muitos investidores focam nos dividendos, este mercado bilionário bate recordes de crescimento na B3 em 2026
29 de outubro de 2026 - 14:00DE OLHO NO GRINGO
Um fundo imobiliário, duas versões: o que falta para os FIIs ‘falarem a língua’ do investidor estrangeiro?
29 de outubro de 2026 - 7:30SANGRIA ESTANCOU?
Vale investir na Bolsa depois da ‘segunda-feira sangrenta’? Estrategista da Monte Bravo diz quais setores olhar, mas tem um ativo preferido
27 de outubro de 2026 - 18:40PECHINCHAS NA BOLSA
Tombo da Bolsa após as eleições abre oportunidades, e Itaú BBA lista 7 ações para incluir na carteira agora
27 de outubro de 2026 - 16:08A RAZÃO DA QUEDA
A derrocada da bolsa: estudo mostra que crises globais estão por trás dos maiores tombos do Ibovespa
26 de outubro de 2026 - 18:15RESSACA ELEITORAL
Fundos imobiliários sentem mudança de humor dos mercados com vitória de Lula e devolvem todo ganho desde o 1º turno
26 de outubro de 2026 - 16:04O QUE VEM POR AÍ
Tombo de 20% do Ibovespa e dólar acima de R$ 5,50 são os novos normais? JP Morgan diz o que o investidor deve esperar
26 de outubro de 2026 - 15:31DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Lula venceu, e a festa da bolsa pode acabar: o que esperar dos investimentos agora?
25 de outubro de 2026 - 22:48MERCADOS
Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
25 de outubro de 2026 - 22:28Conteúdo Empiricus