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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

ENTRE BALANÇOS E FUSÕES

É oficial: AES Brasil e Auren (AURE3) criam a 3ª maior geradora de energia do país — mas maioria dos acionistas de AESB3 pula fora do negócio

Para além da combinação de negócios, as empresas de energia elétrica divulgaram ontem os balanços do terceiro trimestre de 2024; confira os números

Camille Lima
Camille Lima
31 de outubro de 2024
11:03
AES Brasil (AESB3)
AES Brasil (AESB3) - Imagem: Divulgação

Agora é oficial: Auren (AURE3) e a AES Brasil (AESB3) definiram a combinação de negócios que forma a terceira maior empresa de geração de energia do país nesta quinta-feira (31).

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Nos cinco últimos dias, as ações AESB3 despencaram mais de 30% em ajuste a uma das opções que a Auren propôs para fazer a incorporação (leia mais abaixo). 

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Como todas as condições estipuladas em contrato foram alcançadas, a operação foi fechada nesta manhã. Com isso, hoje será o último dia de negociação das ações AESB3 na bolsa brasileira.

A conclusão da transação oficialmente dá vida a uma das maiores empresas do setor de energia elétrica do Brasil, com uma receita de R$ 9,6 bilhões e R$ 30 bilhões em valor da firma.

O negócio deixa a Auren atrás apenas da Eletrobras (ELET3) e da Engie —, com 8,8 GW de capacidade instalada 100% renovável.

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Um baque no caixa da Auren (AURE3)

Mas o resultado da combinação de negócios deixou claro uma coisa: a maioria esmagadora de investidores da AES não quer se tornar sócia da nova empresa combinada sob o guarda-chuva da Auren (AURE3) — pelo menos, não nas condições atuais.

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Já que a AES se tornará uma subsidiária integral da Auren, os donos dos papéis AESB3 precisaram escolher o que pretendiam fazer com a fatia que detêm hoje na companhia. No total, eram três opções de troca de ações a receber ao fim da operação:

  • Opção 1: Cerca de R$ 1,18 e 0,67498865568 novas ações Auren (90% em ações e 10% em dinheiro);
  • Opção 2: Cerca de R$ 5,92 e 0,37499369760 novas ações Auren (50% em ações e 50% em dinheiro); ou 
  • Opção 3: Receber 100% em dinheiro, a aproximadamente R$ 11,84.

No total, em torno de 87,6% dos acionistas da AES Brasil (AESB3) escolheram a Opção 3, enquanto 12,3% dos investidores optaram pela Opção 1 — quem não escolheu a forma de recebimento até a última terça-feira também será convertido nesta opção.

O resultado não foi de todo surpreendente. Afinal, ao optar pelo resgate total em dinheiro, os investidores embolsarão uma grana na conversão. 

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Como o acionista teve a opção de vender os papéis para a Auren a R$ 11,84 (opção 3), o valor que ele receberá é 44,4% maior em relação à cotação das ações no fim do pregão da última quarta-feira (30), de R$ 8,20.

O desfecho da transação representa um forte baque para o caixa da Auren. Afinal, cerca de 88,9% da transação deverá ser liquidada em dinheiro, em um desembolso de cerca de R$ 6,35 bilhões em caixa para pagar esses investidores.

Isso deve elevar a alavancagem combinada das empresas para 5,5 vezes a relação dívida líquida sobre o Ebitda, segundo as contas do JP Morgan — um dos maiores patamares da cobertura do banco no setor.

Com a operação, a Auren ainda deverá emitir em torno de 50,37 milhões de novas ações AURE3 para creditar aos acionistas da AES Brasil.

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“Gostamos da Auren e recomendamos a compra. A única razão pela qual não focamos nela como uma Top Pick é por causa de sua alavancagem pós-fusão, o que levará a empresa a se concentrar em absorver a aquisição alavancada”, disse o BTG Pactual. 

No entanto, ao considerar uma perspectiva de longo prazo, os analistas afirmam que “definitivamente a empresa tomou a decisão certa ao adquirir a AES”.

Os próximos passos da fusão entre Auren (AURE3) e a AES Brasil (AESB3)

Para os investidores da AES Brasil (AESB3) que optaram por receber parte do pagamento em ações da Auren — seja na Opção 1 ou 2 —, o crédito dos novos papéis deve acontecer a partir da próxima terça-feira (5).

Já o depósito em dinheiro, em todas as opções de troca da fusão, está previsto para ser feito no dia 8 de novembro.

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DataEvento
31/10/2024Último dia de negociação das ações AESB3 na B3Data de fechamento da fusão
01/11/2024Início da negociação das Novas Ações Auren na B3
05/11/2024Crédito das Novas Ações Auren aos atuais acionistas da AES Brasil que optarem pela Opção 1 ou pela Opção 2
08/11/2024Pagamento em dinheiro 
Fonte: RI das empresas.

Vale lembrar que as datas ainda podem sofrer alterações.

De olho nos balanços

Em meio a fortes secas e a condições climáticas cada vez mais adversas no país, a AES Brasil (AESB3) divulgou mais um balanço aquém das expectativas. 

A companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 73,6 milhões no terceiro trimestre, revertendo os ganhos de R$ 124,4 milhões vistos no mesmo período do ano passado.

O faturamento manteve o ritmo de crescimento, com a receita líquida chegando a R$ 1,1 bilhão entre julho e setembro, avanço de 21,3% no comparativo anual.

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O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, indicador usado pelo mercado para mensurar a capacidade de geração de caixa de uma empresa, também encolheu 10,5% na mesma base de comparação, a R$ 377,8 milhões.

Enquanto isso, a geração total de energia também caiu 12,3% em base anual, para 3,77 mil gigawatts-hora no terceiro trimestre de 2024. O resultado continuou a ser pressionado pelo desempenho fraco dos ativos de geração hidrelétrica, que despencou 31,8%, e eólica, que caiu 11,1%.

Segundo os analistas do JP Morgan, com a produção hidrelétrica em queda devido às condições de seca e aumento dos preços à vista (spot), a empresa precisou aumentar as compras de energia para enfrentar a redução em parques eólicos e o negócio de negociação gerou perdas. 

Com isso, o custo da AES Brasil com energia, que considera encargos setoriais e de transmissão, também piorou 67,3% na relação com igual intervalo de 2023, somando gastos da ordem de R$ 537 milhões.

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Já o resultado trimestral da Auren (AURE3) foi menos decepcionante, segundo o BTG Pactual. 

Veja os destaques:

  • Lucro líquido: R$ 270,8 milhões no 3T24, revertendo as perdas de R$ 838,1 milhões do 3T23;
  • Receita líquida: R$ 2,04 bilhões (+25,8% a/a);
  • Ebitda ajustado: R$ 484,3 milhões no 3T24 (+6,9% a/a);

Para o BTG, o terceiro trimestre foi sólido para a Auren na frente de vendas de energia, preenchendo as lacunas até 2028 e empurrando o risco não contratado para frente. 

Outro ponto positivo do balanço é que a Auren conseguiu interromper a queima de caixa no terceiro trimestre, com um fluxo de caixa livre positivo em R$ 283,8 milhões.

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No entanto, o endividamento líquido quase dobrou em igual período, para R$ 2,89 bilhões, um avanço de 156,2% frente ao terceiro trimestre do ano passado. 

Com isso, a alavancagem financeira da companhia subiu para 1,6 vez a relação entre a dívida líquida e o Ebitda dos últimos 12 meses.

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