Um alerta para Galípolo: Focus traz inflação de 2025 acima do teto da meta pela primeira vez e eleva projeções para a Selic e o dólar até 2027
Se as projeções se confirmarem, um dos primeiros atos de Galípolo à frente do BC será a publicação de uma carta pública para explicar o estouro do teto da meta

A edição do boletim Focus que antecede a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) com Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central (BC) contém uma série de alertas para seu sucessor, Gabriel Galípolo.
As projeções dos economistas de mercado para a inflação, o dólar e os juros subiram ao longo de todo o horizonte contemplado pelo BC, que se estende até 2027.
As estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) também cresceram, mas apenas no que se refere a 2024 e 2025.
Confira a seguir os destaques da mais recente edição da pesquisa semanal Focus, que antecede a última reunião do Copom em 2024.
Inflação acima do teto da meta em 2024 e também em 2025
A luta do Banco Central contra o dragão da inflação em 2024 já é dada como perdida pelos economistas de mercado há mais de um mês.
Agora a estimativa para o IPCA acumulado ao longo do ano que se encerra subiu de 4,71% na semana passada para 4,84%.
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Se isso se confirmar, um dos primeiros atos de Gabriel Galípolo à frente do BC será a publicação de uma carta pública endereçada aos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet, para explicar o IPCA acima do teto da meta de inflação.
Para os participantes do mercado, porém, a inflação de 2025 segue pelo mesmo caminho.
A projeção para o IPCA acumulado do ano que vem subiu pela oitava semana seguida, passando de 4,40% na edição anterior da Focus para 4,59% na atual.
Um alerta para Galípolo
Esta é a primeira vez que as projeções para a inflação de 2024 e de 2025 aparecem juntas acima do teto da meta, que é de 4,50% para ambos os exercícios.
Mas esse não é o único problema para Galípolo.
A Focus também mostra a projeção para o IPCA de 2026 subindo para 4,00%, de 3,81% na semana passada. Já a estimativa para 2027 foi a 3,58%, de 3,50% na mesma comparação.
Até quanto Galípolo vai precisar subir os juros
A elevação das estimativas para a inflação coincide com a alta das projeções para a taxa de juros também ao longo de todo o período sondado pela Focus.
O Copom vai se reunir pela última vez em 2024 entre amanhã e quarta-feira. Será o último encontro do colegiado sob o comando de Roberto Campos Neto.
A taxa Selic encontra-se atualmente em 11,25% ao ano. Até a semana passada, os participantes do mercado antecipavam uma alta da taxa básica de juros a 11,75% ao ano. Agora eles avaliam, na mediana, que a Selic fechará 2024 em 12,00%.
No entanto, junto com a pressão inflacionária, os economistas de mercado acreditam que Gabriel Galípolo precisará elevar os juros bem mais do que talvez ele gostaria.
Da semana passada para cá, as projeções para os próximos anos também subiram. Elas passaram de 12,63% para 13,50% em 2025, de 10,50% para 11,00% em 2026 e de 9,50% para 10,00% em 2027.
Dólar também pressiona
Quem também aparece em alta ao longo de todo o período analisado pelo Banco Central é o dólar.
Desde a divulgação do último pacote fiscal do governo, o dólar situa-se acima dos R$ 6,00.
Chamou a atenção o fato de a mesa de operações do Banco Central, chefiada por Galípolo desde julho do ano passado, não ter entrado no mercado para conter a volatilidade do câmbio diante da recente disparada do dólar.
Vale observar ainda que, desde a posse de Galípolo como diretor de política monetária, o BC promoveu apenas um leilão de dólares à vista. Aconteceu em agosto deste ano.
Em meio a esse cenário, a projeção dos economistas para a taxa de câmbio na virada do ano passou de R$ 5,70 para R$ 5,95.
As estimativas para os próximos anos também aumentaram. Elas passaram de R$ 5,60 para R$ 5,77 no ano que vem, de R$ 5,60 para R$ 5,73 em 2026 e de R$ 5,50 para R$ 5,69 em 2027.
Como vai ficar o PIB
As projeções para o PIB do Brasil também estão em alta na Focus.
A estimativa para a expansão do PIB de 2024 subiu pela terceira semana seguida, passando de +3,22% na pesquisa anterior para +3,39% agora.
A estimativa para o PIB de 2025 também cresceu nesse intervalo, passando de +1,95% para +2,00%.
É um sinal de que, embora o resultado do PIB brasileiro venha surpreendendo os analistas, a alta dos juros em algum momento vai cobrar a conta por meio da inibição da atividade econômica.
Ainda assim, as projeções para 2026 e 2027 sugerem que Galípolo terá alguma margem de manobra para mitigar esse impacto. Elas seguem estáveis em +2,00% ao ano há 70 e 72 semanas, respectivamente.
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