É oficial: AES Brasil e Auren (AURE3) criam a 3ª maior geradora de energia do país — mas maioria dos acionistas de AESB3 pula fora do negócio
Para além da combinação de negócios, as empresas de energia elétrica divulgaram ontem os balanços do terceiro trimestre de 2024; confira os números

Agora é oficial: Auren (AURE3) e a AES Brasil (AESB3) definiram a combinação de negócios que forma a terceira maior empresa de geração de energia do país nesta quinta-feira (31).
Nos cinco últimos dias, as ações AESB3 despencaram mais de 30% em ajuste a uma das opções que a Auren propôs para fazer a incorporação (leia mais abaixo).
- Temporada de balanços: fique por dentro dos resultados e análises mais importantes para o seu bolso com a cobertura exclusiva do Seu Dinheiro; acesse aqui gratuitamente
Como todas as condições estipuladas em contrato foram alcançadas, a operação foi fechada nesta manhã. Com isso, hoje será o último dia de negociação das ações AESB3 na bolsa brasileira.
A conclusão da transação oficialmente dá vida a uma das maiores empresas do setor de energia elétrica do Brasil, com uma receita de R$ 9,6 bilhões e R$ 30 bilhões em valor da firma.
O negócio deixa a Auren atrás apenas da Eletrobras (ELET3) e da Engie —, com 8,8 GW de capacidade instalada 100% renovável.
Um baque no caixa da Auren (AURE3)
Mas o resultado da combinação de negócios deixou claro uma coisa: a maioria esmagadora de investidores da AES não quer se tornar sócia da nova empresa combinada sob o guarda-chuva da Auren (AURE3) — pelo menos, não nas condições atuais.
Leia Também
Já que a AES se tornará uma subsidiária integral da Auren, os donos dos papéis AESB3 precisaram escolher o que pretendiam fazer com a fatia que detêm hoje na companhia. No total, eram três opções de troca de ações a receber ao fim da operação:
- Opção 1: Cerca de R$ 1,18 e 0,67498865568 novas ações Auren (90% em ações e 10% em dinheiro);
- Opção 2: Cerca de R$ 5,92 e 0,37499369760 novas ações Auren (50% em ações e 50% em dinheiro); ou
- Opção 3: Receber 100% em dinheiro, a aproximadamente R$ 11,84.
No total, em torno de 87,6% dos acionistas da AES Brasil (AESB3) escolheram a Opção 3, enquanto 12,3% dos investidores optaram pela Opção 1 — quem não escolheu a forma de recebimento até a última terça-feira também será convertido nesta opção.
O resultado não foi de todo surpreendente. Afinal, ao optar pelo resgate total em dinheiro, os investidores embolsarão uma grana na conversão.
Como o acionista teve a opção de vender os papéis para a Auren a R$ 11,84 (opção 3), o valor que ele receberá é 44,4% maior em relação à cotação das ações no fim do pregão da última quarta-feira (30), de R$ 8,20.
O desfecho da transação representa um forte baque para o caixa da Auren. Afinal, cerca de 88,9% da transação deverá ser liquidada em dinheiro, em um desembolso de cerca de R$ 6,35 bilhões em caixa para pagar esses investidores.
Isso deve elevar a alavancagem combinada das empresas para 5,5 vezes a relação dívida líquida sobre o Ebitda, segundo as contas do JP Morgan — um dos maiores patamares da cobertura do banco no setor.
Com a operação, a Auren ainda deverá emitir em torno de 50,37 milhões de novas ações AURE3 para creditar aos acionistas da AES Brasil.
“Gostamos da Auren e recomendamos a compra. A única razão pela qual não focamos nela como uma Top Pick é por causa de sua alavancagem pós-fusão, o que levará a empresa a se concentrar em absorver a aquisição alavancada”, disse o BTG Pactual.
No entanto, ao considerar uma perspectiva de longo prazo, os analistas afirmam que “definitivamente a empresa tomou a decisão certa ao adquirir a AES”.
Os próximos passos da fusão entre Auren (AURE3) e a AES Brasil (AESB3)
Para os investidores da AES Brasil (AESB3) que optaram por receber parte do pagamento em ações da Auren — seja na Opção 1 ou 2 —, o crédito dos novos papéis deve acontecer a partir da próxima terça-feira (5).
Já o depósito em dinheiro, em todas as opções de troca da fusão, está previsto para ser feito no dia 8 de novembro.
| Data | Evento |
|---|---|
| 31/10/2024 | Último dia de negociação das ações AESB3 na B3Data de fechamento da fusão |
| 01/11/2024 | Início da negociação das Novas Ações Auren na B3 |
| 05/11/2024 | Crédito das Novas Ações Auren aos atuais acionistas da AES Brasil que optarem pela Opção 1 ou pela Opção 2 |
| 08/11/2024 | Pagamento em dinheiro |
Vale lembrar que as datas ainda podem sofrer alterações.
De olho nos balanços
Em meio a fortes secas e a condições climáticas cada vez mais adversas no país, a AES Brasil (AESB3) divulgou mais um balanço aquém das expectativas.
A companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 73,6 milhões no terceiro trimestre, revertendo os ganhos de R$ 124,4 milhões vistos no mesmo período do ano passado.
O faturamento manteve o ritmo de crescimento, com a receita líquida chegando a R$ 1,1 bilhão entre julho e setembro, avanço de 21,3% no comparativo anual.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, indicador usado pelo mercado para mensurar a capacidade de geração de caixa de uma empresa, também encolheu 10,5% na mesma base de comparação, a R$ 377,8 milhões.
Enquanto isso, a geração total de energia também caiu 12,3% em base anual, para 3,77 mil gigawatts-hora no terceiro trimestre de 2024. O resultado continuou a ser pressionado pelo desempenho fraco dos ativos de geração hidrelétrica, que despencou 31,8%, e eólica, que caiu 11,1%.
