CVM manda a Marisa (AMAR3) refazer os balanços dos últimos 3 anos — e ações caem 4% na B3
CVM determinou que a varejista de moda refizesse as demonstrações financeiras anuais de 2022 a 2024 e os formulários trimestrais até 2025

A xerife do mercado de capitais brasileiro avisou: a Marisa (AMAR3) terá que refazer os balanços dos últimos três anos.
A varejista de moda recebeu da Superintendência de Relações com Empresas da CVM determinação para refazer demonstrações financeiras anuais de 2022 a 2024 e os formulários de informações trimestrais de 2023 a 2025.
O regulador quer que a Marisa constitua provisões sobre processos tributários envolvendo a M Serviços, controlada indireta da companhia que atua como prestadora de serviços do balcão das lojas.
As provisões consistem em valores separados nas demonstrações financeiras que serão destinados para uma obrigação futura provável de acontecer, mas que ainda não está completamente definida.
Com a determinação da CVM, a Marisa precisaria refazer os balanços dos últimos três anos para incluí-las, o que pode afetar indicadores.
Na bolsa brasileira, a reação das ações AMAR3 é negativa. Por volta das 12h40, os papéis caíam 4,13%, cotados a R$ 1,16.
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O que diz a Marisa (AMAR3)
No comunicado desta sexta, a Marisa afirma que, nas notas explicativas das demonstrações de 31 de dezembro de 2024, seus assessores jurídicos qualificaram a probabilidade de perda desses processos tributários como “possível”, termo que, sob as normas contábeis, não exige a constituição de provisão.
A Marisa também destaca que houve uma decisão administrativa recente favorável à empresa, o que fundamentou a não constituição de provisão até o momento.
No entanto, a área técnica da CVM entende que há necessidade do reconhecimento das provisões. A Marisa firmou que avalia a decisão para decidir se entrará com recurso solicitando efetivo suspensivo, de maneira que não precise refazer as demonstrações imediatamente.
Vale pontuar que o último balanço anual da Marisa saiu com uma ressalva pela BDO. De acordo com a empresa de auditoria, o passivo não circulante da varejista está subavaliado e o patrimônio líquido está superavaliado em R$ 195,6 milhões.
Além disso, o prejuízo do exercício está subavaliado em R$ 40,9 milhões no resultado de 2024.
Sem as provisões no balanço, a Marisa registrou um prejuízo líquido de R$ 315,8 milhões em 2024. A varejista vale hoje pouco mais de R$ 600 milhões na B3.
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