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Com o pior janeiro de chuvas da série histórica, hidrelétricas registram 60% de armazenamento enquanto consumo aumenta mais do que o PIB do país

Quem pulou Carnaval em São Paulo viu uma cena incomum: na terra da garoa, choveu apenas na terça-feira à noite durante todo o feriado. Mas não foi só na capital paulista que o período seco vem chamando a atenção. O Operador Nacional do Sistema (ONS) ligou o sinal de alerta para este ano, depois do pior janeiro de chuvas da série histórica.
O primeiro mês do ano teve uma incidência menor de chuvas do que o esperado, enquanto a demanda de energia bateu recorde, por causa do calor acima da média.
O diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, estima que os reservatórios das hidrelétricas devem chegar pela metade no período "seco", normalmente a partir de abril.
O cenário atual é bem diferente do que ocorreu no ano anterior. Em abril de 2023, a armazenagem de água nos reservatórios estava em quase 90% do total.
Desde o final de 2023, algumas usinas térmicas já estão sendo acionadas para atender os horários de maior consumo, disse Ciocchi.
"No ano passado partimos de um ponto bem melhor, de uma situação bem mais confortável, mas a estação chuvosa (de outubro a abril) está sendo muito ruim. Este foi o pior janeiro em termos de energia natural afluente de toda a série histórica. Em 2021 se falou que era a pior situação em 91 anos, e esse janeiro foi pior", informou Ciocchi.
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As previsões para fevereiro e março também são ruins. Apesar de as hidrelétricas ainda registrarem bons níveis de armazenagem de água – em torno de 60% –, o consumo vem aumentando.
Em novembro, ultrapassou pela primeira vez os 100 mil megawatts (MW), subindo para 101 mil MW em fevereiro.
Segundo Ciocchi, estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que o crescimento é contínuo, e que o consumo de energia está aumentando mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) do país.
"Ainda temos fevereiro e março para a estação chuvosa e nada indica que vai ser muito bom. Já temos de ir alertando, como fizemos no CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) para que a situação não se complique de uma hora para outra”, explicou Ciocchi.
“Nos horários de maior consumo, que são os horários de ponta, estamos chamando (acionando) as térmicas. Apesar de ter um armazenamento de energia bom, as térmicas têm de ser acionadas para dar atendimento à carga nos horários de ponta".
Por enquanto, a resposta é não. A conta de luz não deve sentir os impactos num primeiro momento.
Isso porque a geração das usinas térmicas tem ficado em torno dos 5 mil e 6 mil MW. A carga, que ainda é tímida, não é suficiente para modificar as bandeiras que balizam o valor das contas de energia elétrica.
No entanto, se as projeções se confirmarem, o país poderá ter em 2024 um custo maior com energia elétrica devido ao maior uso das usinas térmicas.
Em 2023, a bandeira administrada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ficou verde o ano todo. A falta de acréscimo de tarifa foi impulsionada pela geração das usinas hidrelétricas, que têm custo menor do que as térmicas.
"A termoelétrica não é a vilã, ela justamente aparece para salvar a ponta (momento de maior consumo)", defendeu Ciocchi.
*Com informações do jornal Estadão Conteúdo
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