Achou o ovo caro? Dois motivos para o preço do chocolate continuar subindo, mesmo depois da Páscoa
Os contratos futuros do cacau negociados em Nova York e em Londres acabam de atingir a maior cotação de todos os tempos

A época da Páscoa perdeu um pouco a magia nos últimos anos. A alta no preço dos tradicionais ovos de chocolate deixou um gosto um pouco mais amargo na boca de quem precisa colocar um ou mais produtos na cesta de compras.
E se você é do time das barras, apesar de relativamente mais baratas, não há muito o que comemorar. A qualidade dos produtos realmente caiu e tudo tem a ver com a matéria-prima para a fabricação do chocolate: o cacau.
Segundo um levantamento do Barchart, os preços dos contratos futuros do cacau negociados na bolsa de Nova York (ICE NY) tiveram uma alta de 4,44% somente na última sexta-feira (22).
Outros contratos, negociados na bolsa de Londres, Inglaterra, tiveram alta de 4,53% naquele mesmo dia. Com isso, ambos contratos registraram o maior preço do cacau da história.
Os analistas enxergam que a demanda global por produtos que levam cacau — como o próprio chocolate — vem crescendo exponencialmente nos últimos anos. Ao mesmo tempo, há um gargalo na produção, o que se reflete nos preços.
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Chocolate mais caro: baixas exportações…
O principal responsável por isso é a Costa do Marfim, o maior produtor mundial de cacau. Dados recentes do governo marfinense mostraram que os produtores locais enviaram 1,26 milhão de toneladas de cacau aos portos de 1º de outubro a 18 de março. Isso representa uma queda de 28% em relação a um ano antes.
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Além disso, de acordo com o órgão que regula o setor na Costa do Marfim, o país espera que a safra intermediária, que começa oficialmente em abril e é a menor das duas colheitas anuais, caia de 33% (de 600 mil para 400 mil toneladas).
Segundo a corretora Ecom Agroindustrial, as projeções indicam que a produção de cacau da Costa do Marfim no ano fiscal 2023/2024 — que termina em setembro — deve cair 21,5%. Como se não bastasse, os estoques de cacau monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos caíram para uma mínima de 3 anos.
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… e mudanças climáticas além da Páscoa
A queda na produção se deve principalmente a uma série de pragas nas plantações da África Ocidental ao longo do ano passado, o que foi intensificado por eventos climáticos extremos, como o El Niño, e as mudanças nas dinâmicas do tempo.
O aumento de preços já está começando a frear a demanda por cacau.
As associações calculam essa demanda pela moagem do cacau e já começam a ver quedas expressivas nos números:
| Associação | Queda Ano a Ano |
| Associação do Cacau da Ásia | 8,5% |
| Associação Nacional de Confeiteiros (América do Norte) | 3,0% |
| Associação Europeia do Cacau | 2,5% |
Mesmo assim, ainda que o El Niño tenha seus efeitos atenuados pelo La Niña, a retomada da produção não deve ser suficiente para acompanhar a demanda global.
Em outras palavras, o chocolate deve continuar caro, mesmo depois da Páscoa.
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