Segundo os analistas do JP Morgan, com a produção hidrelétrica em queda devido às condições de seca e aumento dos preços à vista (spot), a empresa precisou aumentar as compras de energia para enfrentar a redução em parques eólicos e o negócio de negociação gerou perdas.
Com isso, o custo da AES Brasil com energia, que considera encargos setoriais e de transmissão, também piorou 67,3% na relação com igual intervalo de 2023, somando gastos da ordem de R$ 537 milhões.
- Temporada de balanços do 3T24: saiba quais setores e empresas devem se destacar positivamente e negativamente
Já o resultado trimestral da Auren (AURE3) foi menos decepcionante, segundo o BTG Pactual.
Veja os destaques:
- Lucro líquido: R$ 270,8 milhões no 3T24, revertendo as perdas de R$ 838,1 milhões do 3T23;
- Receita líquida: R$ 2,04 bilhões (+25,8% a/a);
- Ebitda ajustado: R$ 484,3 milhões no 3T24 (+6,9% a/a);
Para o BTG, o terceiro trimestre foi sólido para a Auren na frente de vendas de energia, preenchendo as lacunas até 2028 e empurrando o risco não contratado para frente.
Outro ponto positivo do balanço é que a Auren conseguiu interromper a queima de caixa no terceiro trimestre, com um fluxo de caixa livre positivo em R$ 283,8 milhões.
No entanto, o endividamento líquido quase dobrou em igual período, para R$ 2,89 bilhões, um avanço de 156,2% frente ao terceiro trimestre do ano passado.
Com isso, a alavancagem financeira da companhia subiu para 1,6 vez a relação entre a dívida líquida e o Ebitda dos últimos 12 meses.
OS BASTIDORES DA OPERAÇÃO
Por dentro da Shopee: 150 mil tipos de produtos, muitas mãos e uma corrida para fazer cada pedido chegar à sua casa
28 de outubro de 2026 - 10:46BALANÇO
Santander Brasil (SANB11) frustra no 3T26: lucro tomba 28% e ROE cai a 11,9%; veja os destaques do balanço
28 de outubro de 2026 - 6:16POTENCIAL DE ALTA
Maré favorável? Citi inicia cobertura da OceanPact (OPCT3) e vê espaço para alta de 48%
27 de outubro de 2026 - 17:06PRÉVIA DO BALANÇO
Lucro menor, calotes no radar e recuperação adiada: o que esperar do balanço do Santander Brasil (SANB11) no 3T26
27 de outubro de 2026 - 13:28FACA AFIADA
Citi manda vender Banco do Brasil (BBAS3) após eleições; veja o que colocar no lugar
27 de outubro de 2026 - 13:09SD ENTREVISTA
Agência com cara de hotel? A aposta do Bradesco (BBDC4) para atrair clientes endinheirados
27 de outubro de 2026 - 12:03APOSTA NO LUXO
Massagem, hotéis Fasano e descontos: a nova cartada do Itaú (ITUB4) e da JHSF (JHSF3) para conquistar os clientes ricos
27 de outubro de 2026 - 8:33VAI DE BOLSA
Após SpaceX (SPCX), Anthropic quer entrar no grupo do ‘IPO do trilhão’ com documento enviado à SEC
26 de outubro de 2026 - 14:45AQUISIÇÃO BILIONÁRIA
Itaú (ITUB4) desembolsa R$ 2,925 bilhões para comprar NeoSpace e fortalecer operação de inteligência artificial
26 de outubro de 2026 - 9:12AGORA VAI?
Oncoclínicas (ONCO3) avança em reestruturação e apresenta novo plano para renegociar R$ 5,7 bilhões em dívidas
23 de outubro de 2026 - 19:43MAIS UM RECORDE
Embraer (EMBJ3) tem novo recorde na carteira de pedidos, que totalizou US$ 35,7 bilhões no 3T26; veja os números
23 de outubro de 2026 - 16:48BARATA DEMAIS?
Petz Cobasi (AUAU3) quer recomprar até 17,6 milhões de ações; o que isso significa para o acionista?
23 de outubro de 2026 - 16:21Conteúdo Empiricus
A Warner vale US$ 110 bilhões? Entenda por que saber o preço justo da sua empresa pode fazer a diferença em uma negociação
23 de outubro de 2026 - 14:00DEPOIS DO RESULTADO....
Crédito sob pressão: CEO do Bradesco (BBDC4) defende qualidade da carteira, mas mercado teme perda de ritmo
23 de outubro de 2026 - 11:46BALANÇO
Lucro do Bradesco (BBDC4) sobe 14% no 3T26, a R$ 7,1 bilhões; calotes podem frear a virada?
22 de outubro de 2026 - 18:07NEGÓCIO EM ANDAMENTO
CSN (CSNA3): Agora vai? Venda da CSN Cimentos deve sair nas próximas 2 semanas, mas sem exclusividade, diz jornal
22 de outubro de 2026 - 17:58O QUE PESOU NO 3T26?
A conta chegou para a WEG (WEGE3): custos e tarifas dos EUA pressionam margens; veja o que diz a empresa
22 de outubro de 2026 - 17:18ALTA DE 22% EM DÓLAR
Petrobras (PETR4) supera gigantes globais e emplaca a maior valorização do setor em outubro. Além do petróleo, o que está por trás?
22 de outubro de 2026 - 16:42O QUE DIZEM OS ANALISTAS?
JBS (JBSS32): balanço do 3T26 deve ser fraco, mas bancos veem espaço para alta de até 41% nas ações
22 de outubro de 2026 - 14:22PÉ NO FREIO