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Por enquanto, nem todo mundo vai se beneficiar a medida, que tem como alvos fundos de hedge, private equity e family offices
A recente onda das criptomoedas tem impactado o mundo todo, e Hong Kong não ficou de fora. Para atrair investidores, a ilha planeja isentar de impostos os ganhos de investimento em criptomoedas e outros ativos alternativos, beneficiando fundos hedge, private equity e family offices.
A iniciativa chega em meio às crescentes tensões econômicas entre a China e o Ocidente, intensificadas pela vitória de Donald Trump.
O objetivo é reforçar a posição de Hong Kong como um dos principais centros globais de gestão de fortunas.
Atualmente, a ilha é o maior polo de fundos hedge da Ásia e ocupa a segunda posição em capital sob gestão em private equity.
Nos últimos anos, Hong Kong tem se dedicado a diversificar investimentos e a se consolidar como um importante centro global de ativos digitais.
O impacto pode ser significativo: há mais de 2.700 family offices operando na cidade, e mais da metade deles gerencia ativos superiores a US$ 50 milhões, segundo dados do governo local.
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Em um documento de consulta divulgado nesta semana, o Departamento de Serviços Financeiros e do Tesouro propôs a ampliação das isenções fiscais para uma ampla gama de ativos, incluindo propriedades no exterior, créditos de carbono, crédito privado e ativos digitais.
A medida seria aplicada a fundos privados e veículos de investimento de family offices elegíveis.
"A tributação é uma das principais considerações para o setor de gestão de patrimônio ao decidir onde basear suas operações", afirmou o relatório, reforçando o compromisso do governo em criar um ambiente favorável para investidores.
A proposta ainda inclui a possibilidade de estender as isenções a fundos de pensão e patrimoniais. Segundo Patrick Yip, vice-presidente da Deloitte China, a iniciativa é um passo importante para fortalecer Hong Kong como hub financeiro e de negociação criptoativos.
Hong Kong enfrenta a concorrência de Singapura, que tem atraído lançamentos de fundos em ritmo superior, segundo dados oficiais. Em 2020, Singapura introduziu a “empresa de capital variável”, que já soma mais de 1.000 fundos no país.
Enquanto isso, Hong Kong tem promovido a “empresa de fundo aberto”, uma estrutura de baixa tributação para abrigar ativos e subfundos, com mais de 450 lançamentos até outubro deste ano.
Darren Bowdern, da KPMG, afirmou que as mudanças propostas buscam equiparar Hong Kong a outros centros financeiros globais, como Luxemburgo e Singapura, ao eliminar riscos de tributação para fundos.
A disputa por investidores bilionários e grandes gestores de capital tem sido acirrada. Muitos ricos da China continental vêm escolhendo Hong Kong para estabelecer veículos de investimento privados, enquanto o controle rigoroso sobre lavagem de dinheiro em Singapura tem gerado cautela entre investidores.
Para Sergio Ermotti, CEO do UBS, Hong Kong está avançando rapidamente e pode superar a Suíça como principal centro global de gestão de fortunas, destacando o progresso conjunto de Hong Kong e Singapura no setor.
*Com informações da Reuters e Financial Times
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