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O segundo maior banco privado brasileiro viu o lucro cair 35,8% em relação ao mesmo período do ano passado, mas ainda assim apresentou um resultado um pouco melhor do que as projeções. Só que os investidores punem os papéis BBDC4 hoje.
Se o segundo trimestre foi um período para o Bradesco (BBDC4) esquecer, isso não será possível nesta sexta-feira (04). As ações do segundo maior banco privado brasileiro operam em forte queda, refletindo os resultados de abril a junho.
O Bradesco registrou lucro líquido de R$ 4,518 bilhões no segundo trimestre. O resultado representa uma queda de 35,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas ficou um pouco acima do esperado pelo mercado, que projetava um lucro de R$ 4,473 bilhões.
“O lucro líquido do Bradesco no segundo trimestre — de R$ 4,5 bilhões e ROE (rentabilidade) de 11% — ficou praticamente em linha com as expectativas devido ao desempenho do setor de seguros, mas foi marcado por uma qualidade muito ruim no negócio de crédito”, diz o Itaú BBA em relatório.
Por volta de 13h40, as ações do Bradesco recuavam 4,29%, cotadas R$ 15,84, liderando as maiores baixas do Ibovespa. Em um mês, os papéis acumulam baixa de 4,9%, mas em 2023 têm alta de 10%.
Não foi só o Itaú BBA que avaliou como fraco os resultados do Bradesco no segundo trimestre. Para o BTG Pactual, o banco apresentou resultados abaixo do esperado.
“Embora um resultado final de R$ 4,5 bilhões estivesse próximo das nossas projeções e do consenso, acreditamos que os investidores irão se decepcionar, pois os números mostram que a recuperação do ROE provavelmente será um processo muito gradual (e lento)”, diz o BTG em relatório.
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Depois de sofrer um grande aumento na inadimplência no ano passado, o Bradesco entrou em modo de risco, reduzindo seu apetite de crescimento e focando em linhas de crédito mais seguras, de acordo com o BTG.
A analista da Empiricus, Larissa Quaresma, disse que o resultado fraco já era esperado. "Enxergamos o início de um movimento de melhora, puxado pela inadimplência, que sugere sinais de queda daqui para a frente. Talvez seja cedo para dizer, mas é possível que observemos uma melhora gradual nos próximos trimestres", afirmou.
A Genial Investimentos chama atenção para o desempenho do setor de seguros, que apresentou um lucro de R$ 2,4 bilhões. Nas palavras da corretora: “uma robusta expansão trimestral e anual com ROE de 24,5% e revisão positiva no guidance”.
Junto com os resultados, o Bradesco apresentou suas projeções futuras (guidance), que inclui uma redução na estimativa de crescimento do crédito e na margem financeira. Em compensação, o banco espera agora um maior resultado com seguros e um avanço menor nas despesas.
“Na nossa interpretação, o novo guidance reflete uma dificuldade do Bradesco em alcançar uma rápida recuperação de rentabilidade do que inicialmente projetávamos, com o ROE de 18% provavelmente somente em 2025”, diz a Genial em relatório.
Não há consenso sobre os papéis do Bradesco. O Itaú BBA, por exemplo, recomenda a venda de BBDC4. O banco tem preço-alvo de R$ 15 — o que representa uma desvalorização de 10% em relação ao fechamento de quinta-feira (3).
Já o BTG tem uma recomendação neutra para o Bradesco, com preço-alvo de R$ 18, um potencial de valorização de 20% sobre o último fechamento.
A Genial, por sua vez, indica manter as ações BBDC4, com preço-alvo de R$ 17 — ou seja, um potencial de valorização de 13,3%.
“Historicamente, o Bradesco está negociando a múltiplos interessantes de 9,0x P/L [preço sobre lucro] em 2023, 6,8x P/L 2024E e 1,1x P/VP, porém preferimos bancos com uma dinâmica mais construtiva de receita, qualidade de ativos e rentabilidade que negociem com múltiplos baixos”, diz a Genial em relatório.
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A recomendação do BTG é de compra, com preço-alvo de R$ 40. “Do ponto de vista de valuation, a Azzas está sendo negociada a cerca de 7x P/L para 2026, um nível significativamente descontado em relação aos pares do setor”, afirma o banco
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