Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

O porrete monetário, sozinho, não será suficiente: é necessário um esforço fiscal urgente

Crescente desconfiança sobre a sustentabilidade fiscal agrava desequilíbrios macroeconômicos e alimentam ainda mais o pessimismo

Crescem temores de que o Brasil esteja caminhando para um cenário de dominância fiscal. Imagem: Shutterstock

A semana começou no Brasil sob forte pressão nos mercados financeiros, com o aumento das preocupações em relação à situação fiscal.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nem mesmo a postura firme e acertada do Banco Central (BC), que na semana passada elevou a Selic em 100 pontos-base e sinalizou mais duas altas de mesma magnitude para o início de 2025, foi suficiente para acalmar o câmbio e a curva de juros futuros.

Apesar da tentativa do BC de reancorar as expectativas inflacionárias com um aperto monetário agressivo, o real continuou se desvalorizando e os juros futuros voltaram a disparar.

Por que as ações do BC não estão funcionando

Esse movimento é reflexo, principalmente, de dois fatores preocupantes: primeiro, a incerteza em torno da aprovação do pacote fiscal no Congresso.

O mercado teme que as medidas para conter o crescimento dos gastos públicos enfrentem grandes obstáculos legislativos, agravados pelo contexto político sensível, especialmente durante a recuperação de Lula, que ainda se recupera de dois procedimentos cirúrgicos delicados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo, o risco cada vez mais presente de o país caminhar para um cenário de dominância fiscal, tema que vem ganhando relevância nas discussões econômicas recentes.

Leia Também

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O novo megaempreendimento em Joinville, os FIIs de escritório e o IPCA de junho: acompanhe o que move os mercados hoje

SEXTOU COM O RUY

No mercado também é preciso saber o momento certo de defender e, principalmente, quando contra-atacar

O que é dominância fiscal

Dominância fiscal é o fenômeno em que a política fiscal sobrepõe ou restringe a política monetária.

Nesse cenário, o Banco Central perde sua autonomia para controlar efetivamente a inflação e a taxa de juros, pois suas decisões passam a ser condicionadas pela necessidade de financiar déficits fiscais elevados ou administrar uma dívida pública em trajetória insustentável.

A consequência é uma dinâmica perversa: quanto mais precária a situação fiscal, maiores são os juros exigidos pelo mercado, o que, por sua vez, aumenta os custos com o serviço da dívida e aprofunda o déficit fiscal — uma espiral negativa que alimenta a desconfiança e amplia as pressões inflacionárias.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O ajuste macroeconômico, que deveria se concentrar no aumento dos juros para conter as pressões inflacionárias, acaba recaindo sobre a inflação em si, à medida que a perda de controle cambial agrava a situação.

Esse desdobramento leva a uma dinâmica preocupante que remete a cenários observados em países como Turquia e Argentina — exemplos notórios de políticas desastrosas.

Nesse contexto, mesmo que o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha acertado ao elevar a Selic, a medida pode se mostrar insuficiente ou, pior, contraproducente.

O aumento expressivo dos juros eleva o custo da dívida pública, ampliando o déficit nominal e deteriorando a trajetória de endividamento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Esse ciclo perverso acaba por alimentar a desconfiança do mercado, que reage com mais pressão sobre os juros futuros e o câmbio, criando um ambiente de incerteza generalizada.

O Brasil não chegou a esse ponto — ainda

Embora o Brasil ainda não tenha atingido esse ponto crítico, os sinais emitidos recentemente acendem um alerta claro sobre a urgência de ajustes fiscais mais profundos e robustos.

O atraso na apresentação do pacote de contenção de gastos e a entrega de uma proposta aquém das expectativas colocaram o governo em um caminho mais árduo e perigoso até 2026, ano eleitoral.

Adiar medidas estruturais de grande impacto agravou a complexidade do cenário, exigindo agora um esforço ainda maior para reverter a deterioração fiscal e restaurar a credibilidade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Assim, o Brasil enfrenta um círculo vicioso preocupante.

A crescente desconfiança sobre a sustentabilidade fiscal agrava os desequilíbrios macroeconômicos, que, por sua vez, alimentam ainda mais o pessimismo em relação ao país.

Como muito bem observou Marcos Mendes, a política fiscal brasileira segue sem lastro, alimentando o ceticismo do mercado em relação à capacidade do governo de aprovar o pacote fiscal proposto ainda neste ano.

Além disso, pairam dúvidas consideráveis de que, mesmo se aprovado, o texto passará sem sofrer desidratações substanciais.

