Campos Neto fala que o Brasil precisa de ‘choque’ na política fiscal para voltar a atrair investimentos e reduzir prêmio de risco da bolsa
Em evento do Itaú em Washington, diretor do Banco Central também fala sobre meta de inflação e dá pistas sobre o futuro após ‘passar o bastão’ para Gabriel Galípolo em 2025

O Brasil precisa inspirar confiança no mercado e reverter o pessimismo que paira sobre a política fiscal e, consequentemente, sobre a bolsa. Esta é “recomendação” de Roberto Campos Neto, diretor do Banco Central. "Precisamos de notícias que produzam um choque positivo para reverter o prêmio de risco, que cresceu nas últimas semanas”, disse.
Em evento promovido pelo Itaú, em Washington (EUA), o diretor adiantou que o governo deve anunciar novas medidas após as eleições.
Estes ajustes serão muito bem-vindos, na visão do membro do BC, para reduzir o prêmio de risco associado ao investimento em ativos de risco no Brasil e para que o mercado volte a acreditar na convergência da dívida. Campos Neto ainda relembrou que toda vez que o país conseguiu cortar os juros e mantê-los baixos, houve um “choque fiscal positivo”.
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No entanto, ele reforçou que não é trabalho do BC combater a precificação do mercado. "Nós devemos tentar entender a informação dos preços, e acho que, olhando para a ponta longa, o preço não parece compatível com os fundamentos", afirmou.
Banco Central não vai ‘desistir’ da meta de inflação
O diretor do BC também reiterou que a autoridade monetária vai seguir buscando a meta de inflação e que está “procurando uma forma” de fazer isso. Mesmo com a inflação mais baixa, ele não considera que o jogo está ganho, já que a meta perseguida pelo BC também é menor.
"Não acho que esteja tudo bem porque a inflação está menor do que a média histórica. Nosso trabalho é fazer a inflação convergir para a meta", comentou.
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O presidente do BC disse, mais uma vez, que os bancos centrais podem cometer dois erros: subir demais, ou não subir os juros o suficiente.
Ele salientou, porém, que há consenso de que bancos centrais de mercados emergentes não podem errar por fazer pouco, dado o histórico inflacionário. "Para o Brasil, o custo de fazer muito pouco é maior do que o de fazer demais."
BC não é ‘dominado’ pelo fiscal
Para Campos Neto, não há um cenário de “dominância fiscal” no Brasil, em que seria impossível elevar os juros, devido ao impacto negativo sobre as contas públicas.
Ele também negou que a política fiscal seja incompatível com uma meta de inflação de 3%.
"O que eu vejo, e eu estou aqui há seis anos, é que por um longo tempo, quando nós anunciávamos a meta de inflação, a inflação esperada convergia rapidamente à meta", ele disse. "Quando anunciamos a mudança de 3,25% para 3%, demorou duas semanas para convergir. Mas o governo mudou e começou a falar de mudar a meta, a desafiar o BC. Então, houve incerteza sobre a meta."
Reforçando a posição data dependent (baseada em dados), Campos Neto observou que, diante de muitas incertezas, é preciso aguardar como o cenário vai se desenvolver. Ele frisou, contudo, que o BC tem buscado ser transparente, abrindo modelos e dados ao mercado, ao mesmo tempo em que leva em conta as expectativas de inflação do mercado nas decisões de política monetária.
O presidente da autoridade monetária destacou que o Brasil é o único país com aumentos de juros precificados na curva. Durante o evento em Washington, o banqueiro central observou que muitos países estão na direção contrária, com o mercado antecipando o afrouxamento da política monetária.
Ele ponderou que o comportamento dos juros no mundo vai depender muito do que será feito nos Estados Unidos, onde o Federal Reserve também começou a reduzir suas taxas.
Qual será o futuro de Campos Neto após sair do Banco Central? Futuro após deixar a diretora do BC
Ao terminar o mandato na presidência da autoridade monetária, Roberto Campos Neto afirmou que deve migrar para a área de tecnologia e finanças. “Há muitas especulações sobre o que eu vou fazer em 2025, nenhuma é verdadeira”, disse.
"Eu sei que vou tirar um mês de férias e, então, vou ver que tipo de trabalho consigo”. Ele negou ter quaisquer outros planos para o próximo ano.
* Com informações do Estadão Conteúdo.
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