A mão que apedreja a bolsa: prejuízo da Petrobras (PETR4) pesa sobre o Ibovespa em dia de IPCA
Balanço da Petrobras repercute hoje na bolsa enquanto analistas projetam inflação oficial em aceleração em julho

A mão que afaga é a mesma que apedreja, escreveu Augusto dos Anjos em 1912. Ele provavelmente não imaginava ser citado no contexto dos mercados financeiros, mas a licença poética cabe hoje.
O Ibovespa teve um início de agosto ruim, mas recuperou terreno. A alta acumulada nas últimas três sessões colocou o índice no azul. Perto do zero a zero, mas já quase um a um, este almejado por Djavan.
A recuperação deveu-se em grande parte ao andamento da temporada de balanços. Os bons resultados divulgados pelas empresas brasileiras nos últimos dias fizeram o Ibovespa se descolar até mesmo dos piores momentos de Wall Street.
Mas os mesmos balanços que afagaram a bolsa nas últimas sessões têm tudo para se transformar hoje na mão que a apedreja.
Isso porque o resultado da Petrobras no segundo trimestre contrariou — e não por pouco — as projeções. Na semana passada, a queda na produção e a defasagem do preço dos combustíveis diminuíram as expectativas dos analistas, mas ainda era esperado lucro.
No entanto, os números vieram bem piores do que se imaginava: a Petrobras reportou prejuízo de R$ 2,6 bilhões no primeiro trimestre da empresa sob comando de Magda Chambriard.
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O mau resultado foi atribuído a fatores considerados não recorrentes, como a brusca depreciação do real em relação ao dólar e uma baixa contábil de R$ 11,9 bilhões por um acordo tributário.
A Petrobras também anunciou que vai usar R$ 13,57 bilhões de sua reserva de capital para pagar dividendos e juros sobre capital próprio.
No início da manhã de hoje, os ADRs da Petrobras estavam em queda de mais de 1% no pré-mercado em Nova York.
Por se tratar de uma das maiores empresas do índice, a reação dos investidores tende a pesar negativamente sobre a bolsa nesta sexta-feira.
Ao mesmo tempo, o IPCA de julho sai hoje e a expectativa é de aceleração tanto na comparação mensal quanto no acumulado em 12 meses.
Além disso, os investidores repercutem comentários do diretor de política monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, quanto à possibilidade de alta dos juros.
Em contrapartida, os mercados internacionais emitem sinais positivos nesta sexta-feira. Resta saber se eles — e outros balanços divulgados nas últimas horas — serão capazes de evitar um apedrejamento da bolsa hoje.
O que você precisa saber hoje
SEXTOU COM O RUY
A ação que já trouxe ótimos lucros nesta semana, mas ainda guarda um grande potencial de valorização. A companhia negocia por apenas 5x valor da firma/ebitda o que, na visão do colunista Ruy Hungria, a torna muito barata e com grande potencial de expansão de múltiplos.
CARTÃO DE VISITAS
No 1º balanço após a privatização, lucro da Sabesp (SBSP3) sobe 63%. Resultados ainda são relativos ao período como estatal; lucro de mais de R$ 1 bilhão supera projeção anualizada do BTG Pactual.
RESULTADO DA VAREJISTA
Magazine Luiza (MGLU3) tem lucro de R$ 23 milhões no 2T24 e supera estimativas — mas o destaque do balanço é outro. Para Vanessa Rossini, diretora de relações com investidores (RI) do Magalu, o principal ponto positivo deste trimestre foi a evolução dos resultados e das margens.
REDUÇÃO DE CAPITAL
Méliuz (CASH3) revela quando fará novo depósito milionário para os acionistas — e quem terá direito ao pagamento. A companhia fará uma redução de capital de R$ 220 milhões, que corresponde a R$ 2,52713563580 por ação, em 13 de setembro.
COM A PALAVRA
Indicado para suceder Campos Neto, Gabriel Galípolo compara diretor do BC que tem medo de elevar os juros a médico que não gosta de ver sangue. As taxas de juros reagiram às falas do diretor de política monetária e inverteram o sinal no fim da sessão de ontem (8).
Uma boa sexta-feira e um excelente fim de semana para você!
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