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Não foi a perspectiva econômica que fez Massa ganhar fôlego no primeiro turno, mas uma série de benefícios sociais que mexem com o dia a dia do eleitor
As eleições na Argentina aconteceram no último domingo (22) e, apesar dos votos serem contabilizados em papel, o resultado do primeiro turno já foi tecnicamente decidido. Com 98,51% das urnas apuradas, Sergio Massa e Javier Milei se enfrentarão em um segundo turno em novembro.
Mas a votação surpreendeu a todos por dois principais fatores. Em primeiro lugar, a alta abstenção: apenas 74% dos eleitores compareceram. Na última eleição, em 2019, foram 80%.
Em segundo, o resultado da votação. Massa, ministro da Economia e herdeiro político do atual presidente Alberto Fernández, obteve 36,68% dos votos, enquanto Milei, até então o favorito, teve 29,98%. Patricia Bullrich ficou em terceiro lugar, com 23,83%.
A diferença do resultado oficial para as eleições primárias (PASO, em espanhol), realizadas em agosto, também foi grande. Milei havia obtido 31,60% dos votos, ficando em primeiro lugar até então, seguido por Massa, com 28,88% e Bullrich com 29,64%.
O que houve para Massa abrir uma diferença de mais de sete pontos percentuais das PASO e se consolidar como o primeiro colocado do primeiro turno?
Desde o dia em que Alberto Fernández anunciou que não iria concorrer à reeleição, Massa tomou a dianteira como candidato da centro-esquerda no país. Ele realizou diversas reuniões com o FMI, garantindo certa perspectiva de estabilidade para as contas públicas.
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Entretanto, não foi a perspectiva econômica que fez Massa ganhar fôlego no primeiro turno, mas uma série de benefícios sociais — que despejaram dinheiro para a população.
O ministro da Economia vinha anunciando uma série de programas para aposentados, pensionistas, trabalhadores informais, cortes de impostos de cartões de crédito — enfim, medidas que afetam o dia a dia direto do eleitor.
A estratégia garantiu uma vaga no segundo turno. No entanto, a disputa agora fica ainda mais acirrada.
De acordo com o Observatório de Encuestas, que compila pesquisas de intenção de voto no país, o segundo turno promete ser ainda mais acirrado. A vitória de Milei seria por una cabeza, como diz o famoso tango argentino.
Além disso, Milei já começou a campanha de segundo turno alegando fraudes nas urnas, o que tende a acirrar ainda mais os ânimos no país.
Já Massa — que conseguiu se afastar da imagem deteriorada do governo atual — deve enfrentar ataques de todos os lados, agora que a disputa foca em apenas dois candidatos.
O ministro também tem pouco espaço para ampliar os programas sociais sem perder ainda mais a credibilidade junto aos agentes do mercado financeiro — e ao principal credor do país, o Fundo Monetário Internacional (FMI).
E, assim como é típico de segundos turnos, todos ficarão de olhos em quem herdará os votos dos demais candidatos. Bullrich é grande crítica das políticas sociais e já afirmou que não pretende apoiar Massa — ao mesmo tempo que não apoia explicitamente Milei.
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