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A fase pesada de capex dessa empresa ficou para trás – o que, combinado com a redução do endividamento, deve culminar em um aumento na distribuição aos acionistas neste e nos próximos anos
Na última segunda-feira (29), quando eu já estava guardando minhas coisas para ir embora, um colega me perguntou: "E aí Ruy, tá indo para casa se preparar para os resultados da Vivo que vão sair hoje à noite?"
"Me preparar, como assim?", eu devolvi a pergunta, sem entender muito bem o que ele quis dizer com isso.
Ele então explicou: "Ah, se preparar mentalmente. Sempre dá uma ansiedade danada quando uma empresa está perto de divulgar o balanço. Eu fico atualizando o site a cada 10 segundos pra ver se o documento foi divulgado e saber logo como foi o trimestre."
Eu expliquei para ele que ia para casa fazer exercício, tomar um banho, comer… Só depois é que eu iria olhar o resultado da Vivo, mas ele não entendeu muito bem a minha calma, então eu continuei:
"Deixa eu te explicar: a Vivo não é essas tranqueiras que você analisa, que em um trimestre dá lucro, no outro dá prejuízo e você nunca sabe o que vai acontecer direito. A Vivo é um reloginho, os resultados crescem e ela ainda paga dividendos pra caramba. Eu não preciso ficar colado no site porque os números nunca trazem grandes surpresas".
Depois disso, peguei minhas coisas e fui embora para só quatro horas depois abrir o site da Vivo e apreciar mais um trimestre de crescimento de Ebitda e de lucro.
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A temporada de resultados seria bem menos estressante para analistas e para acionistas se só existissem empresas assim… Meu amigo que o diga.
A receita líquida móvel da Vivo cresceu +8,9% no trimestre, impulsionada pelo pós-pago que tem uma qualidade melhor e já representa 83% do segmento – essa boa expansão mostra que o ambiente competitivo segue mais racional após a saída da Oi. Assim como nos últimos trimestres, o churn (cancelamento) segue bastante controlado, abaixo de 1%.
A receita líquida fixa também cresceu, ajudada pela ótima expansão anual de +17% do segmento de fibra (FTTH) e de +8% nas vendas de serviços corporativos (B2B). No entanto, a receita total dos negócios fixos cresceu apenas +4% em relação ao 2T23, impactada pela contração de -15% dos negócios fixos legados (como voz e cabo), apesar de isso ser amplamente esperado pelo mercado.
No consolidado (móvel + fixo), a receita expandiu +7,4% ante o 2T23, para R$ 13,7 bilhões, em linha com as expectativas.
Com um bom controle de custos e despesas, o Ebitda também cresceu em um ritmo interessante (+7,3%, para R$ 5,45 bilhões). Mais interessante ainda foi o crescimento de 23% do fluxo de caixa livre, que chegou a R$ 3,1 bilhões, ajudado por investimentos um pouco menores e menos gastos com leasing. Esse é um dado relevante pois significa maior capacidade de pagar dividendos (falaremos sobre isso mais abaixo).
Por fim, o lucro líquido atingiu R$ 1,2 bilhão, com ótima expansão anual de +9%, ajudado pela alta do Ebitda.
Há um outro aspecto interessante relacionado aos dividendos. Nos últimos anos, após a aquisição de ativos da Oi, fortes investimentos em fibra e 5G, a Vivo precisou segurar um pouco a distribuição de dividendos.
Mas como você pode ver no gráfico abaixo, a fase pesada de capex ficou para trás, e os investimentos que antes representavam mais de 20% da receita, agora estão próximos de 17%. Isso representa uma "economia" de quase R$ 2 bilhões, o que combinado com a redução do endividamento devem culminar em um aumento dos dividendos neste e nos próximos anos.
Pensando nisso, a série Vacas Leiteiras mantém a ação VIVT3 na carteira, que segue bastante barata e conta com um dividend yield que tem potencial para se aproximar de 10% nos próximos anos considerando as recompras.
Se quiser conferir essa e todas as outras pagadoras de dividendos que compõem o rebanho, deixo aqui o convite.
Um grande abraço e até a semana que vem.
Ruy
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