Os vilões da Intelbras (INTB3): por que as ações da companhia caem na B3 mesmo com lucro maior no 3T24?
Empresa catarinense teve expansão na receita em todos os segmentos, mas resultados vieram abaixo das expectativas; saiba o que fazer com as ações INTB3

Quem acompanhou a divulgação dos principais resultados do terceiro trimestre da Intelbras (INTB3) pode ter ficado confuso com a queda dos papéis na B3 nesta terça-feira (29).
Afinal, a empresa catarinense que atua na fabricação de soluções de tecnologia e segurança para negócios e residências registrou forte crescimento no período, com expansão da receita em todos os segmentos de atuação.
No entanto, por volta das 16h27, os papéis da Intelbras caíam 3,96% na B3, a R$ 19,67. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da B3, caía 0,32%, aos 130.792,37 pontos. As ações da Intelbras fecharam em queda de 3,32%, a R$ 19,80.
Apesar da receita maior, o balanço do 3T24 da Intelbras contou com um vilão: o dólar. Junto com o custo do frete, a alta da moeda norte-americana pressionou as margens da companhia no período.
- Leia também: Conectando esse robô na sua conta, é possível lucrar até R$ 15 mil por mês
Os destaques do balanço da Intelbras
A receita da Intelbras acelerou 33% na comparação com o mesmo período do ano passado, para R$ 1,2 bilhão. Já o lucro líquido no terceiro trimestre foi de R$ 129 milhões, uma alta de 12% na comparação anual. O EBITDA foi de R$ 151 milhões, alta anual de 17%.
A expansão da receita foi forte em todos os segmentos, com destaque para energia, que foi beneficiada pelo alto volume de projetos para geradores de energia solar com preços mais baixos. Segurança cresceu 27%, enquanto comunicação teve uma alta de 38%.
Leia Também
Margem bruta pressionada: o ‘copo meio vazio’ da Intelbras
Em análise divulgada nesta terça-feira, Larissa Quaresma, analista de ações da Empiricus, afirma que a margem bruta da Intelbras no 3T24 foi pressionada em todos os segmentos.
A margem bruta mede a porção das receitas de vendas que sobra após a empresa cobrir o custo direto dos produtos que vende.
No caso da Intelbras, a manutenção do dólar em um patamar elevado ao longo do trimestre, assim como os fretes mais caros em razão da seca no país, penalizaram a rentabilidade da companhia, especialmente nas divisões de segurança e comunicação.
“Como consequência, a margem EBITDA foi pressionada em 2 p.p. na mesma visão – a diluição das despesas foi insuficiente para compensar a pressão de margem bruta”.
Os analistas do Santander também mencionaram a deterioração das margens como fator negativo no balanço, apesar da receita líquida acima das estimativas do banco.
O Santander acredita na tese de investimento de longo prazo nas ações INTB3, já que os papéis da companhia estão sendo negociados a um valuation atrativo, segundo o banco.
Por outro lado, a questão das margens pode levantar alguns pontos de interrogação entre os investidores e impedir que as ações sejam reclassificadas no curtíssimo prazo.
Enquanto isso, o JP Morgan avaliou os resultados da Intelbras como fracos e abaixo das previsões do banco. Os analistas mencionaram justamente a pressão de custos mais altos e despesas que reduziram as margens e impactaram negativamente o EBITDA ajustado.
Para o JP Morgan, nem a recuperação das receitas foi suficiente para compensar o aumento acelerado dos custos, já que os lucros também ficaram abaixo das estimativas do banco.
Para analistas, pressões são só uma fase
Na análise do BTG Pactual, os principais fatores que contribuíram para a queda na rentabilidade — custos logísticos e desvalorização da moeda — são pressões temporárias, e não estruturais.
Os analistas observaram que as margens de setembro foram as mais robustas do período. Esse, na visão dos analistas, é um sinal promissor de que o mercado pode esperar uma recuperação nas margens até o quarto trimestre, à medida que esses fatores transitórios diminuem.
Essa também é a visão da Empiricus, mas para o ano que vem. “Passada a temporada de seca e com os reajustes de preço promovidos pela companhia para repassar o dólar maior, podemos ver alguma recuperação da rentabilidade da Intelbras em 2025.”
O Itaú BBA considerou os resultados mistos, mas ponderou que a melhoria gradual da rentabilidade mensal durante o trimestre e a redução gradual dos investimentos em estoque ainda trazem uma perspectiva positiva para a companhia no próximo trimestre.
“Esperamos que os investidores se concentrem na evolução dessa tendência de melhora no 4T24”, afirma o BBA, em relatório.
- “Preferimos estar concentrados em empresas de alta qualidade de execução”, diz a analista Larissa Quaresma; veja as 10 ações que compõem seu portfólio atual
O que fazer com as ações INTB3?
Apesar da decepção com a rentabilidade no trimestre, os analistas reiteraram recomendação de compra para as ações INTB3, que em 2024 acumulam desvalorização de 5,57%.
A Empiricus, por exemplo, ainda enxerga uma relação risco-retorno positiva para as ações da Intelbras, para qual a casa de análise mantém a recomendação de compra.
O Santander também mantém recomendação equivalente a compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 29 para 2025 — o que representa um potencial de alta de 42% sobre o fechamento anterior.
O BTG Pactual também recomenda a compra de INTB3. O preço-alvo do BTG é de R$ 38, o que indica um potencial de valorização de 86% para as ações da Intelbras em 2025 em relação ao preço do fechamento anterior.
Por fim, o Itaú BBA tem recomendação outperform para as ações INTB3, equivalente a compra. O preço-alvo é de 26%, o que indica um potencial de valorização de 27%.
MUDANÇAS NO TOPO
Uma nova dança das cadeiras na Cemig (CMIG4): CEO deixa o cargo três meses depois de assumir
31 de agosto de 2026 - 10:52MUDANÇA NO TOPO
Depois de 10 anos, Natura (NATU3) troca de CEO; veja quem irá liderar a próxima fase da empresa
31 de agosto de 2026 - 9:30EM CRISE
Os Correios tentam virar a página, mas o balanço conta outra história; governo deve entrar com ajuda bilionária em 2027
30 de agosto de 2026 - 14:52COMPETIÇÃO ACIRRADA
Casas Bahia, Americanas, Magazine Luiza e outras varejistas fecham mais de 1,1 mil lojas em quatro anos
30 de agosto de 2026 - 13:25MODO FULL POWER
C&A (CEAB3) prepara uma “colheita” de caixa e ação pode disparar mais de 120%, segundo Itaú BBA
29 de agosto de 2026 - 17:01SOB NOVA DIREÇÃO
Dança das cadeiras na Brava Energia (BRAV3): conselheiro renuncia em meio às mudanças promovidas pela Ecopetrol
29 de agosto de 2026 - 13:17BOM DEMAIS PARA SER VERDADE?
Ganho de 1200%: Por que os acionistas da Oncoclínicas (ONCO3) podem receber cerca de R$ 16 por uma ação que hoje vale menos de R$ 2?
29 de agosto de 2026 - 10:30REI DOS DIVIDENDOS
A ação queridinha de Luiz Barsi entra na cobertura do BTG — mas recomendação não é o que se espera
28 de agosto de 2026 - 18:00Conteúdo BTG Pactual
Macro Day: O que os principais economistas e gestores projetam para os próximos meses? Descubra no evento anual e gratuito do BTG Pactual
28 de agosto de 2026 - 14:00DÍVIDAS
Mais uma: Fertilizantes Heringer S.A. (FHER3) pede proteção na Justiça contra credores
28 de agosto de 2026 - 10:34A ALEGRIA DUROU POUCO
Ações da Braskem (BRKM5) disparam 19% com ajuda da Petrobras (PETR4), mas DPU cobra R$ 5 bilhões no fim do dia
27 de agosto de 2026 - 19:56ARRUMANDO A CASA
Advent ganha cadeira na Natura (NATU3): acionistas aprovam entrada da gestora e dispensam OPA
27 de agosto de 2026 - 19:14POR TRÁS DA TESE
Virada de chave da Nvidia (NVDC34) após o balanço: ação sobe mais de 8% e grandes bancos dizem que é hora de comprar
27 de agosto de 2026 - 13:45AMBIÇÃO GLOBAL
Votorantim S.A. faz troca de ações que a deixa mais perto da Nasdaq — mas não é a que você pensa
27 de agosto de 2026 - 13:03OFERTA PÚBLICA DE AQUISIÇÃO
O bilhete premiado de ONCO3 é para todos? Entenda decisão da CVM sobre oferta que exige preço quase 8 vezes mais que o valor atual
27 de agosto de 2026 - 11:15BALANÇOS
Salesforce dobra lucro e ação dispara 14% em Nova York; Nvidia supera projeções, mas investidores castigam papéis
26 de agosto de 2026 - 18:13LISTA NÃO ACABA
Mais uma: dona do Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 milhões
26 de agosto de 2026 - 18:05O QUE VEM AÍ
C&A (CEAB3) liga o modo “Full Power”: varejista planeja abrir até 80 lojas e acelerar investimentos até 2030
26 de agosto de 2026 - 16:15FOI ÀS COMPRAS