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Técnico do BC classifica as taxas do rotativo de proibitivas; chegaram a 429,5% em junho
Dados sobre o desempenho do crédito no mês de junho divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Banco Central apontam para um movimento de substituição do rotativo pelo parcelado do cartão de crédito.
Segundo Fernando Rocha, chefe do departamento de estatísticas do BC, no acumulado de 12 meses, o saldo do rotativo caiu R$ 15,1 bilhões e o do parcelado subiu quase na mesma proporção, em R$ 14,3 bilhões.
"Não nos parece que essas magnitudes iguais de redução do rotativo e aumento do parcelado sejam coincidência. Mas, sim operações de negociação entre a instituição financeira e os clientes para, digamos, buscar retirar saldos do rotativo e passar para o parcelado", afirmou.
Rocha destacou que essa troca é positiva, já que o rotativo do cartão de crédito tem taxas "proibitivas". O juro médio do rotativo ficou em 429,5% em junho, contra 180,5% do parcelado do cartão.
A queda das concessões de crédito livre para capital de giro, combinada ao aumento das taxas dessas operações, sugere que as empresas brasileiras têm buscado cada vez mais se financiar ofertando diretamente os próprios papéis no mercado de capitais, acrescenta Rocha.
"É bastante provável que as empresas que demandavam operações bancárias de capital de giro no longo prazo possam estar substituindo a modalidade por colocações de títulos próprios no mercado privado de capitais brasileiros", disse o técnico.
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O saldo do crédito para capital de giro caiu 0,1% em junho, na comparação com maio, e recua 0,1% no acumulado de 12 meses.
"Isso significa que o crédito nessa modalidade está com saldos estáveis e, quando a gente tem a modalidade crescendo, a expansão em 12 meses acelerando e o saldo dessa modalidade está estável, isso representa que ela está perdendo participação relativa nas outras modalidades", disse Rocha.
A taxa média do crédito para capital de giro cresceu 1,4 ponto porcentual em junho, na comparação com maio, de 20% para 21,4%.
O ritmo de crescimento do saldo de crédito no acumulado em 12 meses acelerou pela quinta leitura seguida em junho, destacou Rocha.
"Fevereiro, março, abril, maio e junho são cinco meses de crescimento. Nesses cinco meses, a taxa de crescimento dos saldos em 12 meses passou de 7,7% para 9,9%", disse.
O crescimento do crédito para pessoas jurídicas acumulado em 12 meses bateu 7,7% em junho, contra 3,7% em janeiro, ele observou. No crédito livre, o ritmo de expansão passou de 4,8% para 7,8% no período.
"Nas concessões com ajuste sazonal, comparando junho com maio, houve um crescimento de 3%. Esse crescimento das concessões totais foi devido às operações com as empresas, que cresceram 5,3%, depois do ajuste sazonal. E isso também é um elemento que nos sugere que a expansão das operações de descontos e duplicatas ocorreu, no junho contra maio, além do que era esperado apenas pelos fatores sazonais", disse.
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