Corinthians e São Paulo surpreendem e se aproximam do Palmeiras no ‘Brasileirão Financeiro’. Entenda como aconteceu a ‘zebra’ nas finanças dos clubes de futebol
Relatório Convocados mostra diminuição das receitas de Flamengo e Palmeiras e crescimento de Corinthians e São Paulo

Palmeiras e Flamengo vêm dividindo nos últimos anos a hegemonia nos gramados brasileiros. Corinthians e São Paulo, por sua vez, atravessam um período de escassez de títulos no futebol masculino.
Como então explicar que as receitas de Palmeiras e Flamengo diminuíram ou estagnaram e as de Corinthians e São Paulo cresceram consideravelmente em 2022?
Parte da resposta pode ser encontrada no Relatório Convocados 2023, um minucioso estudo sobre as finanças dos clubes brasileiros divulgado pela gestora Galápagos nesta quarta-feira (14) e produzido em parceria com as consultorias Convocados e Outfield.
O dado chama ainda mais a atenção por causa das crescentes premiações por títulos. No ano passado, o Flamengo conquistou a Libertadores e a Copa do Brasil. O Palmeiras faturou os Campeonatos Brasileiro e Paulista.
Por mais que o São Paulo tenha sido finalista no estadual e na Copa Sul-Americana e o Corinthians tenha sido vice do Flamengo na Copa do Brasil e terminado o Brasileirão em quarto lugar, as premiações da dupla não chegaram nem perto das obtidas pelos rivais que atualmente surfam a crista da onda do futebol brasileiro.
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Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo concentram 49% das receitas entre clubes da Série A
O relatório da Galápagos mostra que Flamengo, Palmeiras, Corinthians e São Paulo concentraram 49% do total arrecadado pelos 20 clubes que disputaram a Série A do Campeonato Brasileiro em 2022.

Pela ordem, Flamengo e Palmeiras ainda lideram o ranking de arrecadação, mas Corinthians e São Paulo incrementaram bastante as receitas e encostaram no Palmeiras.
Quando o assunto é receita recorrente, Flamengo (+23%), Corinthians (+26%) e São Paulo (+15%) registraram resultado positivo. Já o Palmeiras viu suas receitas recorrentes recuarem 24%.

Não é só futebol
O estudo também compara a variação de receitas com o desempenho dos clubes no Brasileirão de 2022. Nesse quesito, os palmeirenses não têm do que reclamar.
Apesar da queda de arrecadação, o time dirigido por Abel Ferreira faturou o título nacional. O desempenho do Corinthians foi considerado neutro, enquanto Flamengo e São Paulo terminaram em posições na tabela bem abaixo de suas respectivas colocações no ranking de arrecadação.
Aqui se faz necessário ressalvar que, fora do Campeonato Brasileiro, o Flamengo faturou a Libertadores e a Copa do Brasil.

Ao avaliar as receitas dos times, o relatório destaca que o aumento de arrecadação depende de ações individuais de cada clube, diretamente com seu público.
Talvez tenha sido nessa combinação que São Paulo e Corinthians tenham se saído melhor que Palmeiras e Flamengo no quesito financeiro.
- LEIA TAMBÉM: A receita de um banco para os times de futebol brasileiros voltarem a disputar grandes títulos com os europeus
A Fiel, como de costume, leva o Corinthians nas costas
No caso do Corinthians, as receitas cresceram substancialmente, passando de R$ 534 milhões em 2021 para R$ 737 milhões em 2022, segundo números corrigidos pelo IPCA.
E a Fiel teve participação direta nisso.
O aumento foi impulsionado pela arrecadação nas bilheterias e pela performance esportiva.
São Paulo lucra como clube formador
O São Paulo, por sua vez, beneficiou-se principalmente de uma fonte na qual o clube detém um histórico invejável: a formação de grandes jogadores.
No caso, o clube embolsou cerca de R$ 100 milhões apenas com os direitos como clube formador de Antony e Casemiro, que deixaram respectivamente o Ajax e o Real Madrid com destino ao Manchester United.
Ainda assim, são-paulinos e corinthianos ressentem-se da falta de títulos de expressão em suas respectivas galerias nos últimos anos.
Base de comparação do Palmeiras está distorcida
Mas o que o Palmeiras teria feito de errado? E a resposta é simples: nada.
A redução das receitas era esperada por conta dos efeitos da pandemia e da conquista de duas Libertadores em menos de um ano.
Para quem não se lembra, a decisão da Libertadores de 2020, contra o Santos no Maracanã, ocorreu em 2021. Com isso, o Palmeiras embolsou duas premiações pela conquista consecutiva do torneio e distorceu a base de comparação.
Direitos de transmissão e venda de atletas
É curioso notar que, embora lidere o ranking de receitas com direitos de transmissão de suas partidas, o quarteto está longe de figurar entre os que mais dependem deles.

O relatório da Galápagos também mostra certa estagnação no bolo de receitas com publicidade e marketing e dos valores arrecadados com negociação de atletas pelos clubes da Série A.
Ambos os indicadores, inclusive, fecharam 2022 ainda abaixo dos níveis de 2019, anteriores à pandemia.
Ainda assim, São Paulo e Corinthians destacaram-se positivamente em relação às vendas de jogadores. Palmeiras e Flamengo também continuaram negociando altas somas.

Bilheteria e programas de sócio-torcedor
Já em relação à bilheteria e aos programas de sócio-torcedor, embora o Flamengo tenha registrado a melhor média de público do Brasileirão em 2022, Corinthians e Palmeiras destacaram-se pelas altas médias e pelo elevado ticket médio dos ingressos.
Os rivais paulistas são os únicos clubes com preço médio dos ingressos superior a R$ 60, bem acima dos adversários.
Já o São Paulo fica para trás dos rivais em ambos os quesitos.

Quarteto tem espaço para arrecadar mais com futebol
Talvez os torcedores de outros clubes reclamem, mas parece haver espaço para o quarteto arrecadar ainda mais.
Os clubes escolhidos para este recorte feito pelo Seu Dinheiro ostentam as quatro maiores torcidas do Brasil, segundo pesquisa Quaest encomendada pela CNN e pela Rádio Itatiaia e divulgada em abril.
De acordo com a sondagem, o quarteto concentra 59% da preferência dos torcedores de futebol.

Coincidência ou não, são eles que mais têm espaço para converter em receita seus programas de sócio-torcedor, segundo o Relatório Convocados.
Para 2023, o documento projeta um aumento de 8,5% nas receitas dos 20 clubes da Série A.
O imponderável no futebol
De qualquer modo, por mais que Flamengo, Palmeiras, Corinthians e São Paulo concentrem receitas, o futebol brasileiro deve continuar imprevisível.
Isso porque os custos e as despesas seguem em alta, deixando menos dinheiro para investimentos e quitação de dívidas.
Em 2022, as dívidas somadas dos clubes da Série A superaram impressionantes R$ 10 bilhões.
De Nelson Rodrigues a Eduardo Galeano, passando por Armando Nogueira, Lourenço Diaféria e outros grandes nomes das letras, muitos já escreveram sobre o imprevisível e o imponderável no futebol.
No entanto, se no passado a imprevisibilidade do futebol nacional se dava por elencos fortes e competitivos para onde quer que se olhasse, hoje ela se deve ao fato de os clubes continuarem errando mais do que acertando, afirmam os autores do Relatório Convocados 2023.
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