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ECONOMIA CHINESA

Gigante em colapso? Xi Jinping quer reaquecer economia, mas nem todos os chineses conseguiriam acabar com a crise imobiliária na China

Segundo o antigo vice-diretor do NBS, nem mesmo os 1,4 bilhão de habitantes da China seriam suficientes para ocupar todos os imóveis vazios no país

Economia da China afetada pela covid-19
Imagem: Shutterstock

Ainda que o governo de Xi Jinping esteja na luta para demonstrar reaquecer a economia com políticas de estímulos, os temores envolvendo a saúde financeira da China parecem longe de acabar. 

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As rachaduras no mercado imobiliário asiático são tão profundas que nem mesmo toda a população chinesa seria capaz de solucionar a crise, de acordo com um especialista chinês.

Segundo He Keng, antigo vice-diretor do departamento de estatísticas chinês NBS, contou à Reuters, os 1,4 bilhão de habitantes da China não seriam suficientes para ocupar todos os imóveis vazios espalhados pelo país.

"Quantas casas desocupadas existem agora? Cada especialista fornece um número muito diferente, com os dados mais extremos apontam que o número atual de imóveis vagos é suficiente para 3 bilhões de pessoas", disse o ex-funcionário.

“Essa estimativa pode ser um pouco exagerada, mas 1,4 bilhão de pessoas provavelmente não conseguirão preenchê-los”, disse He, em um fórum na cidade de Dongguan, no sul da China, de acordo com a mídia oficial China News Service.

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No final de agosto, a área combinada de casas não vendidas era de 648 milhões de metros quadrados, de acordo com os dados mais recentes do National Bureau of Statistics (NBS).

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Isso equivaleria a 7,2 milhões de casas, nos cálculos da Reuters, considerando um tamanho médio das casas de 90 metros quadrados.

A quantidade não considera, porém, os projetos residenciais que já foram vendidos, mas ainda não concluídos devido a problemas de fluxo de caixa das empresas.

Além disso, diversas casas foram compradas por especuladores na última recuperação do mercado, em 2016, e permanecem vazias até hoje, segundo especialistas.

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Xi Jinping e a crise imobiliária na China

A visão mais negativa de He Keng sobre o setor vai na contramão da narrativa oficial do governo da China, que tenta demonstrar que a economia chinesa é “resiliente”.

Vale lembrar que o setor imobiliário da China — que representa pelo menos um quarto do PIB do país — apresenta problemas desde 2021, quando a gigante imobiliária Evergrande colapsou. 

De lá para cá, as vendas, preços de imóveis e investimentos no setor imobiliário como um todo estão em queda.

O ritmo mais lento que o esperado de retomada da China levou o governo do presidente Xi Jinping a adotar uma série de medidas fiscais e monetárias para estimular o crescimento e elevar as vendas de moradias.

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Isso porque o baixo nível de confiança de consumidores e empresas, influenciado pelos fracos resultados do setor imobiliário e pela menor demanda das exportações, dificultam uma retomada firme da demanda agregada na China.

Na visão de Liu Shijin, membro do comitê de política monetária do Banco Popular da China (PboC, banco central do país), Pequim deveria perseguir reformas estruturais.

Para Shijin, a China deveria, por exemplo, oferecer incentivos a empresários, ao invés de contar com políticas macroeconômicas para estimular o crescimento.

As propostas incluem reformas do lado da demanda, com foco em dar aos trabalhadores migrantes acesso a serviços públicos, e como reformas do lado da oferta, que envolvem o estímulo ao empreendedorismo nas indústrias emergentes, disse ele. 

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O membro do comitê de política monetária do PboC ainda afirmou que o espaço para uma maior flexibilização da política monetária na China foi limitado por conta do aumento da diferença com a taxa de juros dos Estados Unidos.

*Com informações de Reuters.

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