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Com mais de R$ 395 milhões em dívidas, Polishop pede recuperação judicial, mas bancões tentam reter valores

Além da recuperação judicial, a Polishop vem tentando se blindar dos credores financeiros por meio de cautela tutelar

Loja da rede varejista Polishop
Loja da rede varejista Polishop - Imagem: Wikimedia Commons

A Polishop está no meio da pior crise financeira de sua história. Com uma dívida de R$ 395 milhões com credores, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial. O objetivo é suspender a execução de dívidas e despejos, enquanto tenta negociar o débito milionário. O requerimento foi feito no início de maio, mas ainda não foi julgado pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

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A Polishop vem tentando se blindar dos credores e evitar a retenção de valores das dívidas financeiras. Em abril, a empresa solicitou tutela cautelar, medida que antecipa efeitos da recuperação judicial. Além disso, também pediu a liberação das quantias já bloqueadas pelos bancos.

A liminar foi concedida no mesmo dia. Segundo parecer do juiz, “se todos os recebíveis forem imediatamente retidos, sem respeitar os termos contratados não haverá possibilidade de recuperação”. 

Com a decisão favorável à Polishop, os bancos credores terão que devolver os valores já bloqueados da varejista. Caso o veredicto não seja respeitado, será aplicada multa diária de R$ 10 mil. 

Agora, as instituições financeiras tentam reverter a decisão. Itaú Unibanco, BV, e Banco Safra fazem parte da lista de credores.

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O BV solicitou que o juiz faça uma revisão da decisão e negue a restituição dos valores já adquiridos. Procurada pelo Seu Dinheiro, a instituição não retornou até a publicação desta matéria.

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Já o Itaú Unibanco pediu a anulação das multas e o reconhecimento da legalidade na retenção dos valores devidos pela Polishop.

O processo de recuperação judicial também pode dificultar o acesso dos bancões ao pagamento das dívidas.

Com a aprovação do pedido, a Polishop traçará um plano de reestruturação da empresa, que determina as prioridades de pagamento.

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Caso os bancos não entrem na “fila prioritária”, podem demorar ainda mais para receber os valores devidos.

Confira a lista dos principais credores financeiros da Polishop:

  • Laqus (R$ 52,6 milhões)
  • BMP Money Plus (R$ 26,6 milhões)
  • Banco do Brasil (R$ 24,5 milhões)
  • Bradesco (R$ 11,3 milhões)
  • Itaú (R$ 9,5 milhões)
  • Sofisa (R$8,7 milhões)
  • Banco Safra (R$ 5,1 milhões)
  • Banco Original (R$ 4,6 milhões)
  • Daycoval (R$ 4,6 milhões)
  • BV (3,6 milhões)

A queda da Polishop

Os problemas da varejista são de longa data. Já em 2020, com a pandemia do coronavírus, a Polishop teve que demitir cerca de 2 mil funcionários.

A reabertura após o fim da crise sanitária não foi o suficiente para impulsionar os negócios. A empresa passou de 280 lojas físicas para 49 nos últimos quatro anos. 

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Em 2022, a varejista passou a ser alvo de processos e de ordem de despejo dos shoppings, onde a Polishop mantinha as lojas, por falta de pagamento de aluguéis.

Até agora, a empresa já fechou mais de 100 estabelecimentos e possui mais de 50 ações de despejo.

Segundo informações do Valor Econômico, os sócios da Polishop chegaram a injetar recursos de ativos vendidos para equilibrar o capital da empresa em 2022 e 2023.

De acordo com o fundador da empresa, João Appolinário, a crise financeira foi impulsionada pela alta dos juros e a queda da demanda de produtos para serviços do lar.

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Em entrevista para o IstoÉ Dinheiro, o empresário havia revelado que planejava entrar no mercado de franchising e fazer aporte de R$ 50 milhões para iniciar processo de recuperação da companhia.

Agora, caso a Justiça de São Paulo aceite o pedido de recuperação judicial, a rede de varejo terá suas dívidas congeladas durante 180 dias.

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