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DIA 38

Os bombeiros chegaram: ata do Copom e Alckmin tentam baixar a temperatura da relação entre Lula e Campos Neto

Do outro lado, parlamentares do PSOL e do PT querem apresentar requerimento para convidar o presidente do BC a comparecer em uma audiência pública na Câmara para explicar as razões dos juros altos

Lula derruba mercados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Montagem Beatriz Azevedo

A temperatura subiu entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do banco central, Roberto Campos Neto, depois que o petista não poupou a autoridade monetária de críticas — nesta terça-feira (7), o chefe do Planalto voltou a atacar RCN e afirmar que ele lhe deve explicações. 

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Como as labaredas dos comentários de Lula sobre a inflação, os juros e a independência do BC seguem ardendo, foi preciso chamar os bombeiros para apagar possíveis focos de incêndio na relação do governo com o banco central. 

O primeiro a atender ao chamado foi o Copom, que divulgou hoje de manhã a ata de sua última reunião. O documento mais extenso — foram 32 parágrafos contra 23 — se estendeu mais tanto na parte de cenários e análise de riscos como da discussão sobre a condução da política monetária.

Além de reafirmar o compromisso com as metas de inflação, o Copom estendeu a mão ao novo governo. Em um dos trechos da ata, os diretores apontaram que o pacote fiscal anunciado em janeiro pode atenuar os estímulos fiscais sobre a demanda e, portanto, reduzir o risco de alta sobre a inflação. 

Inicialmente, a temperatura baixou um pouco. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a ata foi mais "amigável" do que o comunicado divulgado após a reunião do Copom da semana passada, que manteve a taxa Selic em 13,75%. 

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No comunicado, o BC alertou para o risco fiscal e a deterioração das expectativas de inflação, sem considerar o plano Haddad. O que mais irritou o governo foi a posição do BC de que poderia manter o atual patamar, considerado alto, por um período a mais.

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"A ata do Copom veio melhor que o comunicado. Uma ata foi mais extensa, mais analítica, colocando pontos importantes sobre o trabalho do Ministério da Fazenda. A ata foi, vamos dizer, mais amigável em relação aos próximos passos que precisam ser tomados", disse Haddad pela manhã.

Alckmin faz o rescaldo do dia

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, fez o rescaldo do dia. 

Em encontro fechado com parlamentares da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), Alckmin tentou amenizar a crise e negou que exista qualquer tipo de animosidade contra Campos Neto, segundo relato feito pelo presidente da frente, Marco Bertaiolli (PSD-SP). 

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O deputado contou que Alckmin comparou a situação a uma "divergência de entendimento" e que nenhuma crítica pode ser levada a Campos Neto na figura de pessoa física.

Apagando o fogo com gasolina?

Parlamentares do PSOL e do PT querem apresentar requerimento para convidar Campos Neto a comparecer em uma audiência pública na Câmara para explicar as razões dos juros altos. 

Por ter integrado o governo de Jair Bolsonaro, Campos Neto é visto pelos políticos da esquerda como uma espécie de "cavalo de Troia" para atrapalhar o governo e a retomada do crescimento.

Esses deputados falam em propor mudança na autonomia do BC, mas nem mesmo o governo vê chances de um projeto desse tipo passar no Congresso.

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