🔴 ONDE INVESTIR EM MARÇO: ESPECIALISTAS TRAZEM INSIGHTS SOBRE MACRO, AÇÕES, RENDA FIXA, FIIS E CRIPTO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Tony Volpon: O improvável milagre do pouso suave americano

Powell vendeu ao mercado um belo sonho de um pouso suave perfeito. Temos que estar cientes que é isso que os mercados hoje precificam, sem muito espaço para errar.

30 de setembro de 2024
20:03 - atualizado às 14:44
Fed Juros Dólar Bolsa Ações
Imagem: Getty Images/Canva Pro

Acho importante contextualizar o que estamos vendo hoje na economia americana pela sua quase total improbabilidade: um provável “pouso suave” depois do maior surto inflacionário desde os anos 70.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Não é bom “normalizar” esse resultado porque isso pode gerar uma atitude de conforto e descuido nas análises e decisões de investimento.

Eu confesso que eu tive um grande acerto e um grande erro olhando a conjuntura americana nesses últimos anos.

Quando os bancos centrais – inclusive o nosso Banco Central – estavam pregando que o surto inflacionário, que começou no final de 2020, era algo transitório, estava muito claro para mim que não era o caso (apesar que a extensão da inflação em 2021-2022 superou as minhas já pessimistas previsões na época).

Mas posteriormente, vendo a forte e tardia reação dos bancos centrais, eu achava que uma recessão era algo quase que garantido.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A razão principal dessa conclusão foi pelo track record histórico: pousos suaves são muito raros.

Leia Também

Por que, então, este ciclo foi diferente? Acho que há três razões principais.

Primeiro, o impacto/uso da política fiscal.

A forte expansão fiscal durante a pandemia – vimos no caso americano o maior nível de gastos desde a segunda guerra mundial – foi fator agravante durante o período inflacionário, mas tem ajudado a sustentar a demanda durante o período de contração monetária, inicialmente pelo consumo via transferências de renda, e depois pelos investimentos com a aprovação pelo governo Biden do Anti-inflation Act (que na verdade tem pouco a ver com a inflação e foi um programa de investimentos voltado a transição climática); o pacote de investimentos em infraestrutura; e o pacote de investimentos na área de chips (que é justificado por razões de segurança nacional no contexto da concorrência com a China).  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Importante notar que durante o período da pandemia, a política fiscal foi ajudada pela forte expansão do balanço do Fed via QE, o que efetivamente permitiu um swap de títulos longos emitido pelo Tesouro Americano por base monetária que ficou no próprio balanço do Fed como reservas bancárias rendendo fed funds.

Assim a avalanche de títulos acabou impactando pouco a curva de juros por ser efetivamente financiado por emissão monetária remunerada.

O segundo fator foi a “bolha” da inteligência artificial. Os EUA tiveram sorte que o período de restrição monetária coincidiu com o boom da AI na bolsa americana, algo que a sustentou como um todo – ajudando a manter as condições financeiras expansivas e aumentando o patrimônio das famílias– e gerou outro forte vetor de investimentos corporativos.

O último fator foi a forte onda migratória que ocorreu no início do governo Biden que ajudou a distensionar o mercado de trabalho pelo aumento da oferta, gerando forte vetor desinflacionário pela contenção de pressão salarial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Se olharmos hoje esses três fatores, percebemos que cada um deles tem perdido força ao longo deste ano. Esta é a principal razão pela qual o Fed está com pressa para cortar a taxa de juros.

O déficit fiscal se manteve elevado (ao redor de 6% do PIB), mas o recente acordo orçamentário entre o governo e o Congresso Republicano congelou despesas discricionárias, algo que vai diminuir a sustentação da demanda agregada.

Ao mesmo tempo, o Fed não está mais “ajudando” com QE que virou QT, com seu balanço já caindo US$1.8 trilhões desde seu pico em maio de 2022.

Enquanto a onda migratória foi positiva no combate à inflação, ela foi um desastre político para o Biden, que tomou uma série de medidas para sua restrição durante o período eleitoral, e assim o nível de imigração ilegal voltou a níveis perto daquilo que havia durante o governo Trump (o que vai acontecer depois da eleição, se Harris ganhar, ninguém pode dizer). Assim, por enquanto pelo menos, a forte expansão da oferta de trabalho acabou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E finalmente, enquanto a bolha AI não exatamente implodiu – as bolsas continuam a rodar perto de seus níveis máximos – hoje há um debate mais vigoroso sobre a tese de investimento e menos euforia com o tema, basta olhar o preço da NVIDIA.