A saúde do presidente Lula adiciona mais uma camada de incerteza ao cenário.

Apesar de ter recebido alta hospitalar, Lula só deverá retornar a Brasília na quinta-feira, e mesmo assim com atuação provavelmente limitada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sua entrevista ao Fantástico na noite de domingo dificilmente contribuirá para acalmar os ânimos do mercado; declarações no sentido de “la garantía soy yo” não têm mais o impacto positivo de outrora, sendo hoje recebidas com descrédito.

Com o calendário legislativo se esgotando e o recesso de fim de ano se aproximando, o ambiente em Brasília está permeado por questionamentos sobre a viabilidade de avançar em pautas críticas, como o pacote fiscal, a regulamentação da reforma tributária e o Orçamento de 2025.

Para evitar o bloqueio total, o presidente da Câmara, Arthur Lira, já indicou que pretende acionar seu “modo turbo” — ou “tratoraço” —, acelerando as discussões e votações na reta final do ano legislativo.

Ajuste fiscal é urgente

O Brasil ainda não atingiu um ponto de não retorno, mas avança perigosamente na direção de um beco sem saída.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A solução é clara e inquestionável: o ajuste fiscal precisa ocorrer pelo corte efetivo de gastos. Insistir em alternativas superficiais ou paliativas equivale a dar murro em ponta de faca.

Sem uma mudança estrutural na condução da política fiscal, os esforços do Banco Central, como o aumento da Selic, tornam-se ineficazes.

No atual contexto, mesmo intervenções cambiais por parte da autoridade monetária são questionáveis e podem ter efeitos contraproducentes, como temos visto nos últimos dias.

Ao adiar a implementação de um ajuste fiscal robusto e estrutural, o governo fez a escolha de atravessar uma ponte esburacada em direção a 2026, em vez de pavimentar um caminho sólido e confiável ao apresentar, em tempo hábil, um pacote fiscal crível e adequado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O resultado é um cenário de crescente deterioração nos ativos domésticos, com aumento da pressão sobre o câmbio e a curva de juros, além de um ambiente econômico mais frágil e instável.

O momento exige pragmatismo, decisões técnicas e, sobretudo, coragem política para corrigir a rota fiscal antes que o país entre em uma espiral de desconfiança irreversível.

Adiar novamente as decisões necessárias apenas tornará a solução mais difícil, custosa e dolorosa no futuro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Imagem vetorizada mostra dois robôs brancos correndo com uma cidade futurística ao fundo 7 de julho de 2026 - 8:45
Nota 100 Reais Rasgada Inflação IPCA deflação agenda econômica ipca 7 de julho de 2026 - 7:27
Ferramentas de IA gratuitas 6 de julho de 2026 - 19:03
6 de julho de 2026 - 8:32
Haaland na campanha realizada para a marca de chás Walovi 4 de julho de 2026 - 9:22

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

É hora de parar o viking: o fenômeno Haaland no caminho do Brasil 

4 de julho de 2026 - 9:22
Um desenho do centro do campo de futebol traz a metade de uma bola e a metade de um mapa mundi. Da fenda entre elas saem cédulas. 3 de julho de 2026 - 7:04
Thumb do primeiro dia do evento Onde Investir no Segundo Semestre de 2026, do Seu Dinheiro 2 de julho de 2026 - 9:27
Técnicos do TRE-DF realizam a conferência e a lacração de urnas eletrônicas para o 1º turno das Eleições 2022 1 de julho de 2026 - 19:29

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Qual é o gênero do novo ciclo eleitoral?

1 de julho de 2026 - 19:29
30 de junho de 2026 - 7:23
29 de junho de 2026 - 8:24
Elenco de Barrados no Baile e novo sistema de entrada e saída da União Europeia 27 de junho de 2026 - 9:02
Imagem mostra uma zebra dentro do espaço da B3, a bolsa de valores brasileira. Há gráficos de ações e símbolos da B3 ao fundo 26 de junho de 2026 - 8:27
Imagem mostra uma bola de futebol entrando na rede de um gol, com gráficos de ações e mercado financeiro na frente 26 de junho de 2026 - 6:04
Vini Jr da Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026 - Imagem: Rafael Ribeiro/CBF 25 de junho de 2026 - 8:49
Imagem de moedas e uma calculadora com setas representando alta 24 de junho de 2026 - 20:00

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: tudo em renda fixa e nada em variável?

24 de junho de 2026 - 20:00
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar