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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

TEMORES RENOVADOS

Crise nos bancos regionais reacende luz amarela em Wall Street: NYCB registrou prejuízo com setor imobiliário 

O balanço deflagrou uma onda de vendas de ações dos credores médios nas bolsas de Nova York, que evocou as turbulências que vitimaram o Silicon Valley Bank (SVB)

Renan Sousa
Renan Sousa
5 de fevereiro de 2024
10:31 - atualizado às 9:13
Crise nos bancos regionais atinge New York Community Bancorp (NYCB)
Crise nos bancos regionais atinge New York Community Bancorp (NYCB) - Imagem: Montagem: Seu Dinheiro / Divulgação

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) já havia avisado, repetidas vezes, que o setor de imóveis comerciais dos Estados Unidos representa uma das maiores ameaças à estabilidade financeira do país, em especial dos bancos regionais. Mas coube a um banco relativamente pequeno o fardo de expor ao mercado os riscos de um estresse mais amplo.

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O New York Community Bancorp (NYCB) relatou na semana passada um inesperado prejuízo de US$ 252 milhões no quarto trimestre, e ampliou as provisões para perdas a US$ 552 milhões, em uma decisão que visa lidar com a "fraqueza" na área de escritórios.

O balanço deflagrou uma onda de vendas de ações dos credores médios nas bolsas de Nova York, que evocou as turbulências que vitimaram o Silicon Valley Bank (SVB) em março do ano passado.

À época, o NYCB comprou o patrimônio do Signature Bank  — outro banco regional em apuros — e viu seus ativos superarem US$ 100 bilhões, justamente o nível a partir do qual os reguladores propõem a imposição de normas mais duras como parte de uma reforma em estudo.

Bancos regionais protagonizam crise nos EUA

Para o Bank of America (BofA), esse escrutínio mais rígido está entre os fatores por trás das preocupações com o NYCB, que deve ter um aumento nas exigências de capital.

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"Tal como evidenciado no caso do NYCB, os reguladores parecem ter paciência limitada para quaisquer deficiências ou qualquer aspecto de uma instituição que possa fazê-la parecer fora da curva", diz a análise.

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No entanto, o debate sobre a arquitetura regulatória é apenas uma parte da equação que explica os problemas do NYCB.

E a perspectiva é negativa

Nesta semana, a Moody's colocou em perspectiva negativa o rating do NYCB, destacando também preocupações com lucros fracos, queda significativa na capitalização, perdas "inesperadas" com escritórios e imóveis multifamiliares e crescente dependência em níveis elevados de financiamento.

Embora longe de terminar, a temporada de balanços do quarto trimestre de 2023 já demonstrou que os resultados do NYCB são apenas um reflexo dos bancos regionais americanos, abalados pela queda nos lucros com o setor imobiliário comercial em meio ao aperto das condições financeiras pelo Fed.

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Efeito dominó nos bancos 

Outros bancos também estão em apuros. Houve recuo de aproximadamente 90% do lucro líquido em relação ao ano anterior na KeyCorp, cerca de 70% no Citizens Financial Group, e mais de 40% no PNC Financial Services Group.

A Truist Financial registrou prejuízo. As empresas de médio porte também enfrentaram dificuldades, como a queda de cerca de 90% no lucro líquido da Comerica e de mais de 50% do Zions Bancorporation.

Ainda mais grave, a deterioração do segmento de imóveis comerciais acende a luz amarela em Wall Street por conta do portfólio relevante de crédito desse tipo que muitos bancos regionais detêm.

O temor agora é de que um eventual colapso do setor provoque um efeito dominó que se espalhe mundo afora.

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As dificuldades em questão remontam principalmente à pandemia de covid-19, que acelerou transformações em favor do trabalho remoto.

Por que o setor imobiliário preocupa?

Embora o arrefecimento da crise sanitária tenha permitido um gradual retorno aos escritórios, a ocupação dos prédios comerciais ainda não voltou aos níveis pré-pandemia nas maiores metrópoles.

Em Manhattan, o centro financeiro de Nova York, o comparecimento às sedes das empresas representava, em dezembro, 67% do que era no final de 2019, de acordo com o Real Estate Board of New York.

O problema atinge os bancos porque muitos deles têm linhas de crédito diretas para incorporadoras e para proprietários de imóveis.

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Efeito dominó nos bancos regionais (parte 2)

Em uma segunda camada, o estresse pode se espalhar por meio dos títulos lastreados nesses empréstimos comuns nas carteiras de investimentos de instituições bancárias.

A Fitch estima que há US$ 2,8 trilhões desse tipo de empréstimo nos balanços dos bancos dos EUA, dos quais 66% estão menores.

Para a agência, a piora no valuation dos escritórios dificultará o refinanciamento do crédito tomado quando os juros eram ínfimos. "Isso aumentará os custos de crédito de CRE (imóveis comerciais) para a indústria bancária", alerta.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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