Todos esses fatores têm levado a uma perda de dinamismo econômico, especialmente no mercado de trabalho.

É verdade que o Powell conseguiu a proeza nesta última reunião de baixar o fed funds por um maior do que esperado 0,5% sem assustar o mercado com a possibilidade de uma recessão – levando o S&P 500 a fazer novas máximas. Nos preços de hoje, com um múltiplo de 22% sobre o lucro, o valuation do S&P 500 está em um dos seus maiores patamares dos últimos 20 anos.

Mas se esse cenário benigno vai se provar duradouro vai depender da evolução da economia, que nesses preços está precificada a perfeição.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

De um lado, a economia tem que continuar a crescer. Uma maneira simplista, mas a meu ver eficiente, de julgar isso, de acordo com a Morgan Stanley, é o nível de payroll mensal: qualquer coisa acima de 150 mil novos postos de trabalho seria risk on; qualquer coisa abaixo de 100 mil, risk off.

O segundo fator seria o comportamento da inflação. O Fed pode estar convencido de que a inflação está convergindo à meta, mas o núcleo de serviços do PCE ainda está rodando em 3,5%, longe dos 2%.  

Apesar do Powell ter defendido que o balanço de risco hoje está simétrico, cortar os juros dessa maneira com a inflação ainda nesses níveis claramente indica que o Fed hoje está de fato mais preocupado com a segunda perna do seu mandato duplo: o emprego.

Isso dito, se a inflação sofrer algum repique – como aconteceu no início de ano – a atual precificação de cortes de juros feitas pelo mercado – que hoje está mais otimista que o Fed – não deve se concretizar.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em resumo, Powell vendeu ao mercado um belo sonho de um pouso suave perfeito. Temos que estar cientes que é isso que os mercados hoje precificam, sem muito espaço para errar. Assim, a meu ver, não é o momento de ter exposição máxima de risco. 

Independentemente de como essa história vai acabar, devemos ver em algum momento uma sequência de dados – ou eventos, como a eleição presidencial – que deve abalar essa crença no final feliz perfeito, dando oportunidades de compra em níveis mais condizentes com os riscos conjunturais subjacentes. 

*Tony Volpon é economista e ex-diretor do Banco Central.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
SEU DINHEIRO LIFESTYLE

O Oscar, uma aposta: de investidores a candidatos, quem ganha com a cerimônia, afinal?

14 de março de 2026 - 11:01

O custo da campanha de um indicado ao Oscar e o termômetro das principais categorias em 2026

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O equilíbrio delicado da Petrobras (PETR4), o Oscar para empreendedores, a recuperação do GPA (PCAR3) e tudo mais que mexe com os mercados hoje

13 de março de 2026 - 8:13

Saiba quais os desafios que a Petrobras precisa equilibrar hoje, entre inflação, política, lucro e dividendos, e entenda o que mais afeta as bolsas globais

SEXTOU COM O RUY

Número mágico da Petrobras (PETR4): o intervalo de preço do petróleo que protege os retornos — e os investidores

13 de março de 2026 - 7:11

O corte de impostos do diesel anunciado na quinta-feira (12) afastou o risco de interferência na estatal, pelo menos por enquanto

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O lado B dos data centers, a guerra no Oriente Médio e os principais dados do mercado hoje

12 de março de 2026 - 8:55

Entenda as vantagens e as consequências ambientais do grande investimento em data centers para processamento de programas de inteligência artificial no Brasil

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Petróleo em alta — usando dosagens para evitar o risco de uma aposta “certa” 

11 de março de 2026 - 19:57

Depois de uma disparada de +16% no petróleo, investidores começam a discutir até onde vai a alta — e se já é hora de reduzir parte da exposição a oil & gas para aproveitar a baixa em ações de qualidade

ALÉM DO CDB

Prêmios de risco do crédito privado têm certo alívio em fevereiro, mas risco de algumas empresas emissoras aumenta

11 de março de 2026 - 14:39

Os spreads estão menos achatados, e a demanda por títulos isentos continua forte; mas juro elevado já pesa sobre os balanços das empresas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Faturamento de R$ 160 milhões no combate ao desperdício, guerra no Oriente Médio, e tudo o que você precisa saber hoje

11 de março de 2026 - 8:26

Entenda como a startup Food to Save quer combater o desperdício de alimentos uma sacolinha por vez, quais os últimos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e o que mais afeta seu bolso hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como lucrar com a Copa sem cometer crimes, as consequências de uma guerra mais longa para os juros, e o que mais afeta a bolsa hoje

