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A terceira maior economia da Ásia agora abriga quase um quinto da humanidade — mais do que toda a população da Europa, África ou Américas
A China não tem mais a maior população do mundo. A Índia carrega agora essa coroa, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (19) pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A população da Índia soma agora 1,4286 bilhão — um pouco acima dos 1,4257 bilhão de habitantes da China, de acordo com estimativas de meados de 2023 do painel de População Mundial da ONU.
Vale lembrar, no entanto, que os números da China não contemplam Hong Kong e Macau, Regiões Administrativas Especiais da China e Taiwan.
Com esse aumento, a terceira maior economia da Ásia agora abriga quase um quinto da humanidade — mais do que toda a população da Europa, África ou Américas.
A perspectiva, segundo o levantamento, é que a população da Índia continue aumentando e chegue a 1,668 bilhão até 2050, quando a população da China deve diminuir para cerca de 1,317 bilhão.
A Índia conquistou o primeiro lugar ao adicionar cerca de 23 milhões de bebês em 2022, enquanto a população da China começou a encolher pela primeira vez em seis décadas, com cerca de 9,56 milhões de recém-nascidos no ano passado.
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A China impôs uma política de filho único — na qual cada casal podia ter apenas um filho — de 1980 a 2015. Em 2016, a lei passou a permitir até dois filhos e, em 2021, três filhos. Ainda assim, os nascimentos continuam diminuindo.
O aumento do custo de vida e o número crescente de mulheres entrando na força de trabalho estão entre outros fatores responsáveis pela desaceleração na China.
“Quero dizer a vocês que os dividendos populacionais não dependem apenas da quantidade, mas também da qualidade”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin.
“A população da China é de mais de 1,4 bilhão. Como o primeiro-ministro Li Qiang apontou, nosso dividendo populacional não desapareceu, nosso dividendo de talentos está se formando e o ímpeto para o desenvolvimento é forte”, acrescentou.
Também na Índia, as taxas de fertilidade caíram substancialmente nas últimas décadas, de 5,7 nascimentos por mulher em 1950 para 2,2 nascimentos por mulher hoje.
Abrigar a maior população do planeta pode representar um potencial enorme de expansão econômica, mas também traz muitos desafios.
A crescente população aumentará, por exemplo, a urgência do governo do primeiro-ministro Narendra Modi para criar empregos para os milhões de pessoas que entram na força de trabalho à medida que o país se afasta dos empregos agrícolas.
Em contrapartida, a expectativa é de que a Índia — onde metade da população tem menos de 30 anos — seja a economia de expansão mais rápida do mundo nos próximos anos.
Uma pesquisa encomendada pela ONU mostrou que a maioria dos indianos disse que a população era muito grande e as taxas de fertilidade muito altas.
Quase dois em cada três entrevistados identificaram questões econômicas como as principais preocupações quando se pensa em crescimento populacional.
Os demógrafos, no entanto, dizem que a população da Índia ultrapassando a da China não deve ser vista como motivo de preocupação e cautela.
“Em vez disso, eles devem ser vistos como um símbolo de progresso, desenvolvimento e aspirações se os direitos e escolhas individuais forem respeitados”, diz o relatório da ONU.
Em novembro, a população global ultrapassou 8 bilhões. Mas especialistas dizem que o crescimento não é tão rápido como costumava ser e agora está em seu ritmo mais lento desde 1950.
As projeções anteriores da ONU mostram que a população mundial pode crescer para cerca de 8,5 bilhões em 2030, de 8 bilhões no ano passado e chegar a 9,7 bilhões em 2050, antes de atingir o pico de cerca de 10,4 bilhões na década de 2080 e permanecer nesse patamar até 2100.
A ONU estima que mais da metade do aumento projetado da população global entre 2022 e 2050 se concentre em apenas oito países:
*Com informações da Bloomberg e da BBC
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