10 de março de 2026 - 8:38

A Copa do Mundo 2026 pode ser um bom momento para empreendedores aumentarem seu faturamento; confira como e o que é proibido neste momento

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

O petróleo volta a ditar o humor dos mercados, mas não é só isso: fertilizantes e alimentos encarecem, e até juros são afetados

10 de março de 2026 - 7:32

O ambiente de incerteza já pressiona diversos ativos globais, contribui para a elevação dos rendimentos de títulos soberanos e amplia os riscos macroeconômicos

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A fila dos IPOs na B3, a disparada do petróleo, e o que mais move o mercado hoje 

9 de março de 2026 - 8:11

Depois de quase cinco anos de seca de IPOs, 2026 pode ver esse cenário mudar, e algumas empresas já entraram com pedidos de abertura de capital

TRILHAS DE CARREIRA

O fim da Diversidade? Por que a Inteligência Artificial (IA) me fez questionar essa agenda novamente

8 de março de 2026 - 8:00

Esta é a segunda vez que me pergunto isso, mas agora é a Inteligência Artificial que me faz questionar de novo

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

De volta à pole: com Gabriel Bortoleto na Fórmula 1 e a retomada da produção nacional, Audi aquece os motores

7 de março de 2026 - 9:01

São três meses exatos desde que Lando Norris confirmou-se campeão e garantiu à McLaren sua primeira temporada em 17 anos. Agora, a Fórmula 1 está de volta, com novas regras, mudanças no calendário e novidades no grid.  Em 2026, a F1 terá carros menores e mais leves, novos modos de ultrapassagem e de impulso, além de novas formas de recarregar as […]

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ainda dá para investir em Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3), o FII do mês, e o que mais move seus investimentos hoje

6 de março de 2026 - 8:35

Ações das petroleiras subiram forte na bolsa nos últimos dias, ainda que, no começo do ano, o cenário para elas não fosse positivo; entenda por que ainda vale ter Petrobras e Prio na carteira

SEXTOU COM O RUY

Petrobras e Prio disparam na Bolsa — descubra por que não é tarde demais para comprar as ações

6 de março de 2026 - 6:55

Para dividendos, preferimos a Petrobras que, com o empurrãozinho do petróleo, caminha para um dividend yield acima de 10%; já a Prio se enquadra mais em uma tese de crescimento (growth)

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A luta pelos dividendos da Petrobras (PETR4), o conflito no Oriente Médio e o que mais impacta o seu bolso hoje

5 de março de 2026 - 8:07

Confira o que esperar dos resultados do 4T25 da Petrobras, que serão divulgados hoje, e qual deve ser o retorno com dividendos da estatal

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Dá mesmo para ter zero de petróleo e gás?

4 de março de 2026 - 19:52

A concentração em tecnologia deixou lacunas nas carteiras — descubra como o ambiente geopolítico pode cobrar essa conta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Depois do glow up, vêm os dividendos com a ação do mês; veja como os conflitos e dados da economia movimentam os mercados hoje

4 de março de 2026 - 8:59

A Ação do Mês busca chegar ao Novo Mercado e pode se tornar uma pagadora consistente — e robusta — de dividendos nos próximos anos; veja por que a Axia (AXIA3) é a escolhida

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os desafios das construtoras na bolsa, o “kit geopolítico” do conflito, e o que mais move o mercado hoje

3 de março de 2026 - 8:37

Veja como acompanhar a temporada de resultados das construtoras na bolsa de valores; PIB, guerra no Oriente Médio e Caged também afetam os mercados hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Ormuz no radar: o gargalo energético que move os mercados e os seus investimentos

3 de março de 2026 - 7:00

Mais do que tentar antecipar desfechos políticos específicos, o foco deve permanecer na gestão de risco e na diversificação, preservando uma parcela estratégica de proteção no portfólio

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O gringo já tem data para sair do Brasil, o impacto do conflito entre EUA, Israel e Irã nos mercados, e o que mais move a bolsa hoje

2 de março de 2026 - 8:46

Em situações de conflito, fazer as malas para buscar um cenário mais tranquilo aparece como um anseio para muitas pessoas. O dinheiro estrangeiro, que inundou a B3 e levou o Ibovespa a patamares inéditos desde o começo do ano, tem data para carimbar o passaporte e ir embora do Brasil — e isso pode acontecer […]